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Crimes na pauta dos escritores Imprimir
Escrito por Carlos Macedo   
Terça, 02 de Novembro de 2010 - 22:47

crimes-feiraSe o debate sobre o gênero policial na literatura, que ocorreu ontem (01/11), às 19h, no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo (CCCEV), integrasse o enredo de um livro de ficção, a narração poderia ser assim:

No palco do auditório Barbosa Lessa, o professor Charles Kiefer instiga os escritores Gustavo Machado, Carina Luft e Paulo Wainberg a falarem de seus recentes romances policiais. A luz que ilumina o cenário incide sobre os quatro, ao mesmo tempo, sem fazer distinções. Ao lado de cada um, sobre uma mesa, se posta um copo com água. Enquanto falam de seus personagens psicopatas e criminosos, e dos mestres que ali o fizeram chegar – como Edgar Allan Poe e Conan Doyle – na plateia, a jornalista Márcia Charão, e pupila de Kiefer, anota com precisão cada detalhe das técnicas utilizadas pelos debatedores. Um crime perfeito é o que deseja a moça, sedenta por romance policial.

Minutos atrás, depois de organizado o cenário para os "crimes", na escuridão total, antes dos holofotes serem ligados, alguém troca a água de um dos debatedores. Quando as luzes se acendem, Márcia está sentada numa das poltronas vermelhas do auditório vazio. Foi a primeira a chegar.

Durante o discurso sobre os paradigmas da literatura policial e o paradoxo do crime perfeito Charles Kiefer, já com a garganta seca, toma um gole de água. Segundos depois não consegue entoar mais nenhuma palavra...

Um crime de fato teria acontecido? Quem o teria feito? Como investigar? Segundo o escritor e professor Charles Kiefer, que foi patrono da Feira do Livro de 2008, o "conjunto de aspectos investigativos é que vão ajudar os escritores a elaborarem suas tramas". Referência que faz as técnicas de investigação iniciadas no século 18 com o aperfeiçoamento do aparelho do Estado e o advento da polícia política.

E foi justamente no universo da investigação que Carina Luft teve que mergulhar para construir o protagonista de seu primeiro romance policial, Fetiche. Para caracterizar o Delegado Weber e desenvolver a trama de trapaças e mentiras que envolvem segredos conduzidos por um louco fetiche, Luft fez longos laboratórios dentro das delegacias, conversou com psicólogos, investigadores e peritos, além de ler tudo sobre investigações brasileiras. "Fetiche, no futuro, estará entre os livros importantes da literatura policial brasileira, livros que marcaram o lento desenvolvimento do gênero no nosso país", prevê Charles Kiefer, mestre da escritora.

Enquanto isso, na platéia, Márcia Charão almeja entrar na lista de escritores do gênero. "Eu tenho uma queda para o policial", relata a aluna da oficina literária de Kiefer, que tem dois contos publicados na antologia Contos de Abandono. Num deles, Essência do Mal, o personagem é um assassino que "tem um crime perfeito".

A mesma primazia encontra-se em Unhas, de Paulo Wainberg, lançado este ano. No romance, um dos personagens, na obsessão do crime perfeito, "mata um vagabundo, o melhor amigo e a esposa", conta Wainberg. "Mas onde está a glória em cometer um crime perfeito?", contesta em seguida. Para saber, só lendo o livro.

Dos três autores que participaram do debate, Gustavo Machado, com Sob o Céu de Agosto, é o que foge um pouco do gênero. "O meu romance, além de não ser policial, está muito mais para o existencialismo", reflete.

Após a discussão Paulo Wainberg, acompanhado por Charles Kiefer, se dirigiu para a Praça de Autógrafos. Carina Luft autografa hoje, às 19h30, e Gustavo Machado na terça-feira (9), às 19h30.

Leia mais sobre os autores e seus romances

feticheFetiche
Autora: Carina Luft
Protagonista: Delegado Weber
Ano: 2010
Número de Páginas: 160
Editora: Dublinense
Sinopse: Elas eram lindas e tinhas pés delicados. Verdadeiramente tentadores, para alguns. Quando jovens aspirantes a modelo começam a aparecer mortas e seus pés, arrancados dos corpos, desaparecem, não resta mais dúvida de que não se trata de um assassino comum. Não faltam suspeitos. Ao menos três pessoas parecem ter o perfil e os meios. E a responsabilidade por encontrar o culpado recai sobre o delegado Weber e o jovem comissário Nestor. Entre trapaças e mentiras, a trama leva o leitor para um mistério cheio de suspense, envolto em segredos e conduzido por um louco fetiche.
Fatos: Carina Luft nasceu em Montenegro, em 1971. Ingressou na oficina literária de Charles Kiefer em 2003, e participou do curso A construção do romance, com Luiz Antonio de Assis Brasil. Integrou as antologias de contos 101 que contam, 103 que contam, Porque hoje é sábado e 104 que contam. Ficou em primeiro lugar na categoria conto do I Prêmio AMES/Jornal Ibiá de Literatura, em 2005. Formada em secretariado executivo bilingue e pós-graduada em Administração e estratégia empresarial, foi colunista do jornal O Progresso, em Montenegro, e participa do programa Pauta Livre da TV Cultura de Montenegro.

UnhasUnhas
Autor: Paulo Wainberg
Ano: 2010
Número de Páginas: 256
Editora: Leya
Sinopse: Ele era contador, tinha uma vida tranquila de classe média, esposa e filhos, um escritório com secretária e uma rotina sem transtornos. Porém, ao deparar-se com um desconhecido na recepção de um hotel, descobriu sua verdadeira vocação: ser um exterminador de paixões proibidas. Esta revelação mudou a vida deste homem até então tão tranquilo. Os mandantes do crime são pessoas aparentemente normais, porém, almas atormentadas por uma paixão impossível. Há, por exemplo, o professor e pai de família que apaixona-se por sua aluna e larga todos para viver esse amor. Mas a jovem logo fica entediada e o abandona. Ele não suporta a perda e decide matá-la. Em um clima de suspense, que perpassa todas as páginas do livro, o escritor Paulo Wainberg, prende a atenção do leitor ao mergulhar na mente de um psicopata e não poupar detalhes, mesmo os mais cruéis.
Fatos: Paulo Wainberg nasceu em 1944, em Porto Alegre, RS, e é Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Começou a escrever depois de perceber que conseguia enxergar como se houvesse desenhos em sua cabeça tudo que Monteiro Lobato escrevia.

ceudeagostoSob o Céu de Agosto
Autor: Gustavo Machado
Ano: 2010
Número de Páginas: 168
Editora: Dublinense
Sinopse: A vida de Otto, pintor sem perspectivas, tem as mesmas cores do céu azul acinzentado dos dias de inverno. Quando a reserva de dinheiro acaba, ele pede um emprego para o amigo de infância, que trabalha para o governo. É essa reviravolta, atuando como instrutor de pintura no Centro Popular de Cultura, que fará com que ele conheça e se envolva com Sophia, uma de suas alunas, casada com um homem perigoso. Confuso, ele é arrastado para essa relação conturbada, sem saber se conseguirá (ou mesmo se quer) salvar Sophia. No mesmo prédio em que mora, outra tentação ronda seu apartamento: a vizinha adolescente Berta, que entre bolos de chocolate e café, também atua como confidente de Otto. Sob o Céu de Agosto é ambientado numa espécie de cidade fictícia, onde os personagens vivem sob o olhar sempre atento de um tipo de ditadura de esquerda. O texto de Gustavo Machado é preciso e narra, com muita propriedade, este enredo policial. A presença de sexo, sangue e mistério, porém, torna-se secundária na trama que levanta, de forma indireta e despretensiosa, algumas das mais recorrentes questões do humanismo.
Fatos: Gustavo Machado é jornalista. Nasceu em Porto Alegre, em 1970. Sob o Céu de Agosto é seu livro de estreia.

Outras dicas de romances policiais em: www.romancespoliciais.com.br

 


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