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Profissão: contadora de histórias Imprimir
Escrito por Gisele Perna   
Sábado, 06 de Novembro de 2010 - 20:45

sirleyA primeira vista uma senhorinha querida. Para nos dar a entrevista fez questão de colocar sua indumentária: um longo manto africano. Com o seu celular tocando a todo o momento, Dona Sirley Amaro mostra que, além de simpática, é uma pessoa muito ocupada e tem muita a gente a sua volta.

A inquieta senhora é natural de Pelotas, onde vive até hoje. Com seus 74 anos, ganha a vida como contadora de histórias para o público de várias idades.

Integrante do Grupo experimental do Ponto de Cultura Chibarro, organizado pela Universidade Federal de Pelotas, Dona Sirley é o que eles chamam de Griô, que em africano significa mestre. Este projeto se propõe a valorizar os velhos e suas sábias histórias, objetivando a tradição da oralidade e a sabedoria dos mais antigos.

Dona Sirley integrou o programa junto com um grupo de outros senhores. Sua atividade é contar para os jovens, como era a arte de flertar, numa década onde os preconceitos eram latentes socialmente. A pelotense conta que para namorar, mesmo às escondidas, eles saiam para dançar, sempre ao som de Xavier Rubert, moda na época, além de assistir os filmes de Libertad Lamarca.

Apaixonada por cantar, quando entrou nesse programa de contadores de histórias, Dona Sirley resolveu unir sua paixão pela música com suas histórias. Vestida à caráter, ela sempre inicia a contação de histórias com um belo sorriso, o que faz com que o público já comece a prestar atenção.

Porém, sua paixão mesmo sempre foi o carnaval. Desde criança tinha como referência a artista portuguesa Carmem Miranda. Suas roupas de baiana estilizadas e os grandes adereços por ela usados faziam o gosto de Dona Sirley. A partir daí integrar uma escola de carnaval da cidade de Pelotas, a General Osório, foi o primeiro passo para honrar a paixão. "Na minha época o carnaval era diferente, não tinha grandes produções e nem tanto dinheiro, era tudo feito no amor". Sirley fala que antes da data do carnaval, muitas pessoas se comprometiam com as roupas, adereços e os carros. Era, sobretudo, uma produção feita pelo amor ao carnaval, pois não recebiam nenhum recurso para exercer tais tarefas.

Convidada para contar suas histórias durante a Feira do Livro, Sirley fala com muita emoção da sua profissão: "Hoje eu integro a categoria de Contadora de Histórias" que só passou a existir a partir do documento regido pelo Ministério Publico, no ano de 2007, e pela Teia Nacional, órgão que classifica, artesãos e outros tipos de profissionais liberais. A classe que hoje ganha a vida contando suas experiências é a responsável por valorizar a tradição oral de nosso país.

A contadora de histórias iniciou o espetáculo na Tenda de Parságada, com seu manto estampado de tigre narrando como o carnaval entrou para a sua históra. Ao mesclar fatos de sua vida com fatos históricos, Sirley narra e troca de roupas até finalizar com seu vestido de baiana, traje que usa até hoje na ala que integra na escola de carnaval pelotense, a General Osório.

A 'Contação de histórias de carnaval' é um espetáculo que mexe com o lúdico e o emotivo. O que cativa a atenção é o sorriso, a vivacidade e entusiasmo de Dona Sirley. Com tais atributos, é quase impossível não ficar atento aos seus contos.

 


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