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O cinema e as metáforas da paz: tendências e significações Imprimir
Escrito por Gisele Perna   
Segunda, 08 de Novembro de 2010 - 14:56

cinema-metaforasNeste domingo à tarde, na Feira do Livro, na sala dos Jacarandás, no Memorial do Rio Grande do Sul, um encontro reuniu especialistas para falar sobre as tendências do cinema, em especial, as de cunho mercadológico e  que retratam temas relacionados à violência. Sob o comando de Izabel Bellini Zielinsky, participaram da mesa de debates: Maria Carpi, Roger Lerina, Adriana Androvandie Juarez Guedes Cruz.

Com uma projeção de imagens fortes de guerras, miséria, fome, atentados e nazismo, teve início o debate Segundo a jornalista, Izabel Bellini, a violência é algo que permeai o ser humano. As metáforas, palavras ou ações que usadas como figuras de linguagem, visam representar através da comparação de dois termos, um sentido que designe tais elementos ou ações. Ou seja, Shakespeare, ao dizer que seu personagem Hamlet irá "pegar armas contra o mar das diversidades", ele se refere que Hamlet irá, na verdade, lutar contra as diversidades existentes em sua vida. Sendo assim, metáforas da paz no cinema, significa dar sentido à paz, evocando-a através das metáforas do espetáculo cinematográfico.

A fala da jornalista do Correio do Povo, Adriana Androvandi, inicou com uma citação do cineasta alemão, Wim Wenders. Para Wenders, a paz, infelizmente não tem o mesmo apelo comercial do que a violência. Porém, esse olhar sobre a paz é uma questão de se doutrinar. Segundo Adriana, existem dois tipos de cinema: o Comercial e os que circulam dentro do circuito alternativo. Os filmes de caráter comercial, com fortes apelos violentos, estão predispostos à violência, já, os que retratam a paz estão predispostos à paz.

Sob essa lógica, Adriana mostrou um trecho do filme, "Em Segredo", da jovem cineasta de origem bósnia, Jamila Zbanic, ganhadora do Urso de Ouro de 2006. Seu filme narra, través das metáforas que permeiam as vidas de duas mulheres vitimas de abuso sexual, durante a Guerra da Bósnia, nos anos de 1992 a 1995. Sem mostrar nenhuma cena violenta, Jamila fala sobre o quanto os sentimentos pós-guerra podem ocasionar traumas irreversíveis nas pessoas que as vivenciaram. "Em Segredo" é uma forte história de superação, traumas e sobra a necessidade de recomeçar.

O contraponto da mesa veio com o jornalista Roger Lerina, da Zero Hora. Discordando da idéia de que filmes violentos fazem apologia à natureza violenta do homem, Lerina comentou que a paz só existe enquanto conceito, em virtude da existência da violência. Focando a necessidade de que uma só existe em função da outra, Lerina ainda nos dá um panorama da função do cinema na sociedade.

A mesa sobre cinema e metáforas da paz, continuou com as falas do psicanalista, Juarez Guedes Cruz e da poetiza, Maria Carpi. Ambos salientaram o poder de abrangência que uma guerra possui. A polarização de um sentimento traumático acaba por interferir na vida pessoal, e de certa forma na economia de um país onde os confrontos bélicos estão presentes.

Juarez diz que deve haver uma tentativa de superar tais traumas. A solução está em sempre aceitar os problemas de frente e expressar-se para haver uma espécie de exorcismo dos traumas vividos.

Conclui-se que o cinema, a arte do movimento e do espetáculo, vive uma transcendência de significados. Os cineastas constroem significados através das imagens, transcendendo entre a idéia de bem e mal, ou paz e violência.

As duas tendências do cinema: pacifista e violenta existem e atuam dentro da sociedade. A violência é retratada para chocar; já a paz surge para mostrar que existe uma solução.

 


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