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O conservadorismo da Saga Crepúsculo Imprimir
Escrito por Carlos Macedo   
Segunda, 08 de Novembro de 2010 - 16:18

crepusculoO 13º Ciclo da Revista da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre realizou no último domingo (7), durante a 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, a mesa redonda "A saga dos vampiros, balada de uma geração?". Debateram durante a atividade, que aconteceu às 16h30min, na Sala O Retrato do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, Laura Cánepa - professora de cinema radicada em São Paulo - doutora em multimeios, especialista em filmes de horror -, Pedro Gonzaga - tradutor e escritor - e Marli Bergel – psicanalista. O debate foi coordenado pela psicanalista Tula Bisol Brum.

Para quem pensa que o encontro teve como maioria de público presente os adolescentes e aficionados pelos livros e filmes da Saga Crepúsculo, se enganou. Os mais interessados foram professores, profissionais da psicologia e psicanálise, pais e até avós. Os poucos adolescentes que apareceram durante a atividade deixaram seus ídolos e principais personagens da trama - Edward e Bella – sem direito de resposta. Isso porque uma das principais conclusões dos debatedores é de que a série Crepúsculo, que já vendeu milhões de livros e levou milhões de espectadores para os cinemas, não passa de "uma história de amor fantástica" e "conservadora". Para a professora de cinema, Laura Cánepa, Crepúsculo, além de não ser uma "história de horror", é ruim comparada aos filmes de Harry Potter. "O que me irrita na saga é que a vida parece ser muito boa. Além disso há uma visão muito positiva do vampiro", opina. Cánepa também acredita que, se toda a fama construída com os livros e os filmes é a balada de uma geração, então esta geração "é muito reprimida". Para ela, a autora Stephenie Meyer prega uma "postura casta dos adolescentes".

Castidade que o professor de literatura Pedro Gonzaga acredita ser influência da origem Mórmom de Meyer. Segundo ele, toda a sublevação sessentista e pós 1968 exercida e buscada por muitos dos pais dos hoje fãs de Crepúsculo não acontece no enredo da saga, que seria "não revolucionária, mas conservadora". Comparando a saga ao mesmo processo de criação de High School Music, Gonzaga acredita que ambas as produções causam o "enfraquecimento da fantasia". "Convido os fãs de Crepúsculo a a subirem no patamar literário e lerem Drácula", diz.

Com a análise que também leva para o conservadorismo a psicanalista Marli Bergel explicou porque os livros e filmes com a história de amor jovem fazem tanto sucesso entre os adolescentes, principalmente com as meninas. Bergel diz que todo o processo de transformação adolescente é mitificado em Crepúsculo. "As transformações corporais, a separação dos pais, a maior concorrência grupal, a aproximação amorosa e sexual, a fantasia da imortalidade, os riscos do amor", são alguns exemplos citados por ela.

A mensagem que fica para aqueles que não entendem o por que de tanto fervor é a de que a Saga Crepúsculo nada mais é do que a velho história da princesa e do príncipe encantado que se casam, "castos", tem uma filha e vivem felizes para sempre na eternidade do seu amor.

Quem gostou foi Ana Rosa, 71, que esteve no debate para entender o motivo de tanta paixão da neta por Edward e a Saga Crepúsculo.

 


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