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"Só é vítima quem quer" Imprimir
Escrito por Carlos Macedo   
Segunda, 08 de Novembro de 2010 - 17:13

cadeiranteNa tarde de domingo (7) um calor escaldante incidia sobre a Praça de Autógrafos da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre. Às 15h30, durantes as sessões de autógrafos, o sol beijava apenas uma das mesas reservadas: a da escritora, diretora, publicitária, blogueira e cadeirante Juliana Carvalho. Mas os sol não incomodou a jovem de 29 anos, cadeirante desde os 19. Ao contrário, iluminou os autógrafos da autobiografia de Juliana, o livro 'Na minha cadeira ou na tua?', que conta o antes e o depois da lesão medular que a deixou tetraplégica.

A vida de Juliana seria uma tragédia? Não. Mas sim "uma mistura de tragédia e comédia que caracterizam a sua – e a nossa – complexa condição humana". "Eu sempre fui uma pessoa otimista", friza.

A escritora contesta a "banalização da dor", a qual ela sentiu em diversos momentos, desde a descoberta de uma inflamação na medula que subitamente a colocou numa cadeira de rodas. No entanto, sempre vaidosa e bem humorada não deixou de viver. "Pô, tu não está sozinho no mundo. Ninguém leva vida fácil", declara.

Na autobiografia, escrita para todos, "andantes" ou cadeirantes Juliana utiliza muito bem uma narrativa que conta fatos enquanto cadeirante, seguidos e intercalados de acontecimentos da infância, adolescência e juventude, antes da lesão. Num instante ela está numa piscina de plástico, em casa, nadando com os irmãos. Noutro numa cama de UTI.

A mensagem é para os cadeirantes que ainda não superaram sua dor, e para os "andantes", que mesmo com os pés no chão ainda reclamam que sua vida não anda. Juliana prova que a vida continua, independente das dificuldades. "Só é vitima quem quer", faz questão de destacar.

DSC_0052Leia dois momentos contados por Juliana. Num deles ela brinca de pega-pega, em outro sai de cadeira de rodas para assistir um jogo de basquete de cadeirantes.

Arroio do Sal, 12 de fevereiro de 1988.
Vou brincar com meus irmãos, de pega-pega. Corro pra caramba. Está na minha vez de catar alguém. O ferrolho ou pique, local onde as crianças não podem ser pegas, é uma mureta que fica na varanda de casa. O corre-corre e a gritaria estorvam os adultos, mas eles são bonzinhos e pacientes.

Brasília, 18 de novembro de 2005.
Fizemos uma atividade da vida prática: dez cadeirantes num micro-ônibus com elevador para subir as cadeiras (um tanto redundante), fomos assistir a um jogo do campeonato brasileiro de basquete em cadeira de rodas. Simplesmente muito a fudê. É incrível o que esses aleijados fazem na cadeira

Se você quer saber qual a sensação que Juliana teve ao ver o jogo, assista Murderball - Paixão e Glória, um documentário sensacional que conta a história de atletas que apresentam níveis diversos de quadriplegia e jogam quad rugby (As cadeiras de rodas são customizadas e reforçadas para aguentar o tranco: o objetivo do jogo é marcar pontos, mas, se não estiver com a bola, você deve impedir o adversário de alcançá-la.)

Veja o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=_kaT5dDiISw

Acompanhe os blogs da escritora

Comédias da Vida Aleijada - www.comediasdavidaaleijada.blogspot.com
Sem Barreiras: http://wp.clicrbs.com.br/sembarreiras/?topo=77,1,1

 


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