O nerd power gaúcho Imprimir
Escrito por Raphael Oliveira   
Segunda, 15 de Novembro de 2010 - 09:08
nerds
Fãs foram em busca de autógrafos do autor Eduardo Spohr. Foto de Raphael Oliveira

Vindo de lugares diferentes, com estilos diferentes, mas todos com o mesmo propósito, os nerds se reuniram, nessa sexta feira, dia 12 de novembro, no Teatro Sancho Pança, na Feira do Livro para debater sobre os "Rumos da literatura de entretenimento e fantasia no Brasil".

O bate-papo contou com a participação dos escritores cariocas Eduardo Spohr, autor da obra 'A Batalha do Apocalipse', Raphael Draccon, autor de Dragões do Éter e o gaúcho Leonel Caldela, autor do primeiro romance ambientado no cenário de RPG Tormenta – A Trilogia da Tormenta..

Meia hora antes de o encontro começar, a fila já era grande. Blogueiros, aspirantes·a escritores, curioso e, claro, os nerds, estavam lá para aguardar o tão esperado momento,·onde dragões, anjos renegados e guerreiros medievais tomariam a forma dos seus·autores. A conversa foi rápida, por cerca de uma hora e meia, pois, logo após, os livros seriam autografados. "O que diferencia uma obra de sucesso são as suas conexões", afirmou Leonel Caldela. Ele também ressaltou que o poder da literatura fantasiosa é, apesar de conter elementos místicos, fazer com que o leitor crie conexões entre o livro e sua vida, pois as grandes histórias são sobre experiências humanas.

Literatura infantil e adulta

"O 'preconceito' ainda existe na classificação dos livros. Para alguns, livro de fantasia é coisa de criança. E como podem ver, não tem nenhuma criança aqui hoje...", comentou um integrante da platéia, que chamou a atenção lembrando que o local onde ocorria o evento, era justamente no setor infanto-juvenil da Feira.

Sim, o preconceito existe e para os autores. Mesmo que não interfira tanto, atrapalha de algum modo. De acordo com o escritor Raphael Draccon, isso vem de antigamente, quando o jovem não lia tanto quanto hoje e nem tinha outros meios de acesso à literatura além do papel. "A internet causou uma revolução cultural", comentou o escritor. O papo continuou descontraído com ideias para as obras dos autores, experiências e histórias, além de dicas para futuros escritores. "Ninguém pode fazer o livro por você", disse Eduardo Spohr. "As pessoas devem escrever sobre o que elas conhecem. O que deve ter no roteiro é a alma do escritor", enfatizou Leonel Caldela.

Outro problema enfrentado por quem escreve fantasia é a mídia, destacaram os autores, pois o escritor raras vezes tem espaço na mídia convencional. "O dia em que meu livro foi para a Zero Hora, morreu o Saramago", conta Leonel. "Acho que tinha pauta mais importante que o meu livro naquele dia", brincou ele. "Se vai sair na imprensa, beleza. Mas é o público quem faz o leitor", destacou Eduardo, que, em seguida, partiu para os agradecimentos aos presentes.

"Nerd power!", gritou Leonel, ao encerrar o momento tão aguardado por algumas pessoas e que deixaria, além de uma vontade enorme do encontro continuar, a esperança de que a literatura fantasiosa alcance um público cada vez maior e consiga se despir do preconceito de ser classificada como literatura infantil. Além da alegria do encontro com fãs satisfação do público ao sair do encontro com os livros autografados.

 


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