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Escrito por Maria Mercedes Bendati   
Segunda, 15 de Novembro de 2010 - 10:05

56-feiraNeste domingo à tarde, no meio do feriadão, os caminhos que levam à Feira do Livro estavam cheios de gente. No labirinto das bancas, havia um pouco de tudo: jovens, casais, pais com filhos, idosos, todos à busca da melhor oferta ou daquele livro mais desejado. E outros, talvez a maioria, simplesmente flanando no melhor estilo porto-alegrense – no meio do agito cultural, vendo  e sendo visto. Alguns carregavam suas sacolas com chimarrão, outros comiam picolé e dividiam sorvetes com as crianças (porque os pequenos sempre acham que além do alimento das palavras, nada impede que haja pipocas e sorvete para complementar o passeio).

E sim, claro que havia movimento próprio para as crianças, pois no meio da tarde, ninguém menos que Ziraldo estava na sessão de autógrafos. E, não sei se de forma espontânea ou combinada, surgiu de repente um grito ritmado de “eu vim aqui só pra te ver!” na fila de autógrafos. O lançamento do escritor, na verdade dois livros, traz, em quadrinhos, a história dos times de coração dos gaúchos, portanto, perfeitamente adequado para agradar gregos e troianos, isto é, colorados e gremistas.

Um certo sufocamento me fez buscar caminhos menos conturbados e sem ironia nenhuma, terminei indo direto à banca do Senado Federal. No espaço amplo, entre volumes graúdos com temas um tanto áridos, de história da matemática a compêndios de legislação aprovada pelos senadores na última década, deparei-me com um interessante material sobre as primeiras histórias em quadrinhos brasileiras. Em uma encadernação caprichada, os livros apresentam fac-símiles de edições antigas dessa primeiras publicações e o preço, subsidiado, pode render um bom presente.

E como o tema dos quadrinhos parece estar tomando conta deste texto, meus passos me levaram até o Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, na rua dos Andradas, onde está uma exposição sobre o tema, trazida pelo Instituto Goethe. O título original de “Comics, mangás & companhia” apresenta treze artistas alemães com diferentes estilos, técnicas e narrativas, que mostram a força dos quadrinhos renovada no Velho Mundo.

Com o olhar ainda preso aos últimos desenhos, saio para a rua e sinto aquilo que me define ainda hoje, o sabor da Feira do Livro: entre os jacarandás floridos, o estalo da pipoca quentinha. Estou na fila.

 


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