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Escritora protesta na Feira do Livro Imprimir
Escrito por Gisele Perna   
Segunda, 15 de Novembro de 2010 - 10:13
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Não foi registrada queixa contra Telma e a artista foi liberada. Clique na foto para ver o vídeo. Foto de Ricardo Duarte

A Feira do Livro foi palco de uma manifestação contra o sistema literário. Mesmo sem ter sido concluída, a encenação provocou tumulto dentro e fora da Feira do Livro, nesta sexta-feira, dia 12 de novembro.

O relógio marcava 18 horas, quando a poeta, escritora, filósofa Telma Scherer, iniciou uma manifestação em meio à Feira do Livro.Sentada, de pés descalços, e amarrada a uma casinha de cachorro, ela reivindicava melhorias para a classe dos escritores gaúchos ao criticar o sistema literário e a impossibilidade do escritor sobreviver apenas das publicações de seus livros.

Durante a manifestação, alguns expositores da Feira indignados chamaram a policia alegando que Telma, ao gritar de forma exaltada, estava perturbando o evento. Quando a policia chegou, a escritora se recusou a encerrar o seu manifesto e ressaltou a liberdade de expressão, direito garantido pelo atual sistema democrático em que vivemos. Mesmo assim, a Brigada Militar, acabou detendo a poeta, sob o som de protestos do público contra a atitude repressiva.

Segundo o vice-presidente da Feira, Osvaldo Santucci, Telma não foi presa. Ele disse não ter prestado queixa e tão pouco ter chamado a ação da Brigada contra a poeta.

Hoje, via Twitter, foi possível ler vários manifestos críticos contra a ação repressiva da Brigada Militar, bem como palavras solidárias enviadas à poeta Telma.

Em seu blog, http://telmascherer.blogspot.com/, a poeta comenta a ação da Brigada e diz que não se calará diante a estes atos. "Os policiais primeiro me levaram para fora da Praça, longe das luzes da Feira, acompanhada pelos brigadianos e duas motos, na presença de um grande público, amigos e leitores". E ainda ressalta: "Eu chorava copiosamente pensando que, diante do público da Feira, eu era tratada como uma doente mental, bandida, criminosa, perturbadora da paz. E sem entender o que estava acontecendo, o que fiz de culpável".

Tendo como subtítulo 'Contas', a escritora relata em seu blog a necessidade de sair de seu apartamento usado para morar e como local de trabalho, por não conseguir pagar o aluguel, atrasado em três meses. Com um romance em fase de revisão e um curta em processo de finalização, Telma manifesta sua tristeza ao afirmar que fez "uma mudança às pressas, na dose da necessidade". E conclui: "Foi tudo rápido e torturante, na premência e na tristeza".

Também em seu blog, a escritora ela escreveu, no dia anterior à ação, como se daria o processo de encenação. Com a performance "Não alimente o escritor", a intenção era criticar o sistema literário e solicitar a criação de mecanismos que favorecessem os escritores. Ela queria mostrar ao público "uma crítica à visão reducionista da literatura, que transforma leitores em consumidores padronizados e valoriza apenas a compra e venda de produtos (os livros) sem abordar a questão central: seus conteúdos, a pressão que sobre estes exerce o sistema literário e a invisibilidade do processo criativo".

Telma Scherer, não é uma novata no ramo da literatura. Mestra em Literatura Comparada pela Ufrgs, já publicou duas obras com poesias: Desconjunto (2002) e Rumor da Casa (2007). "Faço performances e acredito que a boa poesia pode ser escrita enquanto inscrita no corpo", destaca a autora em seu perfil inscrito no seu blog.

No sábado, dia 13, no twitter da poeta, ela comenta que irá novamente para a Feira do Livro, agora para criticar a ação que a fez calar. A performance, que recebe o nome de "Não prendam o escritor", vai contar também com participação daqueles que, como ela, ficaram chocados com a truculenta ação da Brigada Militar.

 


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