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Escrito por Gisele Perna   
Terça, 16 de Novembro de 2010 - 13:58

repensar-rsNo último dia de Feira do Livro, alguns eventos importantes aconteceram. Em especial, a uma mesa de debates, na Sala dos Jacarandás, no Memorial do Rio Grande do Sul. Com o tema 'Pensando o RS dentro de um projeto para o Brasil' palestraram e discutiram com o público presente, Enéas Souza, economista da FEE, Maria Helena Bernardes, artista plástica, Mercedes Maria Canepa, professora e escritora e o professor, Luis Antonio Timm, mediador.

O projeto 'Pensando o RS dentro de um projeto para o Brasil' acontece há três anos, durante o período da Feira do Livro. Segundo Luis Antonio Timm, o espaço para o debate é muito importante para que não haja somente a divulgação do hábito de leitura, mas também para que se pense nas possibilidades e dimensões que abrangem os aspectos das políticas culturais de incentivo.

Ao abrir a mesa, o economista Enéas de Souza, explicou, de um modo geral, a situação econômica do país e a sua inserção dentro da economia mundial. "Estamos passando por um momento de crise mundial, onde o foco econômico, que durante muito tempo esteve direcionado para a hegemonia dominante dos Estados Unidos, hoje passa para um outro pólo, que é a China". E completa: "Estamos passando por uma fase de estabilidade em relação à nossa posição na economia mundial, que há muito tempo não vemos".

Enéas também comentou que para compreender as peculiaridades de nosso Estado, temos que entender que o Rio Grande do Sul, não faz parte de uma economia solitária e, sim, de uma cadeia econômica que integra todo o país.

Economia

Algumas questões foram levantadas por Enéas, incluindo a forma de atuação do Brasil nesta crise capitalista, de maneira a não ser abalado. Para Enéas a atuação do governo em relação ao Pré-sal, que visa à solidez de nossa economia, através dos recursos extraídos do petróleo e das ações da Petrobras, é essencial para que haja um movimento econômico, não só de exportação, mas também de criação de outras indústrias que atuem conjuntamente.

Enéas também destacou: "Estamos em um momento de crise capitalista. A grande vantagem é que a história do capitalismo é cíclica; feita de altos e baixos, porém estamos nessa crise em um período de longa duração, que nos impede de buscar soluções", e completa: "O Pré-sal, tem a possibilidade de permitir que o Brasil exporte petróleo, mas também de fazer com que haja um desenvolvimento das economias estatais, ou seja, que as indústrias estatais utilizem a Petrobras como um núcleo de ação, para desenvolver uma economia paralela a economia do Brasil".

Uma das ações vinculadas a esta idéia de uma economia calcada no petróleo, aqui no Estado, é o Porto de Rio Grande. Enéas comentou que o nosso maior Porto já serve de pólo industrial, pois há uma serie de indústrias que se desenvolvem a partir dessas atividades de exportação dentro do nosso país. A indústria gaúcha, especialmente os segmentos da mecânica, engenharia de motores e eletroeletrônicos, são beneficiadas com a exploração do pré-sal.

Enéas concluiu que os recursos do Pré-sal podem ser revertidos em fundos. Fundos estes, que podem ser empregados em programas sociais voltados à saúde, habitação e educação.

Cultura

Quando o debate passou para as questões culturais e o Estado, a artista plástica, Maria Helena Bernardes e a escritora Mercedes Canepa falaram sobre as políticas públicas de incentivo a cultura. Entre algumas criticas administrativas, Maria Helena, que integra a Associação Cultural de Artistas (Arena), enfatizou que o Rio Grande do Sul precisa se fortalecer como 'pólo do pensamento artístico'.

Uma das criticas ressaltadas pelas participantes foram as Parcerias Público-Privado (PPP) de instituições, em organizações de eventos culturais, que visam a cultura unicamente como máquina rentável.

Um outro ponto levantado por elas, foi que o Estado poderia se espelhar em programas em nível Federal. "Esses projetos culturais aplicados aqui no Estado, podem fazer com que, os incentivos aconteçam com maior freqüência e fomentem o Rio Grande do Sul como um pólo produtor de cultura", disse Maria Helena.

Dentre os projetos, a artista plástica destacou a distribuição de recursos para editais e a participação dos agentes culturais, que para ela são imprescindíveis para a escolha das pautas na área da cultura. Os fundos de cultura que temos, como o Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre (Fumproarte), também, são de grande valia. Porém, a estratégia mais defendida por Maria Helena foi a criação dos Pontos de Cultura. Para ela, o Estado não deve questionar, nem tão pouco fragmentar a cultura como popular ou erudita, porém deve propor auxilio para promovê-la. Os Pontos de Cultura são alternativas para incentivar manifestações culturais dentro de comunidades que, muitas vezes, são excluídas.

A apresentação terminou com questionamentos e comentários da platéia, sobre os temas abordados pelos palestrantes. Ressaltou-se a necessidade de maior envolvimento em políticas culturais, aqui no Estado através de uma interação com as plataformas lançadas pelo Governo Federal, em relação aos processos de produção e consumo de bens culturais.

A falta de incentivo por parte de nosso atual Governo Estadual, fez parte do debate. Em especial, a idéia de retomada do Estado como fonte de cultura, bem como a inclusão de todos os seguimentos e classes sociais, através de programas especiais. Com o intuito de estimular indivíduos produtivos dentro da sociedade, destacou-se a necessidade de promover e valorizar a formação intelectual, partindo de um favorecimento e atenção especial para com o ensino.

 


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