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A luta de Shirin Ebadi pelos direitos humanos Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quinta, 16 de Junho de 2011 - 17:07

nobel-da-paz-Shirin-EbadiEm sua segunda conferência, o Fronteiras do Pensamento 2011 trouxe a iraniana ativista dos direitos humanos e ganhadora do premio Nobel da Paz, Shirin Ebadi. O encontro ocorreu nesta segunda-feira (13/06), no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre.

Além da conferência, a iraniana veio ao país para conversar com a presidente Dilma Rousseff e relatar aos brasileiros a realidade em que se encontra o povo do Irã. Por conflito de horários, o encontro com a Dilma não foi possível, mas Shirin Ebadi teve a oportunidade de falar aos gaúchos sobre os horrores que o povo iraniano enfrenta. Mesmo não tendo conversado com a presidente, Ebadi disse estar feliz por ter encontrado a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que esteve presente ao evento.

Ebadi dedicou a sua conferência a citar alguns dos muitos problemas que o povo do Irã enfrenta. Ela salientou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em um país, onde a Constituição garante ao homem maior valor do que à mulher. E trouxe um exemplo. Se uma mulher morre em um acidente de trabalho, a indenização à família da vítima é equivalente à 50% do que seria pago pela morte de um homem. "O valor da vida da mulher vale a metade do que vale a vida de um homem" explica a Shirin Ebadi.

Engana-se quem pensa que as mulheres são as únicas que sofrem de discriminação. No Irã a religião predominante é o Islamismo e há aceitação de outras religiões, como o cristianismo, porém, todos os praticantes de outras religiões sofrem com o preconceito por parte do Estado. Quando ocorrem crimes, por exemplo, as já pesadas penas, que vão desde chibatadas a apedrejamento, pioram caso o criminoso não seja praticante do islamismo.

Segundo a ativista dos direitos humanos, pior ainda é a situação daqueles que não possuem religiões ou praticam outras doutrinas que não são nem aceitas no país. Estes não são aceitos como cidadãos pelo Estado, portanto não podem obter direitos básicos como os de estudar ou trabalhar. "A discriminação de acordo com a religião é muito maior do que estou falando para vocês agora", relatou Ebadi para a platéia do evento.

A principal luta da ativista é contra a forma ditatorial que o Estado do Irã lida com o seu povo. Shirin Ebadi não suporta ver os iranianos arrasados por um governo que pratica atos bárbaros como execuções. Segundo ela, em 2010 mais de 300 pessoas foram executadas no país.

Para defender seus atos, Ebadi relatou que o Estado iraniano afirma apoiar suas leis na religião islâmica, porém, ela acredita que o que ocorre no país é uma interpretação equivocada das leis sagradas da religião. "O governo do Irã diz que suas leis são baseadas no Islã, mas isso não é verdade, pois essa é apenas uma interpretação". Para defender suas teorias, a iraniana usou o exemplo de outros países, como na Indonésia, que baseiam suas leis no islamismo, mas não age de forma bruta como o Irã.

Mesmo com todos os problemas apresentados pelo país, Shirin Ebadi mostrou-se confiante em relação ao futuro. "Os nossos problemas no Irã são numerosos, mas a vontade do povo de conquistar a democracia é maior", e completou: "O dia em que conquistaremos a democracia não está longe, está em um futuro próximo e nós seguimos aguardando a sua chegada".

 


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