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Os avanços da medicina neurológica, com Miguel Nicolelis Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quinta, 30 de Junho de 2011 - 16:04

nicolelis-02Porto Alegre recebeu, na noite de segunda-feira (27/06), o médico e cientista brasileiro, Miguel Nicolelis, para o Fronteiras da Educação. O evento ocorreu no Salão de Atos da UFRGS e contou com a presença de professores e alunos de diversas instituições de ensino.

Segundo a revista Scientific American, Nicolelis está entre os 20 maiores cientistas da atualidade. Ele dedica a sua vida ao estudo da neurociência, em busca da reabilitação de pacientes que sofreram algum tipo de paralisia corporal. E foi para divulgar o seu trabalho que o neurocientista veio à capital dos gaúchos apresentar os avanços da medicina neurológica, bem como os efeitos positivos quando aplicados nas pessoas que sofreram qualquer perda de capacidade motora.

Um dos avanços apresentados pelo cientista está na forma de estudar as atividades neurais. Antigamente, segundo Nicolelis, planejava-se entender o comportamento dos neurônios através do estudo de um único exemplar. Esse processo trouxe muitos avanços para a medicina, entretanto, tornava inviável mapear grandes áreas do cérebro, pois nele há incalculáveis neurônios.

A chave para solucionar este problema partiu do neuropsicologista Donald Hebby. Ele revolucionou a neurociência ao propor que se estudem grupos de milhares de neurônios. Nascia assim a teoria das populações neurais, que buscava, através do estudo de populações de neurônios, de forma simultânea, entender como o cérebro gera comportamentos e funções. Quanto maior o número de neurônios estudados, maior também é a capacidade dos cientistas entenderem como se processam as atividades cerebrais. "Hoje nós estamos chegando à marca de mil neurônios analisados simultaneamente. Esta marca nos só esperávamos atingir uma década a frente", explicou Nicolelis.

Esta teoria resultou em grandes avanços para neurociência. E para ilustrar esses resultados o conferencista explicou que já é possível fazer com que artefatos robóticos possam ser movidos com a força do pensamento. Através de vestes robóticas, o paciente poderia recuperar os movimentos e até mesmo as sensações de partes paralisadas do corpo.

"Os pacientes poderiam imaginar os movimentos e, através de uma veste robótica, responder aos impulsos e reproduzir o movimento no corpo", explica Nicolelis, e complementa: "essa peça robótica seria um novo corpo desses pacientes, e poderia ser não só conduzida ao movimento pelo seu próprio cérebro, mas assimilada por ele como sendo a nova moradia daquelas sensações".

Outro aspecto de que isso é possível, segundo o palestrante, é que o cérebro consegue assimilar facilmente as ferramentas utlizadas para melhorar a capacidade física de seu usuário. "Para o cérebro, todas as ferramentas usadas pelo nosso corpo se tornam, através da atividade neural, uma extensão do corpo", comentou Nicolelis.

O neurocientista aproveitou a oportunidade para divulgar o seu livro "Muito Além do Nosso Eu", onde aborda diversas questões da neurociencia, como o estudo do assunto, avanços conquistados até aqui e o que se espera para o futuro da área. A obra, segundo o autor, enfatiza que "a nossa mente vai nos permitir ir muito além do nosso corpo, muito além do nosso eu".

 


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