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O otimismo e o pessimismo filosófico, por Luiz Felipe Pondé Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quinta, 14 de Julho de 2011 - 11:17

luiz-pondeA terceira conferência do Fronteiras do Pensamento girou em torno de uma pergunta: "Seria o pessimismo mais inteligente?". A questão foi o tema abordado pelo filósofo e psicanalista brasileiro Luiz Felipe Pondé, que manteve atenta a plateia, nesta segunda-feira (11/07), no Salão de Atos da UFRGS.

Para explicar o tema, Pondé comentou que a maior parte dos intelectuais fala com pessimismo em relação à sociedade, ciência e política. Entretanto, ressaltou que ser pessimista é apenas um modo do ser humano vigiar as ações. "O pessimismo funciona como um controle de qualidade, uma avaliação de tudo que o ser humano faz", explicou o filósofo.

Essa vigia pessimista sobre temas tão importantes para a sociedade é essencial para que não haja ilusões com projetos políticos utópicos ou avanços tecnológicos contraditórios. O conferencista comentou que através da história foi comprovado que só otimismo não traz avanços; é preciso mais, é preciso duvidar e testar projetos para que tenham algum valor.

Mas nem sempre os intelectuais foram considerados pessimistas. Segundo Pondé, houve tempos na história em que os intelectuais se mostraram otimistas em relação à sociedade, como ocorreu na Grécia, quando filósofos como Platão e Aristóteles se mostravam otimistas, em contraponto a uma sociedade que vivia um pessimismo constante causado por sua religião trágica. Para diminuir a angústia causada pela religião, os filósofos gregos acreditavam na autonomia do ser humano e num desprendimento da religião, para dar esperanças ao povo.

O conferencista destacou também a importância do otimismo, pois sem ele "você não se move, não faz nada". É essencial ao ser humano que haja a esperança gerada pelo otimismo, que permite às pessoas terem objetivos em suas vidas. O otimismo é o que dá esperanças para o futuro. Ele permite à humanidade acreditar em melhorias, além de dar forças para que a luta necessária às conquistas prossiga.

Pondé ressaltou, também, que quando o otimismo não vem acompanhado do pessimismo, pode gerar uma sociedade ingênua, que se considera superior a tudo. "O ser humano demasiadamente otimista torna-se arrogante e super confiante, o que diminui sua vigília e aumenta a chance do fracasso", explica o filósofo. Para ele, o ideal é que haja um equilíbrio entre as duas formas de ver o mundo. É preciso otimismo para a humanidade andar para frente, seguir na luta por um mundo melhor, entretanto é preciso que o pessimismo se faça presente, para que a sociedade não se torne demasiadamente confiante e aprenda com seus erros.

O conferencista, além de filósofo, atua como professor em diversos cursos de pós-graduação, como na PUC-SP, Faculdade de Comunicação da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Colunista da Folha de São Paulo é autor de diversas obras como: O homem insuficiente, Crítica e profecia, Conhecimento na Desgraça e Ensaios de filosofia da religião.

 


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