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Os avanços na pesquisa das células tronco, por Lygia da Veiga Pereira Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quarta, 24 de Agosto de 2011 - 15:06

celulas-troncoO estudo das células tronco e os seus avanços científicos foram a pauta da quinta conferência do Fronteiras do Pensamento 2011, no Salão de Atos Da Ufrgs. Com o título de "Promessas e realidades da terapia celular", a geneticista mundialmente famosa, Lygia da Veiga Pereira, discorreu sobre o tema e comentou, na segunda-feira (22/08), sobre os avanços nas pesquisas realizadas neste campo, considerado tão polêmico.

Assim que subiu ao palco, a palestrante explicou que sua conferência não se tratava de uma simples conversa sobre o tema, mas sim de uma aula sobre células tronco. Ela explicou que, ao iniciarem as pesquisas, só se conhecia a capacidade de multiplicação e de transformação em sangue, usadas no tratamento de doenças como a leucemia.

Nos últimos anos, porém, descobriu-se que as células-tronco, até então retiradas apenas da medula óssea, possuem a capacidade de regenerarem tecidos e até mesmo órgãos do nosso corpo. Quando um órgão ou tecido necessita de cuidado ou está com problemas de funcionamento são enviadas células-tronco para tratá-los na tentativa de resolver o problema. "Nós temos em nosso corpo células tronco que podem ser recrutadas quando recebem um sinal de que um órgão está em sofrimento", explica a cientista. Ao serem recrutadas, essas células vão trabalhar na regeneração desse órgão.

A partir do conhecimento dessa capacidade regeneradora das células foi possível expandir os estudos sobre essa parte da genética. Lygia explicou que através desta descoberta abriram-se novas perspectivas no estudo das células tronco, a fim de não só estudar modos que busquem a melhora através da injeção das células tronco no paciente, mas também fazer com que a regeneração das células que já existem em nosso corpo possa ser potencializada.

A polêmica é gerada quando o assunto entra na forma de obtenção dos materiais para pesquisa. A cientista brasileira explicou que há dois tipos de células tronco usadas nas pesquisas: são as células tronco "adultas" e as células tronco embrionárias. A primeira citada é coletada de um ser humano em sua fase pós-gestação e pode ser encontrada em cordões umbilicais e medulas ósseas. A outra, mais polêmica, são as células tronco retiradas de embriões humanos.

A polêmica origina-se na questão: quando começa a vida? Se o óvulo já fecundado é considerado um ser humano, então é necessário destruí-lo para realizar essas pesquisas. Quanto a isso, a geneticista afirma que, no Brasil, os embriões utilizados para esse fim, são aqueles criados a partir da fertilização in vitro e que já estão há mais de três anos congelados; tempo este que seria dado aos pais para avaliarem se querem ou não utiliza-lo para dar origem a um feto, e posteriormente a um bebê.

A conferencista aproveitou também para explicar que esses avanços medicinais seguem apenas nas fases de pesquisa em laboratório. Os testes em seres humanos não foram iniciados, pois ainda é preciso entender melhor os riscos do transplante e que se busque a melhor forma de neutralizar possíveis danos ao nosso organismo. Para se realizar testes em humanos é preciso respeitar de três aspectos fundamentais: segurança, compatibilidade e ética e legislação. "É preciso que estes testes sejam feito de uma forma muito séria e muito controlada para que possua resultados positivos", explica a cientista.

Entretanto, algumas empresas nos Estados Unidos já conseguiram liberação do governo e estão realizando testes de segurança e compatibilidade em pacientes que sofreram lesões na medula espinhal.Os resultados ainda não foram divulgados, mas acredita-se que é só questão de tempo para que o mundo conheça as maravilhas que o uso das células tronco poderá trazer a humanidade.

 


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