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Mohsen Makhmalbaf apresenta a oitava conferência do Fronteiras do Pensamento 2011 Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Terça, 01 de Novembro de 2011 - 23:51

hiMohsenMakhmalbafO cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf apresentou, nesta segunda-feira (31/10) a conferência "Cinema e a Primavera Árabe". O cineasta narrou as dificuldades enfrentadas pelo povo do Irã sob o regime teocrático de Mahmoud Ahmadinejad. O evento faz parte do Fronteiras do Pensamento 2011 e foi realizado no Salão de Atos da Ufrgs.

Antes de começar a sua conferência, Makhmalbaf apresentou à platéia o curta metragem Green Days, dirido por sua filha, Hana Makhmalbaf. O filme mostra a violenta repressão policial das manifestações ocorridas no país. Cenas reais, filmadas nos celulares dos manifestantes revelam a violenta ação policial que tortura e mata os manifestantes. No Irã, muitos cineastas e documentaristas são presos e torturados por produzirem este tipo de filmagem.

Responsável por filmes que denunciam estes abusos de poder, o cineasta explica que as revoltas populares ocorrem no Irã por fatores como a desigualdade social, educação precária e o alto índice de desemprego. O povo iraniano, segundo Makhmalbaf, não aceita mais "um extremo de riqueza para um lado e um extremo de pobreza para o outro". Para ele, é preciso que haja uma aplicação do dinheiro gerado pelo petróleo extraído no território do país para investimentos na qualidade de vida da população. "O Oriente Médio em ponto de vista geográfico é rico, os problemas foram devido à política", explica o palestrante.

A internet foi essencial na motivação das revoltas no Oriente Médio, conhecida como Primavera Árabe. A ligação das pessoas pela rede fez com que a informação se torne mais abrangente e chegue a lugares onde antes não teria como alcançar. Além disso, Makhmalbaf comenta que a internet uniu a população: "sem partidos ou sindicatos todos eram indivíduos separados, a internet os uniu".

Sobre a ajuda internacional, como ocorreu nas revoltas da Líbia, o cineasta comentou que não quer intervenções violentas. Seu pedido foi para que enviassem recursos para amenizar o sofrimento da população e ajudá-los a tomar consciência da situação do país. "Em vez de bombas, joguem livros, em vez de colocar minas na terra, plantem arroz", pediu o palestrante e completou: "jogar bombas não vai trazer democracia a um país".

Polêmico, Makhmalbaf aproveitou a conferência para alfinetar os governos ocidentais. Para ele, o ocidente não se importa com as dificuldades enfrentadas pelos árabes desde que seus líderes continuem a vender petróleo por um pequeno preço. "Eles preferem um ditador no país para que vendam o petróleo barato e comprem produtos caros", afirmou o cineasta.

 


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