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Religião para descrentes, com Alain de Botton Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quarta, 23 de Novembro de 2011 - 10:20

alain"A importância da religião, em especial para ateus", foi o tema da palestra desta segunda-feira (21/11) do escritor suíço, Alain de Botton, que refletiu sobre as lições que as istituições religiosas podem oferecer aos diferentes segmentos sociais, principalmente aos que são destituídos de fé. O evento faz parte do Fronteiras do Pensamento 2011 e foi realizado no Salão de Atos da UFRGS.

Autor de diversos livros polêmicos, como 'Religião para Ateus', o mais recente, Botton apresentou temas muito comuns nas igrejas que poderiam ser usados em outras áreas da sociedade. E para explicar a sua teoria, o escritor usou o exemplo das instituições de ensino, onde as idéias são passadas apenas uma vez ao estudante e se espera que ele aprenda. Por outro lado, na religião são feitas repetições para que os fiéis aprendam os ensinamentos. "O sermão quer mudar sua vida, as aulas apenas informar", compara Botton.

Além disso, o palestrante comenta que é preciso mais objetividade na forma de passar as informações. Como exemplo, usou a arte dos museus, que é de difícil compreensão, enquanto a arte nas igrejas é simples e pode ser entendida por todos que a freqüentam. Botton comenta que a forma como os museus tratam a arte não corresponde com o seu objetivo. "A finalidade da arte é nos lembrar o que nos devemos amar ou temer", comenta.

Outro tema abordado é o fato de que atualmente se valoriza muito a individualidade das pessoas, enquanto a religião busca aproximar a comunidade. Mas não como as comunidades na internet, que unem desconhecidos. Botton defende que a religião aproxima vizinhos e moradores de uma mesma comunidade. "A igreja aproxima as pessoas dos vizinhos que se encontram diariamente, mas nunca conversam", explica o palestrante.

Botton, que é ateu, entretanto um crítico dos ateus radicais, afirma que é preciso reavaliar as descrenças de forma a não abandonar por completo as religiões, e sim deixar de seguir apenas as suas doutrinas e seguir aprendendo com aquilo que elas têm a oferecer. O palestrante afirma que é preciso criar um "ateísmo 2.0", onde mesmo aqueles que são descrentes percebam que se pode aprender muito com a vida religiosa. "As religiões são complicadas e úteis demais para que as deixemos apenas para as pessoas religiosas", encerrou o escritor

 


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