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Economista Amartya Sen abre Fronteiras do Pensamento 2012 Imprimir
Escrito por Renato Araújo   
Terça, 15 de Maio de 2012 - 17:42

Amartya-SenO Fronteiras do Pensamento, que desde 2006 traz a Porto Alegre grandes pensadores do cenário mundial, abriu a sua programação deste ano (25/04), com o economista indiano Amartya Sen, um dos idealizadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Condecorado em 1998 com o Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen é reitor do Trinity College, na Universidade de Cambridge, e ministra aulas de Economia e Filosofia na Universidade de Harvard, além de ser um dos fundadores do Instituto Mundial de Pesquisa em Economia do Desenvolvimento na Universidade da ONU.

Em sua conferência sobre Justiça, Esperança e Pobreza, o economista trouxe aos gaúchos a sua visão do desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento social; de forma que o primeiro possa impulsionar o segundo. Ao usar o Brasil como exemplo, Amartya deixou claro que o nosso país demorou para se encaixar neste processo e transformar o seu desenvolvimento econômico em social. "Foi só nas últimas décadas que o crescimento do Brasil se traduziu em desenvolvimento humano para a população". Entretanto, destacou que hoje o Brasil é um exemplo a ser seguido, tanto pelo seu país de origem, a Índia, quanto por outros países do BRICS.

No início deste ano, Amartya recebeu a Medalha Nacional de Humanidades do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ser "único em suas ideias sobre as causas da pobreza, da fome e da injustiça". Esta visão foi introduzida aos participantes da conferência com o exemplo do ativista dos Direitos Humanos, Martin Luther King, que dedicou sua vida no combate às injustiças contra os afro-americanos. E usou esse exemplo como uma luta local de influências globais, pois, para Amartya, não se pode restringir a justiça apenas ao nosso país de origem.

O economista defende o crescimento econômico, mas com ressalvas: "Quando falamos em crescimento econômico, precisamos falar de crescimento sustentável". Na sua visão, um crescimento econômico deve ser seguido de um investimento efetivo no desenvolvimento social, deixando claro que apenas a distribuição de renda não pode ser considerada um fator único para se definir a justiça social. Outro fator relevante destacado por Amartya é a privação das capacidades básicas dos cidadãos. Sendo assim, o verdadeiro desenvolvimento visa a liberdade efetiva do indivíduo.

Defensor tanto da visão de livre mercado de Adam Smith, como da visão Marxista de um Estado ativo, Amartya Sen afirma: "Você precisa de um Estado ativo junto a um mercado ativo", e esclarece que o papel do Estado, no que se refere a saúde e educação, deve ser o de utilizar as riquezas geradas para o desenvolvimento econômico na qualificação das necessidades básicas da população, evidenciando, assim, o conceito de raciocínio público, no qual o Estado deve pensar com clareza e dialogar com a população.

Em sua exposição, no Salão de Atos da UFRGS, que durou cerca de uma hora e meia, o economista Amartya Sen abriu espaço para um amplo debate sobre a luta contra a injustiça, e deixou explícito que apenas o aumento da renda de uma população não ameniza a pobreza, ela deve estar acompanhada de investimentos efetivos do Estado, em saúde e educação. "Sou um igualitário fundamentalista para a educação básica e o serviço de saúde básico", concluiu Amatya Sen.

 


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