banner multi
Capa Memória Coberturas Especiais Fronteiras do Pensamento Tzvetan Todorov é o sétimo conferencista do Fronteiras do Pensamento
Tzvetan Todorov é o sétimo conferencista do Fronteiras do Pensamento Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quarta, 05 de Setembro de 2012 - 15:33

Tzvetan-TodorovO filósofo e linguista búlgaro, Tzvetan Todorov foi o sétimo conferencista do Fronteiras do Pensamento 2012, realizado nesta segunda-feira (04/09). Em sua palestra,"As três ondas do messianismo político: colonialismo, comunismo e guerras humanitárias", Todorov dissertou sobre a crença cega da humanidade em ideais políticos que promovem guerras e genocídios. O evento ocorreu no Salão de Atos da Ufrgs.

Para explicar o modo como o messianismo teológico chegou à esfera política, o palestrante precisou explicar as diferenças entre os estudos eclesiásticos voltados á religião e a filosofia aplicada à sociedade. A teologia estuda o indivíduo e os seus valores morais e a paz tão almejada só viria em outra vida, após a morte. A filosofia, por outro lado, dedica-se à sociedade e aos valores políticos dos homens, e os filósofos acreditam na possibilidade de se alcançar a paz ainda em vida.

Essa busca levou a França à Revolução Francesa, no século XVIII, segundo Todorov. A crença de que suas ações os conduziriam à conquista de "liberdade, fraternidade e igualdade" levou os franceses a matarem todos que se opuseram a seus ideais, inclusive o rei. O fim ao qual se buscava alcançar era tão grande, que não se importaram com os meios, comentou o conferencista. Os ideais franceses se estenderam também para outros países da Europa, Ásia e África. O discurso de levar a civilização aos atrasados legitimava massacres e invasões, guiadas pelo líder militar, Napoleão Bonaparte.

O filósofo búlgaro defendeu que o Comunismo foi outra forma de messianismo político ocorrido no decorrer da história da humanidade. Para ele, os ideais comunistas de igualdade socioeconômica eram muito radicais e só poderiam ocorrer com violência. Os assassinatos aos ricos, ocorridos em países onde se tentou instalar o sistema, como China e União Soviética, foram essenciais para sua inserção, segundo o Todorov. "Essas ideias tão radicais só poderiam ocorrer sobre o derramamento de sangue", afrma.

Atualmente vive-se a terceira forma do messianismo político: as guerras humanitárias. Com o discurso de levar valores como democracia, liberdade e direitos humanos a países menos desenvolvidos, o governo dos Estados Unidos envia tropas militares para regiões como o Oriente Médio, relata o palestrante. Além dos valores sociais, os americanos impõem também suas políticas econômicas de livre comércio e livre desenvolvimento. "Os interesses econômicos dos Estados Unidos nunca são esquecidos", defende Todorov.

Ao finalizar, o palestrante explica que fez esse breve traçado histórico para lembrar a todos que muitos tiranos do passado se diziam partidários da liberdade, como ocorre atualmente com os norte-americanos, e que a ordem mundial não melhora quando um país tenta se impor sobre os outros, como ocorreu antigamente. Além disso, é preciso refletir se a liberdade imposta de cima para baixo é algo realmente positivo para todos. "Somos mesmo todos a favores da liberdade?", pergunta Todorov e complementa: "mesmo a liberdade da raposa no galinheiro?".

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA