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Castells e os movimentos sociais no Fronteiras do Pensamento Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Quinta, 13 de Junho de 2013 - 16:14
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O Fronteiras do Pensamento recebeu, nesta segunda-feira (10/06), o sociólogo espanhol Manuel Castells para falar das suas idéias, que já estão no seu mais novo livro: As redes de indignação e esperança, com lançamento previsto para o mês de setembro no Brasil. Castells é o principal pensador contemporâneo sobre a sociedade em rede, interligada e conectada. Ele refletiu sobre os movimentos sociais que ocorrem pelo mundo e, ao caracterizá-los, a partir dos significados, origens e conexões, ressaltou o papel da mídia.   
 
De acordo com o sociólogo, a manifestação social se dá de forma espontânea na sociedade, mas a mudança social surge do desespero frente a algo insuportável; algo que a sociedade não consegue aceitar. O que a sociedade considera intolerável dá voz ao “grito de liberdade” e faz com que o povo, través dos movimentos sociais, ocupe o espaço público. O pensador espanhol salienta que o movimento social não é violento, mas é a repressão que o torna hostil, e citou o exemplo atual da Turquia que passa por embates diários entre os manifestantes e a polícia. 
 
A cobertura da mídia, segundo Castells, tem grande influência nas manifestações sociais, pois acredita que, ao dar preferência a imagens que “chocam e com sangue”, pinta como violento ou faz o protesto ser violento, o que permite que a repressão política e/ou policial ganhe força. Ele reforça que as imagens têm a capacidade de provocar uma mudança no social, a qual considera um “combustível para a revolta”, por ter condição de afetar a consciência humana e fazer com que as pessoas fiquem indignadas com o que veem. 
 
Castells refere-se às ações sociais como “motores para mudança social”, sendo que as transformações sempre começam na sociedade e raramente na política. O principal sentimento que dá início à modificação é o medo, e este é o sentimento que precisa ser superado. A superação deste sentimento traz a raiva que provoca a indignação com o que está acontecendo. Essa ação pode começar de forma individual e, quando se torna coletiva, existe o sentimento de solidariedade em se relacionar com os outros, a superação do medo, a raiva e a indignação. 
 
Uma identificação importante que o pensador espanhol ressalta é a de pertencimento, pois os debates que criam os movimentos sociais dão às pessoas a sensação de envolvimento, seja a um lugar ou a um grupo: “é a sensação de estar presente, de fazer e contribuir por um ideal que fortalece os laços que dão origem às redes sociais”, enfatiza.  
 
Segundo Castells, os movimentos sociais que nascem na Internet, apresentam uma rápida interação através das redes sociais. Inicialmente ocorre em uma rede de amigos, depois se maximizam e entram em um debate aberto, ganhando outras dimensões e uma construção democrática. “A rede é o local de interação entre o ciber e físico”, ressalta.  
 
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O movimento em rede tem por característica não possuir líderes formais e sim moderadores, o que diminui a repressão e se apresenta sem uma estrutura formal. Castells afirma que tudo nasce na rede, e o sentimento é de que não basta criticar na Internet; é preciso ser “visível” e ir para o espaço urbano. E  é essa visibilidade que faz com que o movimento ganhe atenção pública. Então, as manifestações nascem, em um primeiro momento na rede, depois passam para  o espaço urbano e, por último, ocorre o dialogo institucional para se rever uma nova forma de democracia. Para ele, o movimento social em rede é amplo e espontâneo, o que dificulta  o controle  nas as redes sociais, pois são formas de comunicação instantâneas em rede e em tempo real. 
 
O pensador espanhol se mostrou feliz por voltar a Porto Alegre, e considera a capital gaúcha referência no mundo em um imaginário de mudança social. 
 
Manuel Castells é autor de diversos livros, traduzidos para os mais diferentes idiomas. E entre eles estão as obras: A galáxia da internet e a trilogia: A era da informação, composta pelos volumes A sociedade em rede, O poder da identidade e Fim de milênio. Castells é professor na Universidade Aberta da Catalunha, emérito na Universidade de Berkeley e ilustre no MIT. 
 
O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.
 


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