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Estudos da neurociência sobre o cérebro e a sociedade Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Segunda, 01 de Julho de 2013 - 15:22

fronteiras umFoi na segunda-feira, 24/06, que Porto Alegre, em meio aos protestos que abalaram mais uma vez a cidade e o país, recebeu o neurocientista português António Damásio para falar sobre o tema: “Cérebro e a sociedade” no Fronteiras do Pensamento. 
 
O simpático português iniciou a sua fala com o pedido de ‘mais luz’ no auditório, pois precisa ver o rosto das pessoas com quem falava. Na seqüência, citou a manifestação que ocorria na cidade, e afirmou que não imaginava apresentar a sua conferência num momento tão especial. 
 
Em sua palestra, Damásio elucidou uma novidade da neurociência, que é a tentativa de compreender a associação do cérebro com a sociedade, ou de saber como “os fenômenos cerebrais estão ligados aos fenômenos sociais”. Para ele, a neurociência avançou nos últimos anos ao relacionar os estudos da natureza social dos seres humanos aos processos cerebrais, na análise de comportamentos morais, na compreensão de novas gerações, na política e na cultura, entre outros. Nos estudos foram identificados “processos simples e humildes”, denotados como “emoções”, que para ele “são sinfonias que se desenrolam no tempo: têm início, meio, fim e uma ordem”. 
 
Num breve apanhado histórico, Damásio afirmou que as pesquisa em neurociência deram início em 1971, na Europa. Inicialmente o foco dos estudos foi a  linguagem e, depois, com o passar dos anos, foi em busca do porquê da ligação entre sentimento do corpo e os sentimento das emoções. 
 
Após, o palestrante retornou ao processo de análise de comportamento, ao enfatizar as emoções sentidas pelo homem e suas consequências sociais. Em sua abordagem, ele afirma: “A máquina que regula a vida é a “homeostasia”, a qual busca a regulação da espécie e a sustentação da sociedade. Para ele, os sentimentos, como pânico, tristeza, admiração ou vergonha, são facilmente reconhecidos por nós, devido a programas de ação ligados à “homeostasia”, caracterizados como inatos e instintivos. Segundo Damásio, o programa de ação que mais conhecemos é o do medo, o qual normalmente gera um sentimento de mudança de comportamento e uma relação que pode ou não propor uma ação frente a uma adversidade. E conclui: “o medo possui controle sobre a ação”.

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De acordo com Damásio, nós somos máquinas complexas, por isso conseguimos regular as ações comportamentais, como o medo, que é desencadeado por diversas outras emoções, e que, naturalmente, reflete ações. O neurocientista acredita que nada faz sentido se não sentirmos nosso corpo, pois o conteúdo dos sentimentos é a representação do que se passa no nosso corpo. Desta forma, os conhecimentos sobre esses sentimentos, abrem novos horizontes de percepções, aprendizagens, construção de novos panoramas e outros planos de ações. 
 
Ao finalizar sua conferência o neurocientista português, António Damásio, afirma que, em relação ao homem, “o tronco cerebral é a ligação entre sentimento e vida. Destruindo a raiz do sentimento, destruímos a vida como um todo”. E, em relação, ao social, ele elucida: “uma revolução sociocultural surge, a partir dos sentimentos, para regular a vida pessoal e da espécie como um todo”. 
 
António Damásio é médico e neurocientista, vencedor do Prêmio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica, além de autor das obras O erro de Descartes e O sentimento de si. Suas pesquisas no campo da neurociência buscam respostas para questões filosóficas com base no conhecimento do cérebro. Damásio é professor de Neurociências e diretor do Instituto do Cérebro e da Criatividade na Universidade do Sul da Califórnia.
 
O Fronteiras do Pensamento faz uma pequena pausa em sua programação de conferências, retornando suas atividades em agosto, com o teórico cultural ganês Kwame Anthony Appiah, que vai abordar questões como etnias, racismo, identidade e moral. 
 
O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.
 


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