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Revoluções morais no séc. XXI: tolerância e direitos humanos Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Quinta, 15 de Agosto de 2013 - 16:34

editada2O Fronteiras do Pensamento recebeu, nesta segunda-feira (12/08), o intelectual Kwame Anthony Appiah. Nascido em Gana, o palestrante é professor na Universidade de Princeton ( EUA), e  veio a Porto Alegre para falar sobre racismo, etnia, moral e cosmopolitismo;  temas que aborda em seus livros, em especial na obra  ‘Código de honra’,  que inspirou a sua  conferência sobre a  Revolução moral no século XXI e abriu espaço para discutir tolerância e direitos humanos. 

O filósofo discorreu sobre o conceito de honra que, em sua definição, é um direito a ser respeitado, cuja perda tem como consequência a vergonha. Grupos desiguais possuem diferentes formas de honra, a qual pode ser individual ou coletiva. E para estabelecer esse conceito, Appiah  trouxe dois exemplos de ações culturais adotadas nos séculos passados, com crianças chinesas e ganesas.  As meninas chinesas tinham seus pés amarados para mantê-los pequenos, enquanto as meninas ganesas sofriam certa circuncisão feminina. Tudo isso, explicou o palestrante, tratava-se de conceitos culturais de cada região.

Segundo o conferencista, os costumes de cada região, aldeia ou sociedade podem assustar ou horrorizar as pessoas que não fazem parte deste meio, por isso, muitas vezes, os “estrangeiros” querem mudar esses costumes por achá-los desumanos ou não entender a cultura e os costumes locais. De acordo com seus fundamentos, a forma como essas mudanças será realizada é fundamental para o processo. Se essa mudança for hostil, truculenta e incompreensível aos costumes locais, a tendência é de que os processos se repitam, até mesmo, de forma mais dura e drástica. No entanto, se esse processo mexer com a honra dos líderes ou chefes e pessoas que ali habitam ou fazem parte desse meio; se esse processo de mudança cultural trouxer vergonha ou for vexatório para a nação, será mais fácil a eliminação destes conceitos.

Para o  pensador ganês,  a  população local precisa perceber que algumas de suas práticas geram vergonha nacional. Ou seja, que uma reforma apropriada e a luta contra alguns costumes podem proporcionar à sociedade o conhecimento sobre seus direitos humanos. Mas para que isso ocorra, ele ressalta a  necessidade de um dialogo com respeito mútuo e  ações  que envolvam e propaguem os direitos da sociedade, além de substituir as práticas antigas, por novas. E  ressalta, que se  tais práticas são melhores para àquela sociedade, farão valer uma revolução moral.

Segundo Appiah, uma das grandes dificuldades a serem superadas na revolução moral é quando a prática envolve questões ligadas à família e a deuses. Nestas situações, atitudes ofensivas são um problema, e  questionou:  “como vocês se sentiriam se alguém viesse do Quênia e lhes dissesse como criar seus filhos?” 

Sendo assim, o teórico entende que a população local reage às atitudes incompreensíveis de um estrangeiro e se encerra ainda mais nas suas práticas.  Mas para mudar o mundo, esclarece, é preciso conhecer a história, antes de tomar qualquer atitude. 

A fim de aproximar o debate à  atualidade, Appiah citou o casamento homossexual. Na geração passada, o assunto não era tratado, não tinha relevância de mudança moral. No entanto, houve mudanças, o assunto foi debatido na sociedade e as gerações futuras irão lembrar desses fatos, com a mesma estranheza que olhamos quando nos lembramos dos exemplos das crianças chinesas e ganesas.

 Segundo o palestrante, as pessoas não oferecem defesa moral à oposição de práticas ruins,  usam   “uma ignorância estratégica e desviam os olhos do mal”. 

Ao fim da conferência Kwame Appiah, levantou diversas questões sobre a liberdade no país em que ele vive: os EUA. Ele questionou o número de pessoas presas por infrações leves; questionou se a prisão é o melhor lugar para as pessoas que usam ou são pegas com drogas, e se neste local não farão o uso drogas. Falou também sobre a comparação que os psicólogos americanos fazem entre as prisões e as zonas de tortura, e trouxe previsões alarmantes sobre o aumento do abuso sexual e contaminação do vírus HIV. 

Appiah encerrou a conferência levantando uma questão desafiadora: “O que seus netos criticarão no Brasil? Como vocês se organizarão para estimular a honra do Brasil no futuro?”

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.

 


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