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Polêmico filosófo australiano participa do Fronteiras do Pensamento Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Terça, 03 de Setembro de 2013 - 14:12

front1O Fronteiras do Pensamento recebeu, na segunda-feira (26/08), o filósofo australiano Peter Singer para a conferência: Ética para o século XXI. Considerado um dos homens mais perigosos por ativistas europeus, além de já ter sido proibido de falar em público na Alemanha, Singer veio a Porto Alegre para discorrer sobre questões éticas presentes na atualidade.

Simpático na apresentação, o filósofo abriu a palestra elencando quatro temas para tratar. As questões éticas trazidas por Singer foram a pobreza global, a mudança climática, a ética sobre o tratamento aos animais e a extinção do homem. 

Pobreza Global

A pobreza tratada pelo pensador não é a pobreza relativa, mas sim, a pobreza absoluta. Aquela em que o ser humano não consegue viver com o mínimo, estimado pelo Banco Mundial, que é cerca U$ 1,25 por dia. Em torno de um bilhão de pessoas vivem com renda abaixo do mínimo, são subnutridas, sem água potável, sem filhos na escola ou serviços médicos, afirma Singer. 

Segundo o filosofo, sete bilhões de crianças morrem por ano devido à pobreza, e a  maioria dessas mortes são ocasionadas por doenças que têm  cura e são tratáveis em países desenvolvidos, como pneumonia, malária e diarréia.  E na seqüência, Singer traz mais um dado caótico: “19 mil crianças morrem por dia por causa da pobreza, o equivalente a um estádio de futebol cheio”. E pede que pensemos!

O teórico questiona: “O que é U$ 1,25 por dia para algumas pessoas? Uma xícara de café após o almoço!”, responde o filosofo, que conclama: “nós podemos ajudar sacrificando parte do nosso ganho, sem nos prejudicarmos”. E ao lembrar que a pobreza absoluta mata crianças, incentivou ações  cooperativas ao apresentar alguns sites de doações.

De acordo com o pensador, a morte de milhares de crianças faz parte desse modo de viver egoísta, recluso e de pouca assistência. Essas notícias não chegam à imprensa e ficam restritas a poucos, e ao não chegarem aos canais que propagam a informação, as crianças acabam recebendo pouca ajuda ou nenhuma por falta de informação. “Devemos ajudar onde podemos e da forma que podemos, afirma Singer. 

Antes de encerra o primeiro tópico da palestra, levanta mais uma questão: Onde estão os limites e quais os limites do grau de exigência da moralidade?” E responde: “Não temos como evitar muitas das mortes das crianças, mas de alguma forma pode-se evitar que algo ruim aconteça. Minha conclusão é que temos de evitar o máximo possível; nós temos que fazer e ajudar sem que prejudique um preceito moral”. 

Mudanças climáticas

Singer afirma que as pessoas mais afetadas, pelas mudanças do clima, são os pobres, e se não fizermos algo com rapidez e agilidade, talvez seja tarde demais. Os pobres são os mais prejudicados por não terem condições favoráveis e, até mesmo, possibilidade de escolha. Países desenvolvidos causam mais problemas. Já os países pobres que causam menos, são os mais prejudicados, pondera.

O clima é um problema moral, pois a atmosfera não possui dono e dispõe de  um limite para receber gases de efeito estufa. Ninguém respeita, desabafa o pensador, que caracteriza a questão climática como “um problema moral, um princípio de justiça e um problema de justiça. E para mostrar como há possibilidades de um entendimento e de ações coletivas, citou a Rio 92 e o Tratado de Quioto, que delega aos países a responsabilidade de arcar com o ônus de suas produções.

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A ética sobre o tratamento aos animais

Autor do livro ‘Libertação animal’, editado em 1975,  Singer é um grande defensor da expansão do princípio de igualdade para todos os animais, em especial quando se considera a dor e o sofrimento com vistas aos interesses e preferências tanto de humanos quanto de animais. Portanto o viés do especismo, que  consiste em atribuir valores ou direitos diferentes a seres dependendo da sua afiliação a determinada espécie,  está marginalizado em suas teorias.  

O pensador australiano não concorda com a criação de animais para produzir alimentos. Tampouco, com animais enjaulados em situações de extrema revolta, presos em gaiolas minúsculas, acomodados com milhares de sua espécie, sem espaço adequado. Para ele, a criação de animais é ruim para o clima, pois todos os meios necessários para o transporte ocasionam efeitos poluidores aumentando os gases de efeito estufa, como caminhões, trens e barcos. Para Singer, com a redução do consumo de carne haverá uma restrição na emissão de gases que atingem a atmosfera. Outro aspecto que pondera na criação de gado para a alimentação é que ela contribui para aumentar a derrubada de matas, que por sua vez, provoca mudanças na atmosfera.

A Extinção humana

Entre tantos assuntos polêmicos, o intelectual finaliza a conferência com o tema da extinção humana. Com um tom apocalíptico, afirmou que os seres humanos em um futuro de longo prazo podem atingir padrões de justiça, equidades e evitar a extinção da raça humana. Mas para isso é preciso evitar os riscos que possam causar uma possível extinção. Citou as guerras nucleares, asteróides que possam bater na terra e a necessidade de estudos e pesquisas na área. Mas questiona: “Isso gera um gasto. E será que esse gasto é interessante nesse momento?”

Essa é a única forma que podemos assegurar que nossa espécie consiga sobreviver, extinguir os riscos de extinção e viver de forma mais qualificada e inteligente, conclui o palestrante. 

Respeitado como um dos mais influentes e lidos nomes da filosofia atual, Peter Singer é professor de Bioética Princeton e Ética Aplicada e Políticas Públicas na Universidade de Melbourne. Autor de obras como Libertação Animal, livro que alavancou o movimento ativista pelos direitos dos animais. 

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.

 


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