O protagonismo feminino Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Quinta, 12 de Setembro de 2013 - 10:24

front1Na segunda-feira, (09/09), Porto Alegre recebeu a pacifista Leymah Gbowee, para conferência no Fronteiras do Pensamento. Sendo uma das poucas mulheres agraciadas com o prêmio Nobel da Paz, apresentou, em sua palestra, um pouco de sua história de lutas e glórias pelo mundo na defesa de causas humanitárias.

Com um discurso inflado e pessoal, a liberiana relatou ao público as dificuldades que passou para sobreviver em um país dominado pelo ódio, pela guerra e pelo abuso. Percebeu, ao longo dos anos, que sua principal arma para desarticular toda a repressão, seria sua voz e a força de suas palavras, “eu precisava levantar a minha voz para criar um movimento social”,

Gbowee, viveu os horrores de uma guerra civil que durou mais de uma década, matou mais de 250 mil pessoas e abusou de mais da metade da população feminina do país. “Foi a guerra civil mais brutal que a África já enfrentou. O mal que nós vimos em nosso país era irreal. As pessoas não acreditam quando mencionamos que milhares de mulheres eram estupradas todos os dias, que usavam plástico fundido nos olhos dos jovens para cegá-los, tudo por maldade”. 

Leymah afirmou que durante muito tempo sofreu e teve muita raiva. Em meio à guerra, gerou seus filhos e viveu momentos de dificuldades e desafios. Após ter o primeiro filho voltou à comunidade em que morava e percebeu que o “único passatempo dos jovens era fazer sexo. Eles, em grupo, estupravam as meninas”, condenou.

front2Sentindo a necessidade de se engajar na luta por país melhor, Gbowee se tornou voluntária tratando dos meninos-soldados. Por mais que ela os odiasse, sabia que tinham uma ligação. Os meninos tinham deficiência física e usavam drogas. Quando me falavam de suas dificuldades, a raiva sumiu, declarou Leymah.
Em outra situação, a pacifista se envolveu com mulheres que haviam sido estupradas. Leymah disse que elas sorriam para ela e perguntavam: “Por que tu és tão séria?” Foram essas mulheres abusadas, com deficiência, traumatizadas, que me ensinaram a esperança, desabafou.

Leymah declarou que na vida de militância você não pode dar fim à violência se o seu coração tem violência. Antes de tentar curar alguém é preciso estar curado. A jornada é longa e necessária para ficar em paz consigo mesmo. “Ódio e amor é como o pólo negativo e positivo, eles não se ligam”.
Leymah questionou: “Quem teria me dito que uma mãe solteira de quatro filhos, com apenas duas peças de roupas para trocar, poderia ser a uma mulher em luta pelos direitos sociais e ser respeitada como grande liderança pelo mundo? Jamais imaginei que estaria aqui, que vocês estariam aqui me ouvindo ou que eu ganharia um Nobel”.

Leymah Roberta Gbowee é diretora-executiva da Rede Paz e Segurança da África, a WIPSEN-Africa, uma organização que trabalha com mulheres na Libéria, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para gerar transformações positivas através do ativismo pela paz, educação e política eleitoral. Além do Nobel, tem colecionado inúmeras honrarias, entre elas o Blue Ribbon Peace Award do Women's Leadership Board at Harvard University's John F. Kennedy School of Government em 2007, o Profiles in Courage Award da Kennedy Library Foundation em 2009 e o John Jay Justice Award em 2010.

O Fronteiras

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.

 


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