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Nobel da Paz avalia que a paz não é possível Imprimir
Escrito por Filipe Chagas. Fotos: Anselmo Cunha   
Quarta, 02 de Outubro de 2013 - 11:04

front2Figura central na luta pela paz e democracia no Timor Leste, José Manuel Ramos-Horta, ex-presidente do país, palestrou nesta segunda-feira, (30/09), no Fronteiras do Pensamento de Porto Alegre. Jornalista e jurista, o timorense trouxe como tema “A capacidade de articulação dos organismos internacionais para gerenciar situações de crise”. Atualmente, Ramos-Horta, atua como Sub Secretário-Geral da ONU para Guiné-Bissau, suas atividades são na resolução de conflitos políticos em uma nação devastada pelo tráfico de drogas e de armas.

Em sua missão diplomática na Guiné-Bissau, Ramos-Horta age em prol da recuperação da democracia do país, localizado na Costa da África, após enfrentar um golpe militar em abril de 2012.A tarefa que o pacificador recebeu, a qual considera pequena em relação às dificuldades do Haiti e Congo, veio acompanhada de uma solicitação do Conselho de Segurança da ONU para fazer “o máximo, o melhor e com menos recursos”. Para ele, o tamanho da missão não é um problema, mas a principal queixa é “a falta de recursos por parte da ONU e da comunidade internacional para ajudar a socorrer um povo com dificuldades”.

Quando Ramos-Horta chegou ao país africano, encontrou uma sociedade sem diálogo, com conflitos entre partidos políticos, tensões entre grupos políticos e militares. Descobriu um país abandonado pela comunidade internacional, com raras exceções, como Portugal e Brasil. Afirmou que o país é conhecido como “narcoestado”, e criticou a America Latina e os EUA por não controlar e proibir o tráfico de drogas. ”Como podem criticar os guineenses pelo tráfico, se Brasil, EUA, Venezuela não conseguem interditar a droga?”, questionou o palestrante.

Ao falar sobre a independência do seu país, o Timor Leste, declarou que a mobilização internacional ajudou no processo. Na década de 90, com o advento da internet e da mídia eletrônica, esse processo foi acelerado. Percebendo a notoriedade das mídias, o diplomata afirmou que se, em 1975, houvesse Facebook, SMS, e outros meios de comunicação rápida, o Timor Leste não teria esperado 24 anos por sua independência.

Crítico da burocracia paralisante, o diplomata afirmou que é difícil mobilizar ajuda política e financeira. Se fosse fácil, muitos conflitos teriam sido evitados com mais apoio e menos discurso. Ramos-Horta reclamou do pouco investimento feito na prevenção de conflitos, e afirmou que a comunidade internacional reage à guerra deflagrada, mas não às tensões que não são visíveis. “Tantos foram os conflitos que surgiram nos últimos anos que, se tivéssemos trabalhado, dialogado, utilizado a diplomacia, poderiam ter sido evitados”, declarou.

“Paz real é possível? Não. Desde que o mundo é mundo, desde o primeiro pensamento, somos motivados por variadas ambições”. O palestrante levantou a questão e deu a sua resposta, tendo em vista os diversos conflitos que ocorrem no mundo atualmente. Citou a Síria e lembrou que a única forma de conseguir a resolução de conflitos é quando as partes ficam cansadas e entram em negociação, lembrando do exemplo entre Irã e Iraque na década de 90.

Por fim, o Nobel da Paz declarou que uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, cuja função é zelar pela manutenção da e da segurança internacional, ajudaria no equilíbrio ‘civilizacional’, com inclusão de novos países como o Brasil, Índia, Austrália e Indonésia poderiam participar.

O Fronteiras

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.

 


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