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Paul Bloom e a moralidade humana no Fronteiras do Pensamento Imprimir
Escrito por Filipe Chagas   
Quarta, 27 de Agosto de 2014 - 15:47


Fronteiras-1Na noite da última segunda-feira (25/08), o Fronteiras do Pensamento de Porto Alegre recebeu o professor de Psicologia e Ciência Cognitiva, da Universidade Yale (EUA), Paul Bloom. Interessado no desenvolvimento infantil e no dualismo do senso humano, Paul Bloom, em suas pesquisas, procura compreender as origens dos princípios morais, das ideias e da linguagem. Explora como adultos e crianças entendem o mundo físico e social, com ênfase na linguagem.

O professor coordena o Infant Cognition Center, laboratório da Universidade de Yale, e se vale das ciências cognitivas e sociais, da linguística e da filosofia da mente, para realizar seus trabalhos de pesquisa. A partir de suas concepções e exemplos práticos, Bloom explanou seus estudos e teses. Usando vídeos, mostrou cenas de um bebê brincando com bonecos de índoles opostas, que conquistou a simpatia da plateia, ao optar pelo boneco 'boa gente'. Na sequência, um sentimento de revolta se manifestou nos presentes, quando uma mulher, após capturar um gato de rua, o coloca em uma lixeira.

O psicólogo canadense e sua equipe buscam compreender, através das reações e comportamentos das crianças quando expostas a fantoches "bons", "maus" e "neutros". Assim, estudam a mente e principalmente as reações de alegria, desconforto e prazer. Após diversos exemplos apresentados, Bloom mostrou que, na maioria das vezes, a preferência da criança é a mesma: ela opta pelo boneco do "bem". Outro detalhe interessante apresentado pelo psicólogo é que a criança também faz justiça com as próprias mãos, ao socar um fantoche que não quer repartir um objeto ou brinquedo. E questiona: "Mas isso quer dizer que nascemos morais ou que simplesmente a moralidade é inata?"

De acordo com o pensador canadense, no adulto, a moralidade é modulada de igual forma pelas emoções e pelas razões. Assim, ele afirma que não é possível ignorar as vivências individuais e coletivas, pois estas contribuem para ampliar os laços sociais e, consequentemente, a moralidade. Ainda sobre a moralidade e as atitudes sociais, Bloom questionou: "O que motiva mais a nossa preocupação, é saber que milhares de pessoas vão morrer em um território distante, ou que perderei um de meus dedos amanhã?". Para entender esse questionamento, afirma que a lógica da reação humana é se preocupar com o que está mais próximo, por mais egoísta que possa parecer: "Nós temos um senso de moralidade, mas ele é limitado e não extensivo a pessoas estranhas".

E conclui afirmando que é necessário acreditar na razão e não na emoção, como habitualmente. A razão, segundo ele, pode construir leis e quebrar regras ultrapassadas para que a sociedade possa ficar mais incomodada com aquilo que é estranho a ela.

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Fronteiras do Pensamento

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é um projeto cultural que conta com a parceria da Braskem, Unimed Porto Alegre, Weinmann Laboratório, Santander, CPFL Energia, Natura, Gerdau, Grupo RBS e UFRGS, entre outras entidades. O ciclo de palestras acontece no Salão de Atos da UFRGS.

 


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