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“Permaneço otimista”, declara Gro Brundtland no Fronteiras do Pensamento Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 01 de Outubro de 2014 - 14:34

Divulgação FronteirasDiplomata, médica, primeira mulher a chefiar o governo da Noruega e líder internacional na área da saúde pública e desenvolvimento sustentável, são alguns dos predicados de Gro Harlem Brundtland, palestrante do Fronteiras do Pensamento (29/09), que veio a Porto Alegre para dar continuidade ao seu incansável trabalho: alertar o mundo sobre os perigos das alterações climáticas em escala global.

Os principais desafios do clima

"A maior de todas as fontes de poluição é a pobreza", destacou Gro, na abertura da palestra. E para erradica-la, destaca: "é um desafio", pois as nações precisam trabalhar meio ambiente e desenvolvimento econômico de forma integrada, buscando crescimento forte, social e sustentável; três pilares da sustentabilidade, um conceito que ela cunhou.

Ao discorrer sobre o clima, lamentou a lentidão dos países em mudar suas posturas ineficazes. "Uma boa governança funciona dentro de um contexto de regras", frisou. O modelo atual de desenvolvimento global é, para Gro, insustentável, sob o risco de ecossistemas e comunidades humanas perecerem. Os efeitos das alterações climáticas, diz, já estão sendo sentidos, dos continentes às ilhas, dos países ricos aos pobres. "No futuro, se a situação assim permanecer, o ártico esquentará e o gelo derreterá", concluiu.

A líder internacional referiu-se à Cúpula da Terra, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992, de forma carinhosa e classificou o encontro como um divisor de águas na história do planeta, pois afirmou compromissos aos países envolvidos, além de aprovar a Agenda 21, um instrumento de cooperação da sociedade na solução dos problemas socioambientais. A conferencista se ressente, todavia, da falta de adesão ao Protocolo de Kyoto, lançado em 1997. "Se todos tivessem assinado na época, teríamos avançado significativamente". Ela explica que nada se move rápido o suficiente sem os Estados Unidos como força motriz. "Muitas vezes, acaba sendo frustrante", lamenta.

Imposto sobre combustíveis fósseis

Na Noruega, quando Gro assumiu o ministério do meio ambiente, o governo introduziu um alto imposto sobre o carbono. "Eu sabia que não havia alternativas", disse. Nesse contexto, informa que, atualmente, o capital despendido em combustíveis fósseis chega a 500 bilhões no mundo, sendo que esse número supera em seis vezes o investido em energias limpas. "O dinheiro dirigido à educação em muitos desses países é consideravelmente inferior", compara.

Esperançosa, entretanto, a conferencista enaltece que o mundo evoluiu em alguns aspectos, como a preservação da camada de ozônio e o acesso à água potável, embora ainda haja um longo horizonte a ser perseguido, pois a degradação ambiental permanece em compasso acelerado. Ela valorizou a importância da preservação das florestas tropicais, verdadeiras estabilizadoras do clima. Oceanos saudáveis também integram um meio ambiente saudável, especialmente na luta contra a pesca predatória e o excesso de lixo industrializado jogado nos mares. Citou, como um dado alarmante, que 95% das aves marinhas na Noruega carregam algum tipo de plástico no estômago. Tal material leva cerca de 450 anos para se decompor na água.

Brundtland lembra que, apesar das convenções do clima não terem gerado políticas eficazes de contenção, há conquistas. França e Alemanha, por exemplo, anunciaram R$ 1 bilhão de dólares para um fundo internacional de preservação ambiental. "Com boa vontade, outros também participarão", anseia. Para limitar as alterações climáticas, Gro indica que são necessárias políticas públicas que favoreçam energias limpas e sustentáveis. E isso deve partir tantos dos governos, quanto das comunidades empresariais. "Enquanto todos vivermos em um mesmo planeta, precisamos fazer o progresso acontecer. Eu permaneço otimista de que vamos conseguir", declarou.

Interação com o público

Ao final da explanação, Gro Brundtland foi convidada a responder perguntas dos presentes. A mediação foi feita por Marcelo Rech, diretor-executivo de jornalismo do Grupo RBS.

O Brasil não se tornou signatário da última Conferência do Clima, realizada em Nova Iorque há algumas semanas. O que lhe parece essa posição?
Brundtland – Não estou a par dos detalhes. Posso dizer que muitos países não querem assinar documentos de responsabilidade. No encontro de Copenhague, na Dinamarca (ocorrido em 2009), por exemplo, a China não se mostrou inclinada a assumir compromissos. Disse apenas que conduziria o tema da forma que achava pertinente. Hoje a situação mudou, não é tão definitiva.

Parece que todos os encontros pelo clima não chegam a lugar nenhum...
Brundtland – É muito simples para os jornalistas afirmarem isso. Estive em Copenhague e vi muitos líderes trabalhando duro, tentando convencer os outros. Nem todos os políticos são corruptos ou burocratas. Só posso dizer que, sem esses encontros, a situação estaria muito pior hoje.

Como convencer as massas, acostumadas ao consumo, a conviver com menos recursos?
Brundtland – O importante é você ter um imposto maior sobre aquilo que polui e menor para os produtos sustentáveis. Os países devem desenvolver políticas sociais de convencimento. É preciso pensar no futuro

 


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