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No Fronteiras, Richard Sennett e Saskia Sassen falam sobre sociologia urbana Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Quarta, 26 de Agosto de 2015 - 09:12

81aa9 Sennett Sasken Casados desde 1987, intelectuais respeitados internacionalmente e pesquisadores de alternativas para um mundo mais colaborativo, Richard Sennett e Saskia Sassen, estiveram no Fronteiras do Pensamento, na segunda-feira (28/08), com o intuito de fazer uma provocação à sociedade porto-alegrense: como viver juntos em um mundo que distancia paulatinamente? Na bagagem, os dois trouxeram suas experiências de estudos em diversos países e propõem antídotos contra o afastamento dos indivíduos.

Richard Sennett e a ‘Cooperação Dialógica’

O norte-americano Richard Sennett considera que falta colaboração entre as pessoas, especialmente em ambientes urbanos disciplinados pelo consumo. Para mostrar que a sociedade já valorizou mais o espírito cooperativo, Sennett relembrou o estudo que fez nos anos 70 em comunidades de menor poder aquisitivo, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, cujo resultado mostrou que tais sociedades cooperavam. Hoje, entretanto, ressalta que essa realidade está desaparecendo.

Inquieto, o palestrante busca entender o porquê da falta de colaboração em âmbito social. Explica que, na formação de grupos cada vez mais isolados, a noção de “somos unidos” começa a se esfacelar. Portanto, a ideia de interdependência parece condenada. Para não soar alarmista, no entanto, Sennett especula algumas alternativas para a sociedade sair dessa armadilha. Usou os militares como exemplo de cooperação e coleguismo, ao demonstrar que é possível viver juntos – tema do Fronteiras deste ano.

“Precisamos entender que a concorrência significa a vitória de um e a derrota de outro. Ou seja, qualquer convivência social fica impossível”, declara, no contexto do capitalismo. Propõe uma ‘Cooperação Dialógica’, que funcionaria sob três premissas: saber ouvir, compreender o uso da voz subjetiva, isto é, aquela que deixa espaço para ambiguidade, para interpretações a respeito do interlocutor, e, por fim, crias distâncias que nos mantenham unidos pela cooperação.

Neste último item, ele enfatiza que cooperar não é o mesmo que fazer caridade. Criar distâncias, na visão de Sennet, consertaria a engrenagem que mantém o tecido social funcionando.

Saskia Sassen: “Desurbanização urbana”

Desde o início de seu depoimento, Saskia Sassen deixou clara a necessidade de reforçarmos os pilares de nossa sociedade, sobretudo pela voz que ecoa das zonas urbanas. Destaca que em entre 2013 e 2014 as empresas multinacionais investiram cerca de 600 bilhões na compra de áreas dentro das 100 maiores cidades do mundo. O Objetivo? Criar polos de negócios, megaprojetos econômicos. Ela cita o caso de Londres. “Os sheiks do Catar têm mais áreas no centro da capital do que a própria rainha da Inglaterra”, frisa.

Crítica da postura predatória das grandes corporações, a holandesa avalia que as zonas compradas por empreendimentos estrangeiros deixam as regiões densas, volumosas excessivamente. Isso afasta pequenos empreendedores e cria desigualdades. Entretanto, ela acredita que a economia de uma cidade não se forma nos polos de megaprojetos, mas sim no tecido social, no ‘sujeito urbano’. Tal sujeito seriam todas as pessoas que fazem a roda de sua cidade girar, que dão voz a ela. “Será que perdemos o dom da fala?”, questiona.

A concorrência selvagem por espaços nas grandes metrópoles, todavia, não é um fator que respinga apenas na desigualdade. “É um composto que envolve tecnologia, lei, contabilidade e sim, os ricos e os governos”, esclarece. Saskia avalia que o mundo está se modificando e enfatizou o drama dos imigrantes no Mediterrâneo, que buscam “mínimas condições de vida” e não “vidas melhores”, corrige. Sugere a utilização, por essas pessoas, de “cidades mortas”, esquecidas no organograma dos países europeus.

No encerramento, reforça sua oposição aos controles corporativos e sugere a reconstrução dos tecidos sociais urbanos, para uma sociedade mais colaborativa.

 


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