Massa Imprimir
Escrito por Fredo Tarasuk   
Sexta, 14 de Junho de 2013 - 15:32

charge

Foi engraçado. Eu estava esperando o T7 - já fazia uns 30 minutos - para ir pra casa, quando vejo uma movimentação estranha da EPTC. Pra quem não sabe, é a Empresa Pública de Transporte e Circulação, que cuida disso aqui em Porto Alegre. Trânsito parando, devagarzinho. Sim, o que já era lento, ficou pior. Era na esquina da Perimetral com José do Patrocínio. Foi quando lá dos lados em que deveria vir o T7, as luzes dos carros deixaram de se aproximar. Um breu. Um bumbo batendo. E começaram os gritos: “Vem, vem pra rua vem. Contra o aumento!” O protesto vinha chegando.

Confesso que me senti ironicamente bobo, parado ali esperando o ônibus, usando uma camiseta com um Lenin bem posudo, desenhado. Mas não quis me juntar ao protesto por uma escolha de profissão. Resolvi acompanhar e fazer meu relato do que via. Antes de tudo eu vi mendigos. Vi gente rica e vi gente pobre gritando a mesma coisa. Por mais que seja uma passagem de ônibus, confessemos, isso é MUITO RARO no Brasil. Vi homens e mulheres, mulheres e homens. Vi bicicletas, várias bicicletas. Vi banda de estádio de futebol, de charanga e tudo. E posso te jurar que um dos bumbos era do Inter e tava sendo tocado por um gremista. Repito, tudo gritando pela mesma coisa. Coisa essa que na “verdade verdadeira” não é só uma. São muitas. Passagem de ônibus, violência, corrupção, falta de cabelo, de namorado - afinal, 13 de junho é dia de Santo Antônio -  ou até talvez, muito provavelmente, o anseio de ver as coisas melhores.

Senão melhores, ao menos diferentes. Que seja! Pra mim, esse sentimento por si só, já justifica qualquer lixeira queimada, barreira rompida e banco quebrado. É pra sentir que tem sangue correndo nas nossas veias e pra mostrar que quem faz as coisas, quem move esse país somos nós, humanos. No plural! Vi também uma brigada acompanhando tudo, como um bom gaúcho macanudo, de canto de olho e sentado no mochinho. Quando a massa chegou no cruzamento da Perimetral com a José do Patrocínio, alguns manifestantes começaram a se deslocar para a José do Patrocínio, no sentido ao contrário dos carros, querendo voltar para o Centro. Foi quando os brigadianos intervieram que a manifestação recuou. Abobadamente parado, fiquei me perguntando “Onde tá meu direito de ir e vir?”.

Após os manifestantes retornarem para a Perimetral, a tropa da Brigada Militar ficou parada num posto de gasolina (pensem bem o estrago se alguém riscasse um fósforo, ali, naquela hora. ‘Bacon for diner), e só acompanhou a manifestação de longe. O fim da massa chegava. E atrás, apenas carros: civis raivosos, tocando a multidão ao ronco de motor. Alguns dos manifestantes faziam tipo ‘a praça da paz na China’. A massa em frente do tanque,sabe? O clima era tenso, eu já imaginava outro strike de um motorista enfurecido como houve no ‘Massa Crítica’, em 2011. Ninguém foi louco o suficiente pra fazer um coquetel molotov do século 21 (ônibus+fogo). A multidão passou, o som dos motores imperou outra vez. Chegou o T7! E a luta continua.

 
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