Os movimentos sociais na era da internet Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 17 de Junho de 2013 - 16:04
protesto
A guerra civil foi lançada! E por um motivo fútil: 20 centavos. Em São Paulo e Porto Alegre, manifestantes tomaram as ruas centrais das capitais buscando protestar contra o aumento das passagens de ônibus. Entretanto, seria ingenuidade pensar que tamanho conflito gerado entre vândalos e polícia seja medido por um valor tão irrisório. Em uma oportunidade de movimento social, pessoas de diversos credos e escrúpulos se reuniram para mostrar seu descontentamento geral – de formas diferentes.
 
Os movimentos sociais na era internet estão mostrando sua força. Uma organização que começou nas redes de compartilhamento tomou proporções de realidade e marcou inúmeras manifestações que aconteceram em cidades do Brasil. A luta é justa, mas há indivíduos que a tornam uma baderna. A ideia de ativismo remete a protestar pacificamente em razão de insatisfações a um fato que se tornou socialmente insustentável. O que se viu nos últimos dias, contudo, só pode ser conceituado como uma peleja violenta.
 
Em Porto Alegre, os aumentos, de fato, tiram a população do sério. O reajuste das passagens no transporte público é quase que anual, de modo que as manifestações, talvez pela primeira vez na era da internet brasileira, mostraram o poder do compartilhamento como agente transformador. Entretanto, do mesmo modo que o movimento se viraliza, se espalha também a violência empregada por alguns indivíduos mais exaltados. Impossível seria o noticiário ficar aquém disso, independentemente do valor ativista do protesto, infelizmente.
 
O papel da mídia nos movimentos sociais na era internet é de fundamental importância. Muito tem se criticado a cobertura de veículos em função da divulgação dos atos de violência – que corresponderiam a uma parcela pequena dos revoltosos. Em uma guerra, inocentes também são alvejados pela injustiça; elementar. Jornalistas tiveram sua prerrogativa de informar trincada por manifestantes; foram constrangidos, atacados. Alguns, no meio do alvoroço, sofreram ferimentos graves pela força policial e tiveram de ser atendidos nos hospitais da região.
 
Nos últimos dias, inúmeras imagens fortes percorreram a mídia. Em suma, refletiam o “excesso” da polícia para conter os marginais que destruíam o patrimônio público. Um grande grupo, portanto, seria contaminado por um pequeno. Entretanto, esquecer da violência e conversar exclusivamente sobre ativismo seria dar um tapa na cara da própria informação. Afinal, não é todo dia que um aumento de 20 centavos justifica a depredação de muitos mil reais aos cofres da Prefeitura. A proporção que o alvoroço tomou justifica a divulgação do não justificável.
 
A internet, assim, tão criticada pela alienação, mostrou seu caráter positivo em reunir pessoas de pensamentos parecidos em busca de transformações sociais significativas. No entanto, o que era para ser um movimento pacífico de indignação, dentre as muitas geradas por este país, se transformou em uma praça de guerra.  A justa reivindicação orquestrada nas redes de compartilhamento perdeu espaço para a violência.
 
O grupo que atuou no protesto representava uma sociedade cansada de ser açoitada no bolso. Independentemente da classe em questão, o movimento foi legítimo, pois representou a voz de todos, inclusive os ausentes. Todavia, daí até o vandalismo ser a resposta de alguns para garantir seus direitos, é de fazer pensar o tipo de marginal que se reveste de ativista para praticar sua depredação.
 
Aguardemos os próximos capítulos; tomara que sem violência.
 


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