Do que o povo vai lembrar? Imprimir
Escrito por Thamires Rosa   
Segunda, 24 de Junho de 2013 - 01:56
protesto2Em outro momento, a única coisa que as pessoas poderiam imaginar para uma quinta-feira chuvosa e fria seria correr para casa e permanecer aquecido e seguro no aconchego do lar, depois de um dia de trabalho, neste dia 20 de junho, não foi o que aconteceu em Porto Alegre. O clima não impediu que 20 mil pessoas tomassem as ruas para manifestar sua insatisfação com o país.
 
Desde as 16 horas da tarde, nos arredores do Paço Municipal, fervilhava de gente: guarda-chuvas, capas plásticas, tocas e capuzes protegiam uma multidão que tinha o grito por um país melhor preso na garganta há tempos. A massa, que só aumentava com o passar das horas, não podia ser mais diversificada. Os jovens que empunhavam cartazes e faixas, dividiam espaço com os mais velhos, todos com o mesmo brilho no olhar e vontade de mudança. Ternos se misturavam com casacos de moletom, cabelos coloridos e cabelos brancos andavam juntos pelo mesmo ideal. Nos cartazes e faixas que as pessoas carregavam e posavam vez ou outra, para as fotos, se viam frases de protesto, muitas vezes, bem humoradas e que traziam a linguagem da internet para as ruas. Alguns gritavam pelo fim da impunidade, outros contra a PEC37 e inúmeras outras insatisfações. Todos que ali estavam até o momento clamavam pela paz.
 
Por todos os lados que se olhassem, a multidão perdia-se de vista, e excedendo a todas as expectativas só aumentava à medida que os manifestantes começaram a se mover pela Avenida Senador Salgado Filho, em direção a Avenida João Pessoa. Nos prédios residenciais e estabelecimentos comerciais, ao longo do trajeto, algumas pessoas piscavam as luzes, abanavam panos brancos e apoiavam a manifestação que gritava, agradecendo ao incentivo, chamavam o povo para a rua. Alguns focos de baderna eram suprimidos por vaias, e quem queria pichar era afastada pelos próprios manifestantes. Tudo parecia caminhar rumo a uma linda e gigante manifestação pacífica. 
 
Seguindo pela Azenha, nas proximidades da Avenida Ipiranga, o ar começou a ficar tenso. Sentia-se que o medo do que podia acontecer nos próximos passos era geral. Alguns tinham a cara coberta e gritavam palavras de ordem que não se entendia muito bem e pequenos grupos, ao longo do trajeto, estavam parados gritando contra o governo, o que até então não tinha se escutado. Na esquina da Azenha com a Ipiranga, um grupo com uma faixa escrito LOVE e cartazes pedindo paz, tentou em vão barrar os manifestantes a seguir para o lado da avenida que levava a sede da RBS, implorando para que a manifestação não acabasse com violência. Neste ponto a multidão se dividiu, alguns foram em direção à sede da RBS e outros seguiam pelo outro lado do Arroio Dilúvio. Assim que os manifestantes ficaram frente a frente com o choque, as bombas começaram com uma intensidade absurda. Seguindo o combinado na Internet, os manifestantes se agacharam para mostrar que todos queriam paz e para que a polícia parasse, o que não aconteceu, o pânico se instalou até que, depois de alguns feridos, muita fumaça, gente passando mal e um visível descontrole e truculência da polícia, a multidão foi se dispersando e voltando para o Centro Histórico.
 
Os bandidos oportunistas que depredaram, saquearam e destruíram prédios, bancos e ruas da Capital, não tem nada a ver com o povo unido e pacífico que acompanhei. E a reação da polícia contra ELES em minha opinião foi correta. A ação do choque na Avenida Ipiranga foi injustificável, assim como a baderna da minoria que aconteceu após grande parte da multidão já estar dispersa. Existe um ditado que diz que “os fins justificam os meios”. A meu ver esta manifestação deixou claro que o que temos que fazer é respirar fundo, clarear as ideias, saber em quem acreditamos e pensar que “o fim não pode  -  em hipótese alguma - alterar o propósito do começo”.
 
Galeria de Fotos | Thamires Rosa
 
 


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