A chama nunca se apaga Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 13 de Setembro de 2013 - 14:57

chamaSe Bento Gonçalves, Afonso Corte Real e Antônio de Sousa Neto estivessem vivos, não acreditariam na repercussão que sua revolução tomou. A vitória não foi conquistada por meio das armas, mas os Farrapos cultuaram no coração de seu povo o amor pelas tradições e, todos os anos, os gaúchos tratam de lembrar os feitos dos heróis do passado no Acampamento Farroupilha, realizado em Porto Alegre. Entretanto, os anos passaram e os motivos de novas revoluções se renovaram conforme o desenvolvimento – ou retrocesso – do país.

O Rio Grande do Sul viu nascer a chama da grande revolta que tomou conta da nação no primeiro semestre. Em inúmeros protestos, o Brasil acordou para os abusos de modelos de gestão, de modo que a reforma política virou um objetivo essencial para um futuro não tão distante. Na época dos Farrapos, o governo também era opressor, economicamente e politicamente, impondo altos tributos sobre os produtos desenvolvidos no Estado e mantendo um sistema de gestão unitário, centralizador – vil e tratante. No entanto, chegou um momento onde os heróis da Revolução cansaram da injustiça e declararam guerra para proteger seus interesses.

O mesmo foi feito pelos jovens gaúchos que protestaram contra o aumento da passagem de ônibus na capital. Suas atitudes, impulsionadas pelas tecnologias digitais, deram o empurrão necessário para o povo impor a luta das ruas no lugar de uma simples aceitação do sistema. Tal qual a Revolta dos Farrapos, que impulsionou o acontecimento de outras revoluções contrárias ao modelo imperial fechado, o protesto inflou outros cidadãos espalhados pelo país, criando um fato novo que em breve ocupará a páginas dos livros de história.

Tanto em uma revolução quanto na outra, independentemente da luta, a vitória de resultados não foi conquistada, mas garantiu outros efeitos importantes. Ficou embrenhado no íntimo de cada cidadão que o povo é a razão de ser de um país e a insatisfação se viraliza quando ela é promovida no sustentáculo de motivos justos, plausíveis e gerais. O Rio Grande do Sul mostrou mais uma vez que não tolera a opressão de gestores ruins e seus cidadãos compraram a ideia da guerra cívica e respeitosa. Isto salvo alguns maus exemplos que foram às ruas com o único propósito de vandalizar.

Os eventos são semelhantes e inesquecíveis, contudo, há muitas outras causas pelas quais a luta merece ser estabelecida. A reforma política é apenas uma medida salutar que, espera-se, estimule pautas positivas no Congresso, livres de interesses meramente partidários. Será suficiente? O Brasil poderá reclamar um futuro onde uma educação de qualidade e a otimização dos serviços básicos evites novas revoluções? Entre tantas perguntas, a obscuridade envolve as respostas que o país precisa para os próximos anos.

A chama da mudança neste Estado nunca se apaga. Nosso bairrismo se justifica, pois o eixo cultural é tão latente e poderoso que não permite comparação com qualquer cultura no mundo. A paixão é algo tão opulente que merece estudo; será sua razão originária unicamente na Revolta dos Farrapos ou há elementos a mais que permitiram criar identificação tão grande com este continente das tradições? Seja onde for, os reflexos do passado tangenciam nosso tempo, e o exemplo Farroupilha continua permeando as ações do povo gaúcho, mesmo dezenas de anos depois.

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