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Uma volta ao passado: Piquete Laços de Sangue e o museu do campo Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Segunda, 15 de Setembro de 2014 - 16:22

PTG Laços_de_SangueObjetos que evocam memórias, encantam os mais novos e contam a história do Rio Grande do tempo antigo, fazem parte do Piquete Laços de Sangue, um museu que vai mostrar, até o dia 21 de setembro, no Acampamento Farroupilha, como viviam os gaúchos do campo em meados dos anos 50. Logo na entrada o visitante se depara com a réplica de um poço, avista um rancho barreado e a sorridente Patroa Gislei Scheffer com seu vestido rodado, um sorriso no rosto e a cuia na mão saudando os visitantes.

"É um retrato do passado", define "Gisa", como prefere ser chamada, quando se refere ao Piquete criado em 1999, por ela e o marido Odorico Luis Peres e mais alguns irmãos dele. O galpão remete a meados dos anos 50, com utensílios utilizados pelo gaúcho do campo nesse período, paredes de um trançado de tábuas e taquaras revestidos de barro, cobertura de capim santa fé. Em suas paredes se espalham frutas, canecas "alocadas", uma gaita velha, foices, maçarico, moenda, fumegador, pelegos. Na entrada do PTG, rodas de carreta, entre outros itens e até um forno de barro feito no local, igual ao que Gisa via sua mãe assar pão na infância.

Tudo começou em 1999, motivada pelo que viu no Piquete 38 da Polícia Federal, um ano antes e pelas histórias que sempre ouviu do seu falecido sogro, Dinarte Alves, "Seu Dinarte"; quem ensinou como realizar a construção com barro, quem cedeu boa parte dos utensílios e construiu outros, como um sovéu (laço) de couro cru que foi trançado por ele. É com muito carinho que Gisa fala de Seu Dinarte. "Ele contava histórias que hoje tem a identidade do Laços de Sangue, ele viveu isso aqui, eu tenho canga de boi que foi ele que fez, sovéu, aquela peça de ferro ali (e aponta para um instrumento de fazer cercas de arame) foi ele que fez", comenta em um tom visivelmente emocionado num olhar marejado.

Gisa que é natural do distrito de Terras de Areia em Osório, é produtora rural e microempresária, mora em Porto Alegre há 23 anos e revela que quando o piquete foi criado parte do material veio de Restinga Seca, terra natal do marido Odorico e outra de Terra de Areia, onde nasceu. Já os demais itens são doações, mas destaca que grande parte, conforme pode, foi comprando ao longo dos 16 anos em que acampa no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.

A simpática e sorridente 'patroa' destaca as dificuldades de se manter o Piquete. "Tenho uma média de custo anual para manter o piquete aqui durante os festejos de R$ 12 mil e em torno de 90% disso sai do nosso bolso, o que posso eu reciclo, mas nem tudo consigo reciclar. E para fazer o que eu gostaria precisaria de uns R$ 30 mil. Teve um ano que só de alimentação e bebidas gastamos em torno de R$ 5.8 mil." Comenta Gisa.

Com a Copa do Mundo, o piquete começou a ser montado no dia 17 de maio e desde então Gisa e Odorico se revezam no local. "Esse é o primeiro ano que montamos uma copa para vender bebidas, isso ajuda um pouco nas despesas, não temos lucro algum, mas parte dos custos conseguimos cobrir", relata.

O local é procurado por muitas escolas, onde os pequenos podem conhecer um pouco do que foi a vida de seus pais e avós e se espantam com os instrumentos quase "medievais" que dificultavam trabalhos que hoje são facilmente agilizados com as novas tecnologias.


Questionada, Gisa destaca que o que a move, é a paixão. "Eu sou uma apaixonada, choro na hora de desmontar, é a paixão, isso nos move. É o amor que sinto, de fazer isso tudo, já fiz muitos amigos aqui, vou te dizer é o amor mesmo que move isso tudo e quando desmontamos, levar um pouquinho pra cada canto isso dói".

Em 16 anos foram muitas histórias vividas, visitas recebidas, muitos amigos feitos e muitos momentos marcantes. "Um momento que me marcou e que lembro, foi um ano que eu estava amassando o barro para montar o galpão e o joão-de-barro amassando o mesmo barro para fazer a casinha dele, é simples, mas me emocionou, isso é a natureza", lembra.

O Piquete Laços de Sangue é o de número 118, na esquina das ruas Leopoldo Rassier e Dimas Costa, dentro do parque. O local ficará aberto a visitação, no Parque Maurício Sirotski Sobrinho, até o dia 21/09.

 


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