banner multi
Capa Memória Coberturas Especiais WMA 2013 O esporte é minha farmácia
O esporte é minha farmácia Imprimir
Escrito por Laura Blessmann   
Quinta, 24 de Outubro de 2013 - 10:29

umaFrederico Fischer, que participa do seu oitavo Mundial de Atletismo Master, é um grande exemplo para o esporte. O brasileiro mais experiente conta inúmeras histórias, entre elas a sua participação no 3º Mundial em Hannover, na Alemanha, em 1979. Naquela época, sem preparo, foi lá com seus 62 anos ver como se competia. Na ocasião, poderia ter chegado à medalha de 3º lugar, mas por conta de uma distensão muscular acabou nem correndo os 300m, na sua categoria.

O 20º Campeonato Master é seu oitavo mundial. Ele já participou de competições no Japão, Austrália, África do Sul, Porto Rico, Espanha, entre outros, e afirma que é muito difícil passar por tantos mundiais, pois o custo é muito alto. Entretanto, destaca que é muito bom participar, pois o ambiente entre atletas é gostoso e permite que se conheçam pessoas diferentes. “Teve uma competição que um estrangeiro veio falar comigo, eu só dava risada, porque não entendi uma palavra, nem sei que língua ele falava. Isso é gostoso”, conta o atleta, que se encanta em cada mundial que passa.

Conhecido entre os atletas por estar em diversas competições, Fischer afirma que, mesmo com muita idade, ainda dá para seguir em frente com o esporte. Ele escuta muitos comentários, e sente orgulho de ter 96 anos e competir. “O cara já está com essa idade e pratica esporte. Então vamos em frente, que isso deve fazer bem pra saúde. E faz!”.

Treinar muito não era a sua rotina, mas depois de perceber que a corrida era um alivio para a sua saúde, e que o esporte o fazia se sentir melhor, procurou incentivar os outros veteranos. E assim surgiu o “Veteranero”, um grupo de corrida, bem como a ideia de organizar inúmeros campeonatos. Em pouco tempo, Fischer se tornou diretor de esportes da Associação Atlética dos Veteranos de São Paulo, que surgiu em 1943. Como na época o idoso com 40 anos tinha que parar de fazer exercícios pesados, a associação só existia no papel. A justificativa para tirar os idosos das competições era porque fazia muito mal para o coração, então, era proibido fazer esforço. “Corríamos na rua e éramos denominados loucos pela população. Mas com o tempo viram que a corrida fazia bem para o idoso”. Fischer presidiu a associação e começou a organizar competições. Desde então, o seu projeto cresceu e passou a ser um exemplo para outros países.

duasDe acordo com Fischer, a experiência do Veteranero serviu de exemplo para outras associações, incluindo o Chile. Ao falar sobre sua idade, ele ressalta: “eu digo que tenho 96 anos porque está escrito. Eu não sinto nada”.

Fischer mora no litoral: "lá o pessoal da terceira idade só quer jogar bocha e baralho. Então, treino sozinho na beira da praia três vezes por semana". Com a sua experiência, ele sabe até onde pode ir, sem forçar. “Não faço uso de medicamentos. A minha farmácia é o esporte!”. Ele pretende estar, aos 98 anos, no próximo Mundial de Atletismo Master, em 2015, na França. “Digo que pretendo, não digo que eu vou, porque tem alguém lá em cima que manda mais do que eu”. Sua satisfação é enorme quando sabe que pode ser espelho para os jovens e os idosos no esporte.

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA