banner multi
Capa Memória Esportes Estamos preparados para enfrentar as próximas grandes competições esportivas no Brasil?
Estamos preparados para enfrentar as próximas grandes competições esportivas no Brasil? Imprimir
Escrito por Giovani Gafforelli   
Quarta, 22 de Maio de 2013 - 14:02

Rio 2016O Brasil vai sediar uma sequência de eventos de 2013 até 2016. Vamos acolher a Copa das Confederações neste ano, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Mas, será que estamos preparados para eventos deste porte ou vamos apenas mascarar alguns problemas sócio-culturais para mostrar que somos um país de primeiro mundo?E os nossos atletas, como estão para esta Olimpíada em solo brasileiro? 

Para o doutor em Educação e especialista em Estudos Olímpicos, professor da Faculdade de Educação Física da PUCRS, Nelson Todt, o Brasil ainda precisa mudar muito para sediar e participar de eventos desta magnitude: Para ele, “se apontarem a lente de aumento para problemas como: mobilidade urbana, infra-estrutura, hotelaria, restaurantes, a preparação das pessoas que vão prestar serviços aos estrangeiros, o idioma, a diversidade cultural brasileira, a violência, a segurança, os aeroporto, as criticas não serão poucas”. Entretanto, ressalta: “talvez, com competições deste porte, como Copa do Mundo e Olimpíadas, o Brasil possa crescer como país”.

Segundo o professor, muitas pessoas pensam que o Brasil não é um país de expressão no esporte, mas é notório que o desempenho brasileiro em olimpíadas tem melhorado nas últimas edições. Contudo, há um ‘porém’ na fala de Todt: “O Brasil ainda está longe do desejado”, e relata que há muitos atletas abandonando o esporte profissional por falta de incentivo, tanto do governo federal, quanto de patrocínios de empresas privadas.

Para o esgrimista e medalha de bronze no Panamericano de Guadalajara, Tywillian Guzenski, “o Bolsa Atleta do governo é um bom auxílio, apesar de ainda não ser o ideal”. E destaca: “se não fosse ele, com certeza, eu já teria largado o esporte”. Mas, concorda com o professor Todt, ao apontar que falta um incentivo maior para o esporte olímpico brasileiro buscar resultados.
O esgrimista da SOGIPA Tywillian Guzenski com seu treinador, o cubano Velásquez.

Os Estados Unidos, a China, Cuba e Rússia são países que investem maciçamente no esporte. E  se formos comparar o quadro de medalhas de ambos os países com o Brasil, veremos, que, apesar de estarmos evoluindo, ainda estamos muito atrás das potências esportivas, explica Guzenski, que também faz uma ressalva:  “Nenhuma medalha olímpica é feita com meia dúzia de reais. São milhões de reais investidos em infra-estrutura, técnicos, alimentação, competição e viagens para o exterior com o objetivo de treinar. E isso os americanos já fazem há tempos, e todo mundo sabe disso”.

Segundo o professor Todt,  após os jogos de Londres, o governo federal criou o  projeto Brasil Medalha, mas para ele “é uma iniciativa efêmera”. E justifica: “Não acredito que em três anos se formem atletas olímpicos para ganhar medalhas. O que deveria existir é um planejamento de desenvolvimento do esporte”. E complementa: “é preciso formar atletas e dar condições para que estes esportistas virem profissionais. O que acontece é que muitos talentos que surgem no país, não sobrevivem à vida adulta, chegam lá e não têm estímulo, não têm dinheiro, então vão estudar ou vão trabalhar. E se não forem de uma modalidade tradicional, não vão ter atenção”.

O esgrimista Tywillian Guzenski em entrevista na Rádio IPA

Para os dois profissionais do esporte, o Brasil deveria investir em programas como o Projeto Criança da SOGIPA, que existe em outros clubes com outros nomes, onde a criança desde pequena é iniciada em diversas modalidades esportivas e ali, se garimpam futuros grandes atletas.  O próprio Tywillian afirma que começou na esgrima através do projeto Criança da SOGIPA. “É uma pena que o poder público não invista em projetos como este, pois seria bom não só para a esgrima, mas para popularizar as demais modalidades esportivas”. E ressalta: “eu tenho certeza que sairia muita gente boa”.

O esgrimista relata que na Europa a cultura já é outra: “você encontra duzentas pessoas treinando, e destas, sempre sai um campeão olímpico ou alguém muito bom. Quanto mais gente estiver praticando esporte, maior é a possibilidade de encontrar gente boa para obter resultado”.  Entretanto, para o professor Nelson Todt, aqui no Brasil, “não existe uma política pública para formação de atletas, e os principais atletas que surgem hoje, vêm dos clubes”, e por isso ressalta que os governos poderiam aprender muito com os clubes.

Como se percebe, o problema está longe de ser solucionado. O certo é que o poder público deveria, ao invés de tomar medidas rápidas e paliativas, pensar em um projeto que busque resultados em longo prazo, para que o Brasil se torne sim uma potência esportiva nas próximas edições dos jogos Olímpicos.

 

 

 


Notícias relacionadas


Expediente

Mapa do Site :: Portal Universo IPA - 1º lugar na Intercom Nacional de 2008 :: Expediente
Creative Commons © 2005-2013 :: AJor - Agência Experimental de Jornalismo IPA