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Noite para ser esquecida no Olímpico Imprimir
Escrito por Manoel Canepa   
Sexta, 03 de Julho de 2009 - 14:48

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A data de 02 de julho de 2009 vai entrar para a história como uma daquelas péssimas noites que, com certeza, todo gremista gostaria de esquecer. Além da trágica eliminação da principal competição continental, a Taça Libertadores da América, acontecimentos do lado de fora do campo mancharam o espetáculo, quando milhares de torcedores com ingresso não conseguiram entrar no estádio e protagonizaram confrontos com a Brigada Militar.

No gramado, empurrada pelos 45 mil torcedores que entraram, a equipe tricolor tinha a difícil tarefa de reverter o resultado de 3 x 1, obtido pelo Cruzeiro no primeiro jogo das semi-finais da Libertadores, realizado na cidade de Belo Horizonte.

Enquanto os jogadores eram saudados por fogos de artifício, em frente à boa parte dos portões do Olímpico, torcedores e sócios, portando ingresso ou o cartão, viam, indignados, as grades serem fechadas.

Após o início do jogo, onde imagino que o Grêmio partia para cima do Cruzeiro (digo imagino, pois fui um desses tantos que não conseguiram entrar no estádio), do lado de fora a situação piorava. Para conter a ira dos torcedores e sócios barrados, mesmo com ingresso ou cartão na mão, brigadianos lançaram tiros de borrachas, gás lacrimogêneo além de distribuir algumas cacetadas.

A explicação da Brigada é nobre: agiram com força para evitar uma tragédia ainda maior. A explicação da instituição encarregada pela segurança pública da cidade é de que foram colocados mais ingressos à venda do que o estádio suportaria. O Grêmio nega. Segundo a direção, não foram vendidos mais ingressos do que a capacidade, mas sim, foram subestimados os sócios, que compareceram em grande número. De toda forma, todos de fora “pagaram o pato”.

Pouco mais de 30 minutos de jogo, em campo, o Grêmio mantém sua rotina (segundo relatos e de acordo com os gritos ouvidos no pátio do Olímpico) – e perde muitos gols! No quadro social do Olímpico, a situação fica ainda mais crítica. Vidros e computadores são quebrados por torcedores. E mais cacetadas da Brigada. A confusão, o clima ruim, a tensão no pátio do estádio parecia antecipar os péssimos acontecimentos também dentro de campo. Em 5 minutos, o Grêmio leva dois gols do Cruzeiro.

No intervalo de jogo, o estrago era enorme. Para o time, torcida, direção e todos no entorno do campo e fora dele. A cena desoladora tomou conta do Olímpico. No pátio, estilhaços e torcedores feridos. No campo e nas arquibancadas, o orgulho ferido. A raposa, como é conhecida a equipe mineira, era a única que parecia contente por ali.

Em um rompante de defesa, talvez, uma parcela da torcida tricolor, habituada a dar exemplo mesmo em dias ruins, teria atacado de uma forma lastimável. Imita sons de macacos para jogadores da equipe mineira, em referência à confusão ocorrida em Belo Horizonte, onde o tricolor Maxi Lopez teria chamado o cruzeirense Elicarlos de “macaquito”, em um gesto racista. O conflito de lá não foi comprovado, tampouco avistei pessoalmente o daqui (continuava do lado de fora). Porém, se de fato ocorreu, esse pode ter sido o ato mais execrável de uma noite infeliz.

Depois disso tudo, a noite realmente estava manchada. Nem os dois gols e o empate alcançado pelo Grêmio no segundo tempo da partida, ou mesmo a linda imagem do momento em que o ônibus com os jogadores tricolores foi recepcionado por centenas de torcedores, trouxeram um conforto aos gremistas no fim do jogo. Tampouco o anúncio da direção de que irá ressarcir o dinheiro aos torcedores barrados, parece ter amenizado a frustração. Talvez, o bonito canto dos torcedores que entraram e restaram nos últimos minutos, finalizaram com dignidade uma jornada triste para o tricolor da Azenha.

 


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