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Ele é o cara! Mil vezes Romário Imprimir
Escrito por Daniel Freire   
Segunda, 21 de Maio de 2007 - 17:20

daniel-romarioTum! Tum, tum! Tum, tum! Coração na mão! Rio de Janeiro, domingo, 20 de maio, 19h17, - dois minutos do segundo tempo - baliza, à esquerda das cabines de rádio, do octogenário estádio de São Januário. Pênalti marcado, contra o Sport, o rubro negro pernambucano. O jogo é pela segunda rodada do campeonato brasileiro e a torcida do Vasco da Gama grita e pede por Romário.

Ele pega a bola, põe na marca do pênalti, caminha para a bola, bate no canto esquerdo do goleiro Magrão e, finalmente, alcança a marca - com 999 gols, Romário tentou, o milésimo nos últimos quatro jogos em que jogou. A agonia tomava conta de todos - O jogo pára. Fotógrafos e repórteres invadem o campo e cercam o baixinho, da camisa 11. Dona Lita, a mãe, abraça o filho e os dois choram. Logo o pai, Edevair, se aproxima, acompanhado de Isabella, a esposa de Romário. Os filhos não poderiam ficar de fora e também estão presentes. Romário presenteia a mãe com a sua camisa, fala aos repórteres, agradecendo a Deus e a todos, indistintamente, e dá uma volta olímpica antes do jogo recomeçar.

No momento do gol mil, esqueço a minha predileção clubística e sou somente torcedor do craque. Queria muito que o gol mil fosse marcado com a camisa do meu clube, mas não foi possível, fazer o quê? Para quem desconfia, sou Flamengo mesmo e fui muito feliz no período em que ele vestiu o manto rubro negro. Serei sempre feliz! Encho o peito de orgulho para dizer que Romário é, acima de qualquer clube, um artista brasileiro.

Em 1969, no estádio do Maracanã, com mais de cem mil pessoas, o rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento - Pelé - marca, da mesma maneira, de pênalti, o gol mil de sua vitoriosa carreira. Como há trinta e oito anos, ontem, o gramado, não do Maracanã - como era a vontade de Romário - e sim o de São Januário, foi invadido por dezenas de jornalistas, ávidos, por uma palavra do artista. São os dois únicos jogadores do futebol mundial a conseguir essa marca.

O milésimo gol do maior jogador brasileiro, de sua posição, de todos os tempos foi registrado, fica para posteridade. É isto. Podem divergir, discordar, resmungar, argumentar... para mim nada muda. Romário é craque! No futuro, poderei dizer ao meu filho, hoje com quatro anos, que vi Romário jogar. Alguns ressentidos e rancorosos de plantão do futebol, dirão que, ainda faltam alguns gols para Romário atingir o milésimo. Alegam que foram computados gols de jogos pelos juniores e festivos, como se Pelé - o outro jogador a marcar mil gols - não tivesse feito o mesmo. O que vale, na verdade, é a reverência ao jogador que, diferentemente de Pelé que, nas conquistas da seleção, sempre teve grandes craques ao seu lado, conquistou, com louvável destaque, uma copa do mundo em que o time era limitadíssimo. Para esses, que teimam em pegar no pé do baixinho, mando o meu torpedo. Não que esteja dizendo que Romário foi mais jogador que o Pelé. Mas conforme menciona a revista "PLACAR", de abril de 2007, Romário está na vantagem sobre Pelé. Explico: Levando em conta apenas competições oficiais, promovidas pela Federação Internacional das Associações de Futebol (FIFA), pelas Confederações continentais, nacionais e pelas Federações, Romário destronou Pelé. Entre 1957 (quando marcou seu 1º gol oficial, no Campeonato Paulista) e 1977 (quando assinalou o último, no Campeonato Norte-Americano), Pelé totalizou 720 gols em jogos de competições oficiais. Romário, que ainda está disputando o Campeonato brasileiro, totaliza 732 gols entre o primeiro (em 1985) e o de ontem. Com relação à artilharia de campeonatos, Romário também deixou o Rei para trás. Romário aparece como o goleador de 27 competições oficiais contra 24 de Pelé. Sem contar que, na Copa João Havelange de 2000, em que Romário foi artilheiro da divisão principal - ao lado de Dill e Magno Alves - os organizadores consideraram Adhemar, do São Caetano, que jogou os módulos azul e amarelo - na prática, primeira e segunda divisões - como o artilheiro. Romário de Souza Faria, 41 anos, o baixinho marrento, como alguns o rotulam, esse ser de cor parda, um jeito inconfundível de andar e a sua peculiar fala - parece ter a língua presa - entra definitivamente para a história. Não é todo dia que um atleta de futebol consegue chegar a marca de mil gols. O baixinho, definido por ele próprio, como favelado, pelo fato de ter nascido na comunidade carente do Jacarezinho - mudando três anos depois para a Vila da Penha, também no subúrbio carioca, onde passou a sua infância - sempre esteve acima da média e por onde passou encantou, encantou e encantou.

Começou a sua carreira no Olaria e, logo, se destacou, indo para o Vasco da Gama. Ali começava o seu reinado. Marcou pelo time da colina, incluindo o milésimo, 324 vezes. Estreou no profissional em 1985, aos 19 anos. Fazendo jus ao rótulo de marrento, chegou ao então técnico cruzmaltino Antônio Lopes e proferiu: "Professor me coloca no time, me deixa jogar, jogo muito mais do que este camisa dez". O camisa dez em questão era Roberto Dinamite, para alguns o maior ídolo vascaíno de todos os tempos. No começo de carreira, o baixinho aliava uma impressionante velocidade com a técnica apurada. O resultado: loucura e desespero para os zagueiros. Não demorou muito para que fosse negociado ao PSV Eindhoven, da Holanda. Lá, a rotina não muda. Gols, gols, artilharia e títulos. Marcou 165 vezes e permaneceu quase cinco anos no futebol holandês. Despertou a cobiça de outros grandes clubes internacionais, sendo contratado pelo Barcelona, em 1993. Pelo time catalão marcou 53 gols e, apesar do pouco tempo, cerca de dois anos, conquistou a torcida catalã e tornou-se o grande astro do futebol espanhol.

Recebeu, em 1994, o título de melhor jogador do mundo. No auge de sua carreira, retorna ao Brasil para jogar no Flamengo. E pelo time da Gávea marca 204 gols e conquista a maior torcida do Brasil. Os outros gols por clubes foram marcados no Valência (14); Fluminense (48); Miami (22) e Adelaide (1). Foram contabilizados, ainda, 77 gols pelas divisões de base e 21 em jogos festivos. Sem contar os marcados pela Seleção Brasileira.

A Seleção é um capítulo a parte na carreira do baixinho. Por ela marcou 71 gols e conquistou, volto a ressaltar, de forma bastante atuante, uma copa do mundo (1994). Sem contar que nas eliminatórias, no último jogo da seleção - no Maracanã - contra o Uruguai, quando a seleção precisava vencer, Romário estraçalhou a celeste olímpica. Deitou e rolou, fez de tudo um pouco. Só faltou fazer chover. Brasil 2X0. Ainda na seleção, foi o autor do gol que deu o título da Copa América de 1989, em cima do mesmo Uruguai, no Maracanã, depois de 40 anos de jejum.

Só me resta agradecer ao Romário por tanta alegria. Obrigado. Valeu peixe! No passado, ele afirmou que quando nasceu, Papai do céu apontou para ele e disse: "Esse é o cara". Começo a acreditar nisso. Ele é tão especial que Deus colocou em suas mãos uma criança portadora de síndrome de down e, a partir desse acontecimento, Romário, pelas suas próprias palavras, sentiu-se mais humano, feliz e menos estrela.

 


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