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Capa Memória Geral Os desafios e as mudanças no mundo pós-moderno
Os desafios e as mudanças no mundo pós-moderno Imprimir
Escrito por Anselmo Cunha   
Quinta, 26 de Maio de 2011 - 16:12

fredric-jamesonTeve início nesta segunda-feira (23/05) o ciclo de conferências do projeto cultural Fronteiras do Pensamento 2011. O primeiro convidado deste ano foi o pensador e crítico literário, Fredric Jameson, que trouxe à tona algumas questões do período pós-moderno relacionadas à arte, política, economia. O evento ocorreu no Salão de Atos da UFRGS.

Centenas de pessoas dirigiram-se ao local para prestigiar a 5ª edição do Fronteiras do Pensamento em busca de uma melhor compreensão sobre o ainda tão complexo tempo pós-moderno, o qual segundo alguns pensadores já faz parte do nosso dia-a-dia.

Para recepcionar os convidados, a pianista Simone Leitão abriu a conferência com a Sonata No. 2 do compositor e maestro russo, Sergei Rachmaninoff. Em seguida o apresentador, Tulio Milman destacou a presença do prefeito de Porto Alegre, José Fortunatti e do governador do Estado, Tarso Genro, o qual ressaltou a importância de eventos culturais como este para os gaúchos e aos brasileiros. "Eventos como este representam alicerces para um futuro mais democrático e amplo para o Estado e o País" ressaltou o governador.

Na seqüência, subiram ao palco a professora da USP, Maria Elisa Cevasco, mediadora do debate e o personagem principal da noite, o conferencista Fredric Jameson.

Jameson deu início à caracterização do período ao qual a humanidade se encaminha, a pós-modernidade, e ressaltou a sua associação com a globalização. Porém, deixou claro o a sua diferenciação. Segundo ele, o termo "pós-modernidade" refere-se à universalização das culturas e sociedades, enquanto o termo "globalização" está associado ao âmbito da economia.

Para explicar melhor esse conceito de universalização, o conferencista usou o exemplo da arte. Para ele, no período moderno os artistas procuravam suas singularidades, ou uma identidade diferenciada dos outros. Já no pós-moderno há exatamente o contrário, os artistas procuram unir essas polaridades conquistadas pelos modernos para, através dessa mistura, formar uma nova arte, um rearranjo que passa a ser denominado "instalação". Na modernidade, "a arte procurava conquistar suas próprias singularidades, seguindo cada uma para um lado. Mas no pós-moderno elas se reencontram para que através da hibridização formarem novas obras" explica Jameson.

O conferencista comentou também que para entender a filosofia pós-moderna é preciso também entender a situação sociopolítica da humanidade nesse novo processo. Temos como exemplo o fato de que nunca antes na história o homem foi tão imediatista. Essa forma de pensar pode ser perigosa já que deixa de lado o passado e as expectativas de mudanças para o futuro. Para Jameson, "o que se busca é uma intensidade do presente. O passado e o futuro são esquecidos".

Além disso, o pensador comentou que há chances da pós-modernidade enfraquecer os sentimentos de identidade dos indivíduos, visto que no mundo globalizado ele não divide mais espaço somente com os milhões de seu estado ou país, mas sim com bilhões espalhados por todo o mundo. "Não mais protegido por sua região e nação, o ser globalizado, em meio a bilhões, certamente terá de produzir algo novo para buscar uma identidade comum", argumentou o conferencista.

Para finalizar, Fredric Jameson respondeu a perguntas da plateia que gostaria de saber como a pós-modernidade afeta áreas como a música e o direito.

A próxima atração do Fronteiras do Pensamento será a iraniana ativista dos direitos humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003, Shirin Ebadi.

 


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