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Presídio Central cria ala exclusiva para dependentes químicos Imprimir
Escrito por Diogo Baigorra, Eduardo Oliveira e Janaína Eickhoff   
Quinta, 16 de Junho de 2011 - 16:21

003A saúde dos presos, em discussão desde o meio do ano passado, ganhou um novo espaço com a criação de uma galeria exclusiva para tratamento dos dependentes químicos. A iniciativa, inédita no país, tem o objetivo de livrar os presos do mundo das drogas e inseri-los novamente na sociedade.

De acordo com o diretor do Presídio Central, tenente-coronel Leandro Santini Santiago, o programa para tratar os dependentes químicos está dividido em três fases: na primeira, os presos são selecionados a partir de entrevistas realizadas pela Susepe, pelo psiquiatra responsável do Hospital Vila Nova e pelos responsáveis no Presídio Central. Na segunda fase ocorre a internação dos escolhidos, no Hospital Vila Nova, onde permanecem por 21 dias para a primeira etapa médica do tratamento. Santiago também relata que, antes do projeto, todo o tratamento era feito no hospital. Mas, tendo em vista a pouca segurança e as precárias condições físicas do local, houve a necessidade da transferência de uma parte do tratamento para o presídio. Na terceira fase, os presos retornam para o cárcere em uma ala separada, onde darão continuidade ao processo de desintoxicação, através de acompanhamento psicológico e assistência social.

A visita dos familiares é incentivada pelas coordenadoras do projeto, por ser considerada importante no desenvolvimento do tratamento. Entretanto, a assistente social, Elana Troglio, ressalta: "o fundamental é o preso ter vontade de fazer o tratamento. Ele não é obrigado".

O projeto que está em execução resulta de uma iniciativa conjunta que inclui a Secretaria da Segurança, através da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), o Presídio Central, a Secretaria Municipal da Saúde, a Secretaria Estadual da Saúde, o Ministério Público e algumas pessoas convidadas da área da saúde, Sanatório Partenon e Hospital Psiquiátrico Vila Nova.

Os coordenadores do projeto buscam, ainda, parcerias com empresas e instituições que possam oferecer emprego e cursos profissionalizantes para os presos, após terem cumprido a pena. Segundo o diretor do Presídio Central, a expectativa em relação ao projeto é proporcionar uma socialização do preso e dependente químico para que ele possa, depois de cumprida a pena, voltar ao convívio social, livre da dependência das drogas. "Existem vários grupos de trabalho para dependência química organizados por nós, mas são grupos de auto-ajuda, sem um acompanhamento médico específico. Fizemos algo diferente do que já estava acontecendo", afirmou o diretor.

 Infos

- Em 2010, 40% dos presos que entraram no Presídio Central por brigas estavam envolvidos com drogas.
- A média total de presos é de 4800, mas a capacidade do presídio é de 2100.
- A área interditada que poderia abrigar 1900 presos.
- A nova ala comporta 90 presos.
- No Hospital Vila Nova, havia capacidade para 200 presos. Por causa da área interditada, a nova ala também será utilizada para abrigar os presos idosos (28), os temporários (que só passam uma noite ou um dia) e os oriundos da Lei Maria da Penha.
-1/3 dos presos desiste do tratamento.

Fonte: Direção do Presídio Central

 


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