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Escrito por Andréia Lopes e Rodrigo Gil   
Sexta, 17 de Junho de 2011 - 16:08

dudu-purperParanaense de nascimento, gaúcho de coração. Eduardo Purper, ou Dudu, como é conhecido entre seus amigos, familiares e colegas de trabalho, prepara-se para retornar ao seu Estado de origem, no próximo dia em 30 de junho.

Jornalista e técnico do laboratório de áudio do Centro Universitário Metodista, do IPA, Dudu já conquistou muitas vitórias ao longo dos seus 25 anos, e, agora, vai enfrentar novos desafios.

Eduardo nasceu em Rio Negro, no Paraná, e veio ao Rio Grande do Sul quando tinha 5 anos de idade. Hoje, passados 20 anos, se diz assustado com esse retorno, e justifica: "aqui eu estou cheio de vida. Lá eu vou ter que começar do zero, vou ter de ressuscitar".

Ressuscitar nunca foi problema para Dudu. Diagnosticado com Paralisia Cerebral, desde o seu nascimento, Eduardo, que já sofreu com o preconceito, hoje se considera vitorioso, embora o caminho para a vitória não tenha sido fácil.

Em decorrência da doença, Dudu tem dificuldades motoras e visuais, e, quando o assunto é preconceito, ele desabafa: "o mais hipócrita é que as pessoas têm vergonha de falar na cara e acham que falando por trás estão resolvendo o problema, mas aí é que não estão, e esse é o verdadeiro preconceito".

Outro problema enfrentado pelo jornalista foi a inclusão social. Para Eduardo, trata-se de um processo que ainda precisa sair da teoria, pois "existe uma sutil diferença entre inserir e, realmente, incluir. Ao inserir, tu vais colocar um cadeirante, um surdo, ou um cego, no meio de pessoas sem deficiência. Muito bem. Só que essa não é a principal etapa". E ressalta: "o fundamental é ver o que cada deficiente precisa. Aí sim, tu estás incluindo".

No seu dia a dia, Dudu conta com o apoio do pai que o leva para o trabalho e o ajuda, mas, durante o seu expediente, faz tudo sozinho, e, por isso, ele acredita não ser bem aproveitado. "Aqui no trabalho, por exemplo, eu poderia ser muito mais importante do que realmente eu sou, se tivessem apenas algumas adaptações, como um programa de voz, que nós cansamos de pedir".

Atualmente existem Leis que garantem emprego, acessibilidade e protegem quanto a questões relacionadas ao preconceito, mas para ele, o pior, em Porto Alegre, está ligado à acessibilidade, "poucas vezes tu achas alguma casa noturna, teatro ou alguma coisa assim, que seja acessível, sabe? É muito complicado nesse aspecto", afirma.

Rumo à Curitiba, Dudu tem alguns projetos em mente. Otimista, mas realista, pretende desempenhar, em uma faculdade da sua futura cidade, o mesmo papel que já exerce no IPA, onde é auxiliar de locução dos alunos da disciplina de Radiojornalismo. Segundo o jornalista, já está em negociação, mas prefere não revelar o nome da instituição sem antes ter certeza. "Embora eu tenha ficado sete dias lá, em janeiro, e alinhavado algumas coisas, só poderei dizer que estou empregado, quando a moça do RH disser onde eu devo assinar", explica Eduardo com o seu bom humor. Ele também sinaliza que existe a possibilidade de se tornar professor. "A minha idéia é galgar espaços e fazer mestrado para, quem sabe, conseguir uma vaga como professor. Mas sei que eu tenho de batalhar muito pra isso".

Gaúcho de coração e apaixonado por belas mulheres, Eduardo diz que vai sentir saudades das gurias, bem como, dos colegas de trabalho e amigos. E sobre o futuro na nova cidade ele diz: "vou levar as experiências vividas aqui, para que as pessoas conheçam quem é o Eduardo, e vou tentar ser o melhor que eu puder".

O jornalista agradece a oportunidade de crescer junto à comunidade ipaense e diz que nunca esquecerá o que viveu no Centro Universitário Metodista.

Em seu novo lar, a partir de julho, Dudu espera a visita dos amigos saudosos, aqueles que, além de acompanharem a sua caminhada, sentem-se felizes com o seu crescimento.

Sucesso Dudu!

 


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