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Capa Memória Geral Alvo de críticas, o modelo educacional chileno está em crise
Alvo de críticas, o modelo educacional chileno está em crise Imprimir
Escrito por *Jair Farias   
Terça, 06 de Dezembro de 2011 - 14:22

chileAté então reconhecida por sua qualidade, ratificada por estudos internacionais, a educação no Chile está em xeque. Considerado obsoleto e desigual por boa parte da população, o modelo educacional de mercado, implantado na ditadura do general Pinochet e seguido até hoje pelo atual governo de Sebastián Piñera, impõe aos mais pobres uma educação deficitária e de má qualidade, promovendo ainda seu endividamento com o Estado. Em contrapartida, dá aos ricos um universo de boas possibilidades.

O modelo chileno baseia-se na separação das escolas em três grupos: as públicas ou municipalizadas, as privadas subsidiadas, onde os alunos recebem vouchers educacionais do governo, e as totalmente privadas, pagas com os recursos da própria família do estudante. A partir disso, com o passar dos anos, criou-se um antagonismo latente e que vem tirando o sono da sociedade chilena: de um lado, há as escolas reconhecidas até mesmo internacionalmente por sua qualidade, que são privadas; de outro, as que oferecem um ensino de péssima qualidade, as municipalizadas e as privadas subsidiadas.

Para a pedagoga e professora chilena, atualmente residindo no Brasil, Paula Fuenzalida, a educação chilena expressa uma estrutura de classes criticada internacionalmente. "Enquanto as escolas particulares oferecem um ensino de excelência, remunerando seus professores de forma justa e colocando seus alunos nos melhores postos de trabalho, as municipais e particulares subsidiadas estão desaparelhadas e remuneram mal os seus profissionais, logo, a qualidade do ensino é comprometedora", afirma a professora.

Outro fator que preocupa os chilenos é o endividamento das famílias com o Estado. Se por um lado o acesso à universidade atinge uma das mais altas taxas do mundo (aproximadamente 40% dos estudantes chegam ao ensino universitário), por outro acarreta no endividamento, tendo em vista os altos valores e juros que são cobrados nos financiamentos. De acordo com a pedagoga, as famílias chilenas precisam investir pesado para que os filhos estudem em escolas qualificadas.

A soma destes fatores fez com que se desencadeasse uma onda de protestos durante o ano em todo o país, onde os estudantes, apoiados pela população, exigiram melhorias na qualidade de ensino, educação gratuita, entre outras reivindicações. Pressionado, o governo de Piñera lançou, em 26 de agosto, um plano de reforma para a educação, que amplia bolsas de estudos e créditos a taxas mais baixas a alunos de baixa renda. No entanto, a proposta não foi bem recebida.

A polêmica segue e os protestos ainda ocorrem, porém, mais timidamente. Para Paula Fuenzalida, não existe vontade política por parte do congresso e do governo em solucionar o problema de forma efetiva. "Não há interesse por parte dos congressistas em reformar o sistema educacional do Chile, até porque muitos deles são donos de instituições de ensino, e a manutenção do modelo atual é benéfica, ao atender, em cheio, aos seus interesses", diz a professora.

Como se vê, Chile, Brasil e outros países da América Latina têm algo em comum: põem-se os lobos para cuidar das ovelhas.

* O texto do aluno Jair Farias foi produzido na disciplina
de Redação e Expressão Oral 2, em 2011/2.

 


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