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Escrito por Nícolas Andrade   
Segunda, 04 de Junho de 2012 - 23:15

fortunattiApós muitas discussões, o debate sobre ciclovias chegou à pauta da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, que deu mais atenção ás obras do Plano Diretor Cicloviário, aprovado em 2008. Com as novas medidas, aumenta o número de locais específicos para a circulaçãode bicicletas na Capital, entretanto, os usuários ainda não estão satisfeitos com as providencias tomadas.

Após o acidente que envolveu o grupo Massa Crítica, em fevereiro do ano passado, durante o seu passeio mensal, quando seis ciclistas foram atropelados por um carro, as bicicletas ganharam destaque nos noticiários.

A discussão sobre a situação dos usuários das bikes se mostrou intransferível e o prefeito resolveu agilizar medidas para proteger esta parcela da população. Para avaliar esse cenário, a Prefeitura apresentou o Plano Diretor Cicloviário que visa entregar à cidade de Porto Alegre 495 km de áreas especificas para os usuários de bicicleta.

De acordo com o Plano, novas ciclovias e ciclofaixas deverão ser criadas, e as já existentes passarão por reformas. E para facilitar a circulação de bikes, os corredores de ônibus serão fechados aos domingos e feriados.

Para o ciclista Alex Magnum, criar o espaço ajuda aos usuários combater problemas comuns durante os passeios. "Temos nossos problemas, mas creio que o maior agravante, além do asfalto precário em certos pontos, sejam os motoristas. Alguns motoristas são verdadeiros ignorantes. Nos fecham nas curvas, tiram fina em linha reta até mesmo quando a rua tá vazia".

Os motoristas também agradecem a separação de espaço. Para o vendedor, Marcos Rocha, atualmente é uma temeridade deixar as bicicletas andarem no meio do transito comum. "Nós motoristas somos responsáveis por pedestres e ciclistas, mas às vezes é complicado vê-los sem a sinalização devida. Creio que a criação das ciclovias torna as coisas mais seguras para todos".

Outro fator importante que contribui para a criação de novos espaços de locomoção é o transito caótico de Porto Alegre. Para o professor da UFRGS, especialista em Mobilidade Urbana, João Fortini Albano, a circulação de veículos em Porto Alegre está precária. "As principais vias arteriais estão congestionadas nos horários que vão além do pico. Prejuízos surgem com a perda de tempo, poluição do ar e consumo de energia além do necessário". Segundo o professor a criação de novas vias especiais para a bicicleta já melhoram as condições de mobilidade na capital.

Mesmo com as medidas tomadas, os ciclistas reclamam que as ciclovias acabam não tendo utilidade de locomoção, pois não se ligam entre si. Segundo, Marcelo Sgarbossa, do movimento Massa crítica, as áreas para ciclistas acabam perdendo muito em utilidade "Em Porto Alegre só tem ciclovia para lazer. Tem uma ciclofaixa no bairro Icaraí que é um problema, pois é estreita demais, e agora tem outra na Ipiranga que também é um problema, porque tem que se mudar de lado cinco vezes até chegar à PUC. Então, são ciclovias que estão sendo construída sem a opinião de nenhum ciclista". Para Sgarbossa, seria necessário que o governo ouvisse os ciclistas na hora de construir as novas faixas e vias.

Porto Alegre poderia se mirar em bons exemplos espalhados pelo mundo. Na Suíça uma campanha de conscientização das bicicletas no trânsito fez com que o movimento de ciclista aumentasse 70% em cinco anos.

Segundo o portal SwissInfo, as campanhas da "Pro Vello Suisse", que é o comitê responsável pelas associações ciclísticas do país, mostraram à população os benefícios de preferir a bicicleta. E por isso se valem de estudos para divulgar que bastam 30 minutos diários de bicicleta para aumentar a expectativa de vida e diminuir em até 2/3 as possibilidades de doenças cardíaca, além de ser uma forma de chegar mais rápido ao destino do condutor.

Já nos EUA todo dia 10 de maio é considerado o "dia de ir ao trabalho de bicicleta" ou "Bike To Work". Os americanos são incentivados a sair de casa e ir ao trabalho pedalando. Durante a semana do evento são feitas palestras e mostras sobre a importância da bicicleta para o transito.

Em diversas cidades brasileiras, um movimento convida as autoridades e a população em geral a deixar seus carros em casa e sair pedalando. É o "Dia Mundial Sem Automóvel", que ocorre anualmente, em 22 de setembro, data que marca o primeiro movimento ocorrido na França

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