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Capa Memória Geral O amor como forma de amenizar as dificuldades da vida
O amor como forma de amenizar as dificuldades da vida Imprimir
Escrito por Jair Farias   
Quinta, 16 de Agosto de 2012 - 15:49

vo-jairUm olhar doce, mas distante. Falas desconexas, recordações escassas de um passado difícil, repleto de tristezas e desilusões. Nem mesmo os poucos momentos de felicidade pairam mais nas lembranças de Eva Marina dos Santos Oliveira, pensionista, 94 anos, acometida pelo Mal de Alzheimer. "Ela também está com demência, além de não caminhar mais", diz Nara Helena Farias, filha e cuidadora da idosa.

Amada pelos filhos, netos e bisnetos, Vó Marina - como carinhosamente é chamada por todos -, é um exemplo de dedicação à família e uma prova de que é possível amar e ser feliz mesmo com os duros golpes que a vida impõe. Teve de encarar desde cedo as armadilhas do destino. Perdeu o pai com oito anos, passou dificuldades financeiras e aos 12 teve de abandonar os estudos para trabalhar e ajudar a mãe. "Ela sempre nos disse que deixar os estudos foi um erro, por outro lado, não tinha escolha: ou trabalhava ou passava fome", conta a neta Nara Farias.

O amor à família é onipresente na trajetória de vida de Eva. Cuidou das três filhas do irmão como se fossem suas e sofreu demais com a morte delas, falecidas em um intervalo de 15 anos, sendo a última em 2010. Também foi responsável pela criação de Maribel e Vanessa, filhas de Arnaldo, seu primogênito, e de Jair, Nara e Rafael, filhos de Nara Helena, com quem mora há mais de três décadas. Até os 90 anos era a responsável pela cozinha na casa da filha. Não só fazia a comida, como também lavava a louça. De lá para cá foi acometida por uma série de doenças, em decorrência da idade avançada. Tem passado por longos períodos de internação e sofrendo muito. "Ela tem raros momento de lucidez e fala bastante em pessoas que já se foram. É muito triste para nós vê-la nesta situação", afirma o neto Rafael Farias.

Mesmo com os sintomas do Mal de Alzheimer, Eva não se esquece da frustração que foi sua vida amorosa. Amava um rapaz chamado Osmar, mas ele não a queria. Casou-se, por imposição da mãe, com Valdemar, sem amar o noivo. Da relação, além de Arnaldo e Nara, o casal teve Ronaldo, que morreu aos cinco anos de idade de forma trágica. "O fato aconteceu em um dia 12 de outubro. Ela saiu comigo e com os meus dois irmãos para passear e, quando íamos atravessar a rua, o Ronaldo soltou a mão dela e correu para frente. Um caminhão que passava naquele exato momento o atropelou. A morte dele foi instantânea", relata Nara Helena. "Até há bem pouco tempo, quando ela ainda estava lúcida, volta e meia se lembrava do filho morto e chorava. O sofrimento dela era de cortar o coração", conta Jair Brum, ex-genro de Eva.

Um ano após a morte do filho, outra perda: desta vez o marido, morto em decorrência de problemas cardíacos. "Mesmo assim, e com a ajuda providencial da família do irmão, ela teve forças para dar a volta por cima e criar os dois filhos", afirma Nara Helena. Para os familiares de Eva, o momento é de retribuir e demonstrar gratidão. E isso só é possível com muito afeto e paciência. "Procuramos cercá-la de carinho e atenção, dando a ela todo o amor que temos em retribuição ao que ela fez por nós", complementa a filha.

 


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