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Capa Memória Geral A previsão Maia do fim dos tempos
A previsão Maia do fim dos tempos Imprimir
Escrito por Thamires Rosa   
Terça, 27 de Novembro de 2012 - 09:39

maiasDia 21 de dezembro de 2012, segundo a Profecia Maia, é a data em que encerrará um ciclo e mudanças drásticas acontecerão, deixando para o futuro um mundo diferente do que hoje conhecemos. Entretanto, a crença na data é pequena. Um levantamento realizado pela agência de pesquisas Ipsos Global Public Affairs mostra que apenas 15% da população mundial acreditam que algo irá acontecer no mundo ainda em 2012 e 1O%, mesmo não acreditando na profecia, sentem-se temerosos e ansiosos pela data. A pesquisa ainda revelou que pessoas com baixa escolaridade ou renda e com menos de 35 anos são as mais predispostas a crer no fim dos tempos. A previsão do fim dos tempos também não encontra respaldo em doutrinas religiosas, como a católica e a umbandista.

O pároco da Paróquia Jesus Divino Mestre, de Porto Alegre, padre Marcus Vinicius Kalil, afirma que a Igreja Católica acredita que a história e o mundo estão nas mãos de Deus, Mestre e Senhor da história. "Ele irá um dia voltar para julgar a todos no assim chamado juízo final, porém não existe uma data marcada para que isso aconteça", explica. O padre afirma que as pessoas devem ter fé e não acreditar em tudo que se fala nos meios de comunicação.

Embora a opinião do orientador espiritual do Centro de Umbanda Ogum Três Poderes, Luiz Waldoir de Souza Castro, seja diferente, ele também não acredita no fim dos tempos. Para o umbandista, o mundo sofrerá mudanças significativas que já estão acontecendo e que foram alertadas pelos espíritos, antes mesmo da profecia vir à tona. "Tem muita coisa para acontecer, não acredito no fim do mundo, na destruição total, mas esses desastres naturais e tragédias, segundo as entidades deixaram a entender, vão continuar. As coisas irão sair do normal", comenta.

Para além dos argumentos religiosos, também existe fundamentação histórica, que salienta que o calendário Maia foi interpretado de maneira equivocada, portando o mundo não estaria no seu fim. Segundo o acadêmico do curso de História da Universidade Luterana do Brasil, Vinícius Marques Moreira, existem os calendários circulares e os lineares, dentro da cultura maia. O calendário de longa contagem que termina em 2012, de acordo com estudiosos que não vêm à questão como algo catastrófico. "Simboliza apenas o fim de uma era, e a entrada em outra", comenta. Vinicius ainda salienta que entre os estudiosos do assunto não existem especulações e teorias mirabolantes sobre o fim do mundo como conhecemos. "Mas e se essa mudança era realmente simbolizar uma alteração na forma como a sociedade interage com o mundo?", indaga Vinicius.

Apesar das opiniões contrárias até mesmo de historiadores e estudiosos sobre o assunto, o município goiano de Alto Paraíso está recebendo inúmeros novos moradores que acreditam que, por estar em uma altitude superior a 1,6 mil metros, a cidade estaria a salvo das tragédias climáticas. Além disso, movimentos esotéricos consideram a região, que possui um imenso lençol subterrâneo de cristal e está localizado no paralelo 14, o mesmo de Machu Pichu, sagrada e privilegiada.

Quem eram os Maias

A civilização maia foi uma cultura pré-colombiana, ao contrário do que se pensam os maias não eram um único povo, mas sim vários grupos étnicos que tinham uma mesma origem linguística e cultural. Habitaram partes da América Central, e sul do México, zona das florestas tropicais das atuais Guatemala e Honduras e a península de Yucatán no México. Conhecida por sua língua escrita, arte, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos.

Os maias possuíam mais de um calendário, em geral dividido em meses de 20 dias. O ano astronômico de 365 dias, denominado "Haab", era acrescentado ao ano sagrado de 260 dias chamado "Tzolkin". Este último regia a vida da "gente inferior", as cerimonias religiosas e a organização das tarefas agrícolas.O ano "Haab" e o ano "Tzolkin" formavam ciclos ao estilo de nossas décadas ou séculos, mas contados de vinte em vinte, ou integrados a cada 52 anos.

O Chuen-Count é o sétimo calendário maia conhecido até agora. Parece ser um calendário escrito de forma especial, reservado aos sacerdotes. Ele registra os movimentos dos planetas sobre as datas e eventos celestes. Existem, portanto os calendários circulares e os lineares, dentro da cultura maia, e esses eram utilizados complementarmente..

Já tratando de períodos maiores, os maias utilizavam a chamada Conta Longa, que é dividida em inúmeras unidades de tempo, porém, a mais importante é o "banktun" (que constitui 144 mil dias). Com essa unidade, as maiorias das cidades assumiam que 13 "banktunes" equivalem a uma era, que, segundo seus cálculos, no dia 21 de dezembro se finaliza a vigente. Em seguida, deve começar outro ciclo.

O futuro da humanidade

É visível que o mundo, devido à ação do homem e a busca incansável pelo poder, não é mais o mesmo de dez anos atrás, tudo muda constantemente e as alterações feitas na natureza estão cada vez mais cobrando seu preço. Além disso, as guerras não cessam, o mundo indiscutivelmente está ruindo e se transformando. "A liberdade é o dom que nos faz poder optar pelo certo ou errado, pelo bem ou mal. Nem sempre o homem soube usar bem a sua liberdade. Assim não demoramos em perceber que o homem se torna um agente de destruição ao invés de ser um colaborador e cooperador na obra da criação", afirma Padre Marcus Vinicius, que orienta a seus fiéis a praticarem sempre a caridade e o amor e estarem preparados para o encontro com Deus, independente de qualquer profecia existente.

O umbandista Luiz Waldoir tem uma opinião semelhante. Para ele, as pessoas estão perdendo valores essenciais e essas catástrofes virão como meio de mudar a atitude das pessoas para construir um mundo melhor: "Acredito que vai haver um retrocesso e vamos começar a fazer a coisa direito", completa.

Esta não é primeira vez que existe uma especulação sobre o fim do mundo. As opiniões como sempre estão divididas e de uma maneira ou outra estão todos um pouco apreensivos com a possibilidade de uma destruição total ou de mudanças radicais no planeta. Profecia aparte, a opinião unânime entre religiões e leigos é que é preciso uma tomada de consciência e uma mudança urgente de hábitos que tanto degradam a natureza e prejudicam os seres. Ninguém é todo da verdade, tão pouco os Maias eram, o que resta é aguardamos o dia vinte e um de dezembro de dois mil e doze, cada religião e cada pessoa a sua maneira.

 


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