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Controle de natalidade para quem? Imprimir
Escrito por Charline Bicca   
Segunda, 03 de Dezembro de 2012 - 11:35

bebesA Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório apontando que o planeta chegaria à marca de 7 bilhões de pessoas em 2012. O texto fez uma análise sobre a situação da população no mundo: "Os países menos desenvolvidos continuam com os piores índices de desigualdade social e crescimento da população." O relatório ressalta que "as lacunas entre ricos e pobres estão crescendo''.

Segundo o IBGE no Brasil, a taxa de filhos por mulher hoje é de 1,9, o que é considerado uma queda, se comparado com os 2,3 dos anos anteriores, o que representa uma queda de 23%, porém, observa-se também, que este dado não é homogêneo, ou seja, enquanto há casais nas mais altas camadas da sociedade com apenas um filho, há mulheres abaixo da linha da pobreza, sem estudo e sem orientação sobre métodos contraceptivos, que têm a prole constituída por mais de cinco crianças.
Este é o caso da dona de casa Maria Janete Freitas, que aos 41 anos é mãe de nove crianças:

"Eu já tinha seis filhos – Gabriel, 13, Claudia, 12, Fábio, 10, David, 9, Victor, 7, e Vagner, 6 - quando sem querer fiquei grávida de novo e tive os trigêmeos - Márcia, Cintia e Marcos, hoje com quatro anos-". Na época, o pai das crianças, o entregador de gás José Silva, 44, foi pego de surpresa. "A vida, que já era difícil, depois do gêmeos ficou ainda mais complicada. Não temos condições de arcar com essas despesas." A família que hoje conta com a ajuda de programas do governo e doações para viver diz ter aprendido a lição e hoje já está na fila do Sistema Único de Saúde para fazer a laqueadura de Rejane, que, segundo ela, não era uma possibilidade que havia pensado antes de ter os nove filhos: "Eu vim do interior e nunca pensei em fazer alguma coisa para não ter filhos".

Segundo a médica coordenadora do programa do "Clubinho do Bebê", da Secretaria de Saúde de Viamão, Letícia Silveira, este problema de natalidade sem freios, que é aparentemente tratado como particular de cada mãe e suas famílias gigantescas, traz à tona uma gama de outros problemas, que, sim, afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

Na avaliação da médica, o efeito cascata vem com a superlotação nos hospitais públicos, a falta de remédios para atender a demanda desta população, a falta de vaga nas escolas, o transporte coletivo que não está preparado para carregar decentemente este número de passageiros que cresce vertiginosamente e, por fim, o mercado de trabalho que não tem como absorver o número de jovens que diariamente completa 18 anos, precisa trabalhar e, na sua maioria, filhos dessas famílias desorganizadas e mal direcionadas e, por vezes, não possuem a qualificação necessária para que este ingresso aconteça. "Aqui recebemos pessoas precisando de todo o tipo de apoio, são tanto meninas com menos de 14 anos, que estão grávidas e precisam de pré-natal, como mães mais experientes , com mais de cinco filhos e precisam de encaminhamento para programas de assistência financeira do governo".

Na contramão desses casos e números que engordam as estatísticas, estão as pessoas que defendem a condição de childfree (que em tradução livre, quer dizer sem filhos), como é o caso do casal de publicitários gaúchos Daniela Araújo,29 e Rubens Pereira, 31, que atualmente reside em Blumenau (SC), e se diz muito feliz com a escolha, embora ainda sofra preconceitos por parte da sociedade: "É muito chato ver que as pessoas ficam horrorizadas quando dizemos que não queremos ter filhos, parece que somos pessoas ruins por isso. Mas já aprendemos a não dar bola para a opinião dos outros", diz Rubens. Daniela conta que tem vários casais de amigos que estão optando pelo mesmo estilo familiar: " Lembro de pelo menos mais umas três famílias que convivem conosco e que também não querem ter filhos. Afinal, nós vemos tanta atrocidade acontecendo, que preferimos poupar outras vidas não trazendo mais seres humanos ao mundo."

Essa mentalidade não é incomum, porém, é mais encontrada nas famílias com mais possibilidades financeiras e mais grau de instrução, explica o geógrafo estudioso do assunto, Giuberto Torres. "Além disso, a ONU já chegou a sugerir controle de natalidade até mesmo para combater o aquecimento global, então está na hora de pensarmos no assunto com seriedade."

 


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