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Psicologia do IPA auxilia na tragédia de Santa Maria Imprimir
Escrito por * Gabriel Bocorny Guidotti   
Terça, 26 de Março de 2013 - 13:38

montagem-smA tragédia de Santa Maria jamais será esquecida. Com a proporção tomada pelo acontecimento, muitos voluntários se dispuseram a prestar auxílio e, com o seu espírito de solidariedade, puderam ajudar a diminuir a dor de familiares. No Centro Universitário Metodista - IPA, não foi diferente. Através do curso de Psicologia, com o apoio da reitoria, foi oferecido todo o suporte a parentes que acompanhavam as vítimas nos hospitais de Porto Alegre.

Tudo começou no final de janeiro. A coordenadora do Serviço Escola de Psicologia do IPA, professora Cristina Kern e professor Leandro Feix do Curso de Psicologia, chocados com a tragédia ocorrida na boate Kiss, se comunicaram para auxiliar de alguma forma as pessoas envolvidas no acontecimento. Em contato com o Conselho Regional de Psicologia, que já havia enviado voluntários a Santa Maria, receberam a resposta de que já havia gente suficiente na cidade. Era necessário fazer algo em Porto Alegre.

Curso especial para atendimento psicológico

Na capital, os professores decidiram criar um curso para qualificação de voluntários que desejassem acompanhar os familiares que estavam chegando aos hospitais. Sob o tema "Primeiros Socorros Psicológicos - Aspectos Técnicos", o curso ocorreu no Auditório Oscar Machado, em 29 de janeiro e, em razão da instantaneidade dos acontecimentos de Santa Maria, sua divulgação teve de ser feita em um prazo curtíssimo de tempo e somente pelas redes sociais. Ministrado pelo professor Leandro Feix, o encontro teve carga horária de seis horas, contando com cerca de 84 profissionais voluntários – professores, alunos e egressos. O objetivo foi capacitar psicólogos para lidar com a gravidade da tragédia em Santa Maria.

O professor Leandro conta que estava em férias quando soube da notícia pela TV e ficou preocupado com a questão da saúde mental. Ele afirma que a maior dificuldade para as vítimas, neste momento, é suportar o stress pós-traumático, o qual pode aparecer semanas, meses ou até anos após a tragédia. "Quando temos uma situação catastrófica, o impacto desse trauma pode se estender por um longo período". O professor informa ainda que está sendo desenvolvido um novo curso sobre tratamento de traumas, para casos futuros. "O primeiro foi emergencial; o segundo é para afirmar".

Foi pela Internet que a professora Cristina Kern tomou conhecimento da tragédia e, na sequência, tratou de buscar mais informações. Ela explica que havia muitas pessoas dispostas a ajudar, mas, em função da questão emocional, um preparo mais próximo era necessário, pois, caso a abordagem não fosse adequada, os sintomas psicológicos poderiam se agravar. Cristina também ressalta que o trauma não é só das pessoas que estão ligadas afetivamente aos que morreram, pois existe também um efeito traumático coletivo a todos que tomaram conhecimento do fato. "Estamos muito pouco preparados para a tragédia. Por um lado, pelo impacto emocional violento; pelo outro, pois precisamos nos instrumentalizar melhor para casos assim", finaliza.

Sobre o curso, a aluna de Psicologia do IPA, Pâmela Nische, garante que foi gratificante, pois deu um enfoque especial no preparo do profissional para lidar com luto e trauma, temas que são de grande relevância para a formação em Psicologia. "Foi muito importante para atualizarmos conhecimentos que já havíamos estudado no decorrer do curso e também para proporcionar um atendimento qualificado às vítimas". Para Celina Paes, que também é estudante de Psicologia, a iniciativa foi muito rica em informações, pois foram retomados desde conceitos básicos da psicologia. "Após a tragédia de Santa Maria, eu participei de outras palestras que estavam disponibilizando em outras instituições, mas o oferecido pela Coordenação de Psicologia do IPA foi o mais completo", diz.

Alojamento

O IPA, além de apoiar a iniciativa do curso de Psicologia, também ofereceu alojamentos e serviço psicológico aos parentes das vítimas, na Unidade Central IPA/Dona Leonor. No alojamento, foi oferecido aos familiares todo o suporte de alimentação, quarto, banho e acompanhamento psicológico. Duas familias ocuparam os espaços cedidos, de modo que ainda resta uma aguardando notícias no Hospital de Clínicas em Porto Alegre. Gabriela Silva, psicóloga do Serviço Escola Psicologia, foi uma das voluntárias que acompanhou os parentes na capital. "Nosso objetivo era fazer um acolhimento e mostrar que seria providenciada toda uma estrutura para recebê-los". Da mesma forma, as outras psicólogas do setor, Cristiane Felipe e Ana Ramos, assim como os professores Cristina Kern e Leandro Feix, participaram deste processo.

A família que ainda permanece no alojamento Unidade Central IPA/Dona Leonor é a de Joice Ferreira, natural do Alegrete. Joice está na capital para, na companhia dos pais acompanhar o estado de saúde de Kellen Ferreira, sua irmã de apenas 19 anos, que estudava em Santa Maria. Kellen estava na boate Kiss e teve sérias queimaduras. Com uma alegria incomum, Joice diz com satisfação: "sempre me orgulhei da vontade dela de viver". Kellen, felizmente, está fora de perigo.

Sobre o auxílio prestado pelo IPA, Joice é taxativa em agradecer o que foi proporcionado aos seus familiares: "O atendimento foi maravilhoso em todos os sentidos, foi Deus que colocou a instituição em nosso caminho. Não apenas pelo alojamento, mas também as palavras de carinho. Isso foi um conforto a mais após tudo o que passamos".

Homenagem da Prefeitura de Porto Alegre

O Centro Universitário Metodista - IPA foi a única instituição de ensino a oferecer alojamento aos familiares que acompanham as vítimas de Santa Maria nos translados aos hospitais de Porto Alegre. Como forma de agradecimento pela ação, a Secretaria Municipal de Saúde prestou, no dia 5 de março, uma homenagem à instituição. Em uma cerimônia que contou com a participação do prefeito José Fortunati, o IPA recebeu um certificado de agradecimento do município pelo trabalho prestado. Representaram a instituição, o reitor do Centro Universitário Metodista - IPA e diretor da Faculdade Metodista de Santa Maria (FAMES), Roberto Pontes da Fonseca; a coordenadora de Graduação, Luciane TorezanViegas, e a diretora de Unidade do Instituto Metodista Centenário, Luciana Campos de Oliveira Dias.

E assim, apesar desta tragédia que marcou o Rio Grande do Sul, o IPA mostrou que ainda existe espaço para a solidariedade. Em um momento onde o Estado se uniu, o Centro Universitário Metodista deu um exemplo aos seus alunos de que o caráter humanitário está acima de qualquer interesse pessoal.

A comunidade Metodista, entretanto, também perdeu alunos da Faculdade Metodista de Santa Maria - Fames na tragédia da boate Kiss. E entre eles, os alunos Natan Pereira Canto (Direito), Vinicius Montardo Rosado (Educação Física), Walter de Mello Cabistano (Direito), e a aluna egressa do curso de Educação Física, Mariana Pereira Freitas.

 

* Gabriel Bocorny Guidotti é aluno do 3º semestre do curso de
Jornalismo e estagiário da Agência Experimental de Jornalismo - AJOR

 


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