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Debate sobre cibercultura e ética hacker abre o Conexões Globais Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Sexta, 24 de Maio de 2013 - 11:48


foto5No mundo digital, cada cidadão é também um produtor de conteúdo, cultura e informação. A cultura acadêmica e a cultura hacker estão ligadas aos fundamentos da internet desde o princípio. A atuação em rede é baseada em princípios como colaboração, horizontalidade, transparência e descentralização. Os indivíduos estão empoderados de forma inédita e com capacidade de comunicação global, sem intermediários. Que novidades este novo arcabouço filosófico hacker traz para o exercício social?

Com este mote, o assunto “Cibercultura e ética hacker” abriu os trabalhos no Conexões Globais de 2013. O encontro contou com a participação dos debatedores Alfredo Manevy, Fábio Malini, Mario Teza e Juliana Foernges. A mediação foi feita por Pablo Lorenzzoni.

O que é um hack?

Pablo Lorenzzoni, sócio-fundador da Associação Software Livre.Org e integrante do Comitê Organizador do Fórum Internacional Software Livre, começou a discussão relembrando os primórdios da internet e definindo o conceito de “hack”. Muitas vezes tido dentro de uma ideia pejorativa, o verbo hackear submete, na verdade, uma noção de ativismo digital. Como exemplo, o palestrante citou que não existem hacks apenas em computadores, mas também em muitas construções históricas. É o caso do Pensador de Rodin. “Da pedra se pôde tirar vida. O mesmo vale para a internet”.

Segundo Pablo, o hacker verdadeiro não busca destruir dados – este seria o cracker. Ao contrário, um hacker sonha transformar realidades abstratas em concretas. “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, encerrou citando Voltaire.

A ideia de uma ética hacker na política

“A ética hacker revigora a política”. Esta foi a primeira frase de Alfredo Manevy, professor de Políticas Culturais no Curso de Cinema da Universidade federal de Santa Catarina (UFSC). Manevy citou o Ministro Gilberto Gil que, segundo ele, analisou em sua gestão a cultura sob uma perspectiva hacker – ampla e compartilhada. Essa ética, entretanto, abriu espaço para um debate público que as pessoas ainda não estão preparadas.

Analisando o assunto sob a luz do Direito Autoral, o debatedor afirmou que a atual legislação não condiz com a lógica hacker. Como forma de moldar a lei conforme a nova realidade, propôs uma consulta pública, uma altercação que envolveria todas as esferas da população. “A questão autoral era tratada como uma questão jurídica; hoje, contudo, a discussão ficou maior”. Manevy enfatiza que o Direito Autoral deve se coadunar com o direito à cultura, pois na era dos compartilhamentos da internet, o autor e o ativista seriam os elos fracos – um por ver seus trabalhos sendo divulgados sem autorização; o outro por obstaculizar o processo cultural. “A lei do Direito Autoral é elemento central no ordenamento, mas seu texto atual limita o acesso à cultura”.

O pensamento hacker e o mundo social

A inserção no debate de Mário Teza, membro fundador do Projeto Software Livre Brasil, foi seguida de uma frase marcante. “Cada vez mais a forma de pensamento hacker está dominando o mundo social”. Para ele, o que define a cultura é a ideia de compartilhamento promovida pelo cotidiano da internet. A curto e longo prazo, o compartilhamento seria o elemento em maior ascensão no meio digital.

O debatedor garante que este é um processo necessário tendente apenas a se amplificar. “Colaborar é melhor que se isolar”. Segundo ele, o conceito de compartilhamento é um dos principais predecessores de movimentos sociais nascedouros da internet. A propagação de conteúdo, nesse contexto, teria ingerências significativas também na política, economia e cultura. O debatedor finalizou sua explanação citando o surgimento das novas tecnologias como instrumento essencial, afirmando que as inovações permitem a criação de novos movimentos.

Internet e a Lei de Acesso à Informação

Representando a Casa Civil, a subchefe de Ética, Controle Público e Transparência, Juliana Foernges, comentou o aniversário de um ano da Lei de Acesso à informação e a necessidade da administração se adequar as novas necessidades e às novas legislações. “Em primeiro lugar, é preciso mudar uma cultura”. O objetivo do governo é definir aquelas informações que a sociedade necessita e quer saber, buscando um processo límpido de transparência. A legislação completou um ano, mas para Foernges ainda há muito por fazer. “Temos certeza que o engajamento dos jovens será um passo importante para fazermos um mundo transparente e melhor”, finalizou.

Ética hacker em perfis de redes sociais

Os perfis em redes sociais são parte importante da vida digital. Entretanto, até que ponto a ética dos perfis atualiza a ética hacker? Fábio Malini, Jornalista multimídia e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), comenta que o gerenciamento atual de informações permitiu o surgimento de um novo contexto. “As redes de compartilhamento constroem eixos de sistema”, afirma. Segundo ele, a ética dos perfis é aquela que busca hackear a atenção gerindo uma tríade fundamental na era da internet: anonimizar, vazar e ocupar. Como exemplo, lembrou uma famosa hashtag no Twitter sobre o caso dos índios Guaranis Kaiowás: “#somostodosguaranikaiowas”.

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