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Ventos a favor do meio ambiente Imprimir
Escrito por Tatiana Prisco Nassr   
Segunda, 15 de Junho de 2009 - 18:06

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Com as grandes mudanças climáticas e as conseqüências impactantes trazidas principalmente pelo aquecimento global, a sociedade vive em constante busca por meios de desacelerar e reverter esse processo. O homem dispõe de uma grande diversidade de fontes renováveis de energia, como a energia eólica, que além de não-poluente está disponível em várias regiões do mundo. 

A energia produzida pelos ventos é considerada a mais limpa do planeta e pode atender tanto a grandes demandas de consumo como abastecer pequenas populações. Seus benefícios começam por aí, já que dessa forma a energia pode alcançar as áreas rurais, evitando o superpovoamento urbano e gerando mais empregos. Se comparada, em relação ao custo, às energias não-renováveis como a produzida em usinas nucleares, a eólica exige um investimento inicial mais alto, mas o custo de manutenção e operação compensa a longo prazo. A vantagem sobre as hidrelétricas está na preservação ambiental: a construção de aerogeradores não impede o desenvolvimento da agropecuária local e não prejudica o meio ambiente.

No Brasil, existem algumas iniciativas voltadas ao desenvolvimento da produção de energia eólica. Entre elas, o programa de apoio a investimentos em fontes renováveis de energia elétrica criado pelo BNDES e o projeto do Ministério de Minas e Energias para a diversificação da matriz energética nacional, o Proinfa, mas que, até agora, apresenta um histórico de problemas que interferem no seu funcionamento efetivo. No geral, falta à sociedade e, principalmente às autoridades brasileiras, a consciência da importância de investir na produção de energia eólica, fato confirmado por um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe): o potencial eólico do Nordeste brasileiro poderia suprir quase dois terços de toda a demanda nacional por eletricidade, mas o país utiliza apenas 1% dessa capacidade. Ainda nessa pesquisa, foi constatado o grande potencial do Brasil neste quesito: mais de 71 mil quilômetros quadrados do território nacional, abrangendo principalmente a costa Nordeste, contam com velocidades de vento superiores a sete metros por segundo, ou seja, ambientes propícios para a produção de energia eólica. O Ministério de Minas e Energia confirma esses dados, estimando o potencial eólico do Brasil em 143 GW (gigawatts), apenas na área "onshore" (em terra firme). Como complemento, o oceanógrafo Felipe Pimenta realizou um estudo inédito na região sul, que identificou um potencial "off-shore" (nos oceanos) de aproximadamente 100 GW (gigawatts).

Pelo menos aqui no estado estamos fazendo a nossa parte. No início deste ano, ao visitar o Parque Eólico de Osório, o maior da América Latina, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, reconheceu a importância da energia eólica, principalmente para a sustentabilidade econômica. A construção em Osório, composta de 75 turbinas, tem potência instalada de 150 megawatts (MW), mas um projeto de duplicação do empreendimento já foi apresentado. Com R$800 milhões investidos, a previsão é de que ainda neste ano o nosso Parque Eólico tenha 300 megawatts (MW) de potência, quantidade equivalente ao consumo residencial anual de aproximadamente um  milhão e 300 mil pessoas, ou 375 mil residências de um município como Porto Alegre.

O desenvolvimento do mercado da energia eólica no Brasil é uma realidade. No entanto, para expandi-lo é preciso criar políticas de incentivo. No relatório “A Caminho da Sustentabilidade Energética”, divulgado em maio, o Greenpeace alerta para a necessidade da aprovação de uma lei nacional de energia renovável, que viabilizaria a participação de pelo menos 20% das fontes renováveis na matriz elétrica até 2020. Ainda neste texto, são apontadas algumas sugestões para o fortalecimento da indústria renovável, como “preços coerentes, incentivos fiscais, leis locais que criem condições para o estabelecimento de fabricantes e internalização de benefícios sociais e ambientais na tarifa”. 

Em novembro deste ano, está confirmado o primeiro leilão de energia eólica no Brasil. O evento tem como objetivo inserir na matriz energética brasileira esse tipo de energia. Entre as orientações incluídas na proposta, estão diversas recomendações feitas pelo Greenpeace em seu relatório, como o estabelecimento de um programa de aquisições de energia com prazos e quantidades definidas, remuneração adequada do investimento e acesso facilitado à rede elétrica para os geradores.

Bons ventos sopram no Rio Grande do Sul!

 


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