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Universidade, pra que te quero? Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Terça, 17 de Junho de 2014 - 12:41

uam-02O que os especialistas chamam de mal do século, a depressão, é uma doença grave. A perda de familiares e amigos, a diminuição da autonomia, da capacidade funcional e o isolamento, fazem com que, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, 15% dos idosos apresentem os sintomas crônicos desta enfermidade. É através de atividades como yoga, ginástica, literatura, cinema e rádio do Programa de Extensão da Universidade do Adulto Maior, a UAM que centenas de idosos, há 10 anos, superem perdas de familiares, doenças e a solidão, dando um novo sentido às suas vidas, com as aulas que frequentam diariamente no Centro Universitário Metodista do IPA.

Vida! Essa é a resposta de Raquel Spritzer, uma senhora de 80 anos, aposentada, e com um sorriso fácil, ao ser questionada sobre o principal benefício que a UAM lhe traz. Maria José, 74 anos, no curso desde o seu começo em 2003, complementa o depoimento da colega: "Isso faz parte da nossa vida. É fundamental para nós. Cada qual com seus problemas de vida; uma ajuda a outra, o que resultou numa irmandade".

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Eles beiram os 60, 70, 80 e há quem ultrapasse os 90 anos. São alegres, comunicativos e cultos. Cada qual com seus conhecimentos e experiências em múltiplas áreas como: medicina, letras, pedagogia, história, entre outros. Boa parte do grupo de aproximadamente 200 alunos já curte seus netos, bisnetos e todos têm muitas histórias para contar. Assim se caracteriza o grupo do projeto educacional voltado a terceira idade.

Lisete Ghiggi, que é professora do curso, comenta: "Eles frequentam as aulas do seu centro de interesses, que inclui atividades físicas como: natação, hidroginástica, yoga postural e pilates em solo. Também podem aperfeiçoar ou aprender novas línguas, informática, literatura ou assistir a filmes e depois comentá-los, sob a orientação de um professor especialista, e até cantar no coral da UAM". Em sua grade curricular, duas disciplinas chamam a atenção, ao associar corpo e mente: Memória e Reciclagem do Pensamento e Corpo e Memória em Ação.

A interação entre os alunos e professores tem sido a grande responsável pelas histórias de superação existentes no grupo. Declara Antônio Vial, bancário aposentado, natural de Soledade, e há 47 anos morador de Porto Alegre. Ele conta que seu ingresso se deu através de uma história triste. "Em março de 2009, a minha esposa faleceu, rapidamente, em menos de 24 horas. Depois de 55 anos de casados, bem felizes, eu entrei em um buraco, sem luz no fim do túnel e passei dias recolhido, muito triste. A situação era muito difícil. Então resolvi voltar a fazer o curso de italiano que já fazia antes. Encontrei lá vários amigos, um deles, aluno da UAM, que me falou sobre o curso. Eu vim e me matriculei no segundo semestre de 2009. Foi muito bom, me ajudou sair daquela tristeza, daquela depressão, fiz muitos amigos e amigas", relata o sorridente Vial.

Conceição Freire da Silva, uma senhora de 80 anos, conta que os filhos não a deixam abandonar o curso. E, embora tenha dificuldades de locomoção, não perde as aulas que frequenta semanalmente, e justifica: "Aqui me tornei muito feliz, venci minha solidão, pois vivia sozinha. Estou aqui para continuar vivendo, achei um sentido maravilhoso para a vida. Colegas ótimos e professores melhores ainda. Deixei de ser resmungona e hoje vivo alegre e contente", conclui Conceição, em um tom de voz simples e emocionado.

De acordo com a psicóloga Rosane Zigunovas, a depressão tem fatores fisiológicos e emocionais. A depressão apresenta melhoras com atividades que incentivam o convívio social, as relações de amizade e que estimulem o sujeito a integrar-se de forma ativa e crítica na sociedade. As possibilidades de trocas afetivas e cognitivas são fundamentais, e destaca: "É possível uma pessoa sair de um quadro de depressão sem uso de medicações, apenas tendo uma mudança em suas atividades e em seu ambiente". E a receita da psicóloga é realizar atividades que propiciem uma interação social de qualidade, que sejam enriquecedoras e estimulantes, nos aspectos físico, emocional e cognitivo.

O artista e poeta renascentista, Leonardo da Vinci, entre tantas obras, nos deixou um pensamento: "O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria e armazena a suavidade para o amanhã." E os alunos da UAM são testemunhas de que nunca é tarde para novos aprendizados, superar dificuldades e voltar a ser feliz!

 


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