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Escrito por Moisés Machado   
Segunda, 29 de Setembro de 2014 - 14:12

Pet-terapia Que os animais de estimação são encantadores, todos sabem e quem os tem, sabe da importância. Mas eles tem mais a oferecer, principalmente àqueles que mais precisam. O conceito da Pet-Terapia, ou Terapia Assistida por Animais, (TAA), trabalha com foco na saúde e bem estar utilizando animais de estimação como parte do processo de reabilitação de pacientes com problemas físicos e psíquicos, principalmente crianças e idosos .

"A Terapia Assistida por Animais (TAA) é a terapia do amor e aceitação. Aprendemos com os animais a não julgar e aceitar as diferenças. E a viver o presente. Um cão não guarda ressentimentos, ele vive o momento e oferece um amor incondicional. Mais do que doutores eles são professores nos ajudam a ver a vida de uma forma mais simples",essa é a definição dada pela psicóloga Martina Sbrissa Bortolin, diretora da empresa Terapia com Animais, ao descrever o trabalho realizado por sua empresa.

A psicóloga que atende a domicílio crianças com problemas emocionais como depressão, transtornos de ansiedade, problemas de aprendizagem, autismo, entre outros, afirma que os cães descaracterizam a terapia deixando-a mais leve e agradável para o paciente, tirando o foco do seu problema, que na maioria das vezes são graves, como nos que ela destaca. Os atendimentos com crianças com autismo são sempre bem marcantes, pois são crianças que geralmente não fazem contato com o terapeuta. "Teve um caso onde a criança, não tinha nenhuma comunicação verbal e a partir do tratamento com o cão começou a expressar algumas palavras. Claro que com ajuda da fonoaudióloga e outros profissionais. Essa criança diminuiu os comportamentos auto agressivos e passou a interagir muito mais nas sessões através do cão". Martina relata outro caso de depressão e fobia social. "Um adolescente não saia de casa há 3 semanas,. Passava na frente do computador. Com as visitas passou a sair para levar o cão aos parques e pude trabalhar as suas habilidades sociais", relata Martina.

As chamadas Terapias Assistidas por Animais, TAAs, ou Pet-Terapia, surgiram em 1792 na Inglaterra para o tratamento de doentes mentais em um asilo psiquiátrico em Londres. Desde então, a atenção dos estudiosos voltou-se para os benefícios da relação homem-animal. O objetivo dessas terapias é inserir o animal na vida de pacientes em tratamento, tornando o animal parte do processo de cura e melhora. Todas as visitas são guiadas por um ou mais profissionais do serviço de saúde especialistas em suas áreas.

Segundo a veterinária da Associação Gaúcha de Atividade e Terapia Assistidas por Animais (AGATA) , dentre os benefícios trazidos por estas terapias estão melhorias na saúde física, psicológica e emocional, coordenação motora e desenvolvimento da memória dos pacientes.Também pode-se observar a diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial, e a elevação da liberação dos hormônios relacionados ao prazer e ao bem-estar.

Karina Schutz, psicóloga da Pet Terapeuta, que trabalha além de cães com uma calopsita, um papagaio e uma coelha, salienta que na Pet Terapia, o animal entra em cena como um ativador do comportamento desejado. Ele pode ser usado tanto nas atividades (intervenções que não tem caráter terapêutico) como nas terapias propriamente ditas. Nas atividades ele tem uma finalidade exclusiva de promover o bem estar e despertar momentos de descontração. "Muitas vezes o animal consegue fazer com que um idoso, por exemplo, saia da rotina e participe de uma atividade que antes não fazia com o auxílio de um profissional. Isso já é o suficiente para promover bem estar. Na terapia, existe um foco. O animal é utilizado com uma finalidade específica.", descreve.

A inserção dos animais ocorre de duas formas. A atividade assistida por animais, que consite na visita dos animais, onde eles interagem com os pacientes e ocorrem geralmente de forma mensal, durante cerca de uma hora. E a terapia assistida por animais, feita dentro de um processo terapêutico, onde cada profissional atua dentro da sua especialidade, com objetivos específicos, ocorridas com maior frequência, pois o animal é parte integral desse processo.

Tanto os voluntários, quanto os cães e os demais animais passam por um processo de seleção prévio que avalia se são aptos a participar das atividade. Os cães têm sempre as vacinas em dia, antipulga, vermífugo, banhos frequentes, atestado de saúde do veterinário. "Não é necessário que o animal tenha um treinamento específico e sim que seja dócil e permita que se passe a mão em qualquer parte do corpo", relata Joice Peruzzi da AGATA, referindo-se aos co-terapeutas, como são chamados os animais pela equipe.

A ONG AGATA, trabalha desde 2013, de forma voluntária junto a Casa do Menino Jesus de Praga (CMJP), que abriga crianças com deficiências múltiplas, como lesão cerebral profunda e deficiência motora permanente, todas vindas de famílias extremamente pobres ou desestruturadas da região metropolitana de Porto Alegre. Crianças como o estudante Alisson Ivan, 15 anos, único interno com possibilidade motora de falar.

"Esse cara é legal demais, ele me entende, me respeita", diz o sorridente Alisson ao referir-se ao yorkshire Stitch, um dos quatro cães integrantes do projeto da AGATA, que além do Stitch, conta com os vira latas Mozart e Alegria e a Golden Retriever Lara trabalhando em conjunto com fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, pedagoga, advogada, médica veterinária, além dos voluntários com seus cães.

Na atividade realizada mensalmente, são utilizados brinquedos para as crianças brincarem com os cães, como bolinhas e escovas. Tudo realizado com vistas à melhoria da qualidade de vida dessas crianças, com alívio do estresse,diminuindo a sensação de abandono e solidão. "Os animais desenvolvem na criança toda questão do estímulo, da sociabilização, da comunicação visual, do toque, e além de tudo isso, o amor incondicional. O cachorro está ali, totalmente entregue aquela criança. Ele não vai diferenciar independente do que ela tenha, ele vai amar , sem preconceito", destaca a veterinária Joice Peruzzi.

A diretora da Casa Menino Jesus de Praga, Eleonora Pegorini, relata a importância do trabalho, destacando que as crianças ficam mais calmas, após cada visita ."Para nós é muito gratificante ver a criança tocando um dos animais, que é vida, que se move e troca uma energia com ela. O cachorro late, lambe e elas iriem, ficam mais calmas e na expectativa quando é dia de visita deles. Para nossa criança que tem essa dificuldade motora, ter esses animais aqui é fantástico."

 


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