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Capa Memória Geral Batista Filho: “Quem se qualificar, terá espaço”
Batista Filho: “Quem se qualificar, terá espaço” Imprimir
Escrito por Gabriel Guidotti   
Segunda, 25 de Maio de 2015 - 10:02

ariReferência no Jornalismo gaúcho, João Batista Filho, atual presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), não mede palavras para defender o direito à liberdade de expressão. Seguro da importância da profissão para o desenvolvimento de regimes democráticos, ele concedeu entrevista ao Universo IPA onde fala sobre os projetos e desafios da entidade, que completa 80 anos em 2015, em um período marcado por diversas modificações nas mídias tradicionais. Confira.

1) O que representa a ARI no Jornalismo do Rio Grande do Sul?

João Batista Filho – Quando completa 80 anos, a ARI representa, primordialmente, a sua história. Uma história que começa em defesa da liberdade e que tem como valores essa liberdade de expressão, que é uma extensão da liberdade de pensamento, além do respeito ao Estado Democrático de Direito. Isso ao lado da necessidade de organização da categoria para que se tenha um comportamento unificado no sentido de buscar melhor qualidade no trabalho e no ganho dos profissionais da área.

2) A ARI é uma entidade de classe?

Batista Filho – Na sua fala inicial, Érico Veríssimo (primeiro presidente), declarou com toda a clareza que não era uma entidade para ter uma bandeira ou fazer eventos sociais. Era uma entidade para buscar condições de vida dignas e agradáveis, “um direito de toda a criatura humana”. A ARI foi fundamental na defesa da liberdade de expressão, de pensamento, nos períodos autoritários (Estado Novo e Ditadura militar). A entidade desencarcerou muitos profissionais de todos os veículos de comunicação, notadamente jornais, independentemente da postura que os jornalistas tinham com partidos ou ideologias.

3) Há liberdade de imprensa no Brasil?

Batista Filho – A defesa da liberdade de expressão é cada vez mais atual. Até mesmo veículos de comunicação estão participando de campanhas em que devem ratificar a importância da liberdade de imprensa, pois eles são ameaçados pelos detentores de poder, por aqueles que têm a força, e a força é o canal do autoritarismo. A democracia está sendo ameaçada pela forma com que governantes e governos no mundo, o tempo inteiro, tentam impor a sua verdade.

4) Embora presente na Constituição, liberdade de expressão é um conceito subjetivo. Como defini-lo em relação à imprensa?

Batista Filho – A ARI é, desde sua fundação, uma entidade que congrega veículos e profissionais. Assim como o jornalista não tem o direito de transmitir informações de forma mal intencionada, o veículo não tem o direito de explorar o profissional, de conduzi-lo para uma posição que não é vista e sentida por ele. Liberdade tem extensão. Ela termina onde começa o direito dos outros, mas não pode existir de forma corporativa.

5) Quantos sócios tem a ARI hoje?

Batista Filho – De registro, dois mil. Adimplentes, 450. O valor da mensalidade é um preço simbólico de R$ 15,00. A ARI é mantida com esses valores somado ao valor das locações do prédio (na Borges de Medeiros). Atualmente, a entidade não é deficitária. Nos últimos quatros anos, as finanças estão equilibradas, sem déficit.

6) A ARI só permite associação para jornalistas formados. Há projeto para a adesão de estudantes?

Batista Filho – Na ARI, nós temos um departamento universitário que está sendo reativado. Está em nossos planos, mas depende de assembleia geral uma alteração de estatuto para a inclusão dos acadêmicos. Com isso, nós queremos atrair estudantes à entidade para que participem desde o começo da faculdade. E que possam trazer sua visão, certamente diferente daqueles que estão aqui há muito tempo.

7) A biblioteca da ARI está fechada. Há previsão de abertura para o público?

Batista Filho – Nós somos uma entidade voluntária, com uma diretoria onde nem todos têm tempo para dedicar. Estamos lentamente fazendo uma seleção da biblioteca do Alberto André (ex-presidente da ARI) para doarmos alguns livros. O objetivo é ficar apenas com as publicações em comunicação. Estamos trabalhando nessa direção, mas ainda não há previsão.

8) O Jornalismo vive uma crise de identidade?

Batista Filho – O Jornalismo vive inquietações. Os fatores determinantes destas dúvidas são diferentes. Mas não existe crise. Existe necessidade de entendimento de cada tempo. Nós tivemos, no século passado, um avanço maior do que todos os séculos anteriores. No futuro, o jornal terá seu espaço. Que espaço? Exatamente igual à hoje, menor, maior? Quem for realmente interessado no conhecimento, não vai deixar de programar seu tempo para usar a internet, para ver TV ou para ler o jornal. Tudo isso tem apenas uma exigência, a qualificação. Quem se qualificar, terá espaço. Quem não oferecer qualidade... aí sim, é aquela detestável lei do mercado. Será afastado pelo próprio mercado.

 


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