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1º Simpósio da Comunicação Social debate a relação da imprensa com as Forças Armadas Imprimir
Escrito por Moisés Machado   
Quinta, 09 de Julho de 2015 - 17:53

Nos dias 6 e 7 de julho, o Comando Militar do Sul (CMS) promoveu o 1º Simpósio de Comunicação Social. O Quartel General do CMS, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, foi palco de debates sobre a relação entre a imprensa e as Forças Armadas, em especial o Exército. Os palestrantes, militares, profissionais de imprensa e alunos de cursos de jornalismo foram recebidos pelo Comandante Militar do Sul, general Antônio Hamilton Martins Mourão e o chefe do setor de Comunicação do CMS, coronel Cristovão Liotti. O evento contou com nomes de peso da comunicação e figuras ilustres do cenário militar.

Coube ao general Mourão realizar a abertura do evento e destacar o papel da Comunicação Social no CMS. Ele enfatizou que é através da imprensa que as Forças Armadas podem mostrar este trabalho, ainda mais quando se vive da informação em tempo real, o que exige dos jornalistas instantaneidade.

Coronel Cristovão, chefe do setor de comunicação do CMS, proferiu a primeira palestra do seminário: “A comunicação social no CMS”. Em sua exposição o coronel apontou que a meta da Comunicação Social do Exército Brasileiro é integrar os militares com os profissionais da imprensa e ao mesmo tempo aproximar o CMS da população.

Em sua apresentação, destacou as plataformas que o Exército Brasileiro utiliza, como: site, rádio, TV Web, revista com versão impressa e digital, além do Recrutinha, gibi para crianças, com versão on-line, e mídias sociais, como Twitter, Facebook, Whatsapp, entre outros.

Na sequência, o professor e doutor em Filosofia da UFRGS Denis Rosenfield discorreu sobre a imagem do Exército Brasileiro e a opinião pública. Rosenfield trouxe como exemplo o recente caso da fraude dos carros blindados do exército. Para ele, a imagem do Exército está sendo “manchada” por dois integrantes da corporação, explicou Rosenfield.

A palestra que encerrou o primeiro dia do I Simpósio de Comunicação Social do CMS foi proferida pela vice-presidente do setor de Jornais e Mídias do Grupo RBS, Andiara Petterle, que tratou do tema: “Do jornal à plataforma digital”. A executiva falou sobre a relevância das mídias no papel da sociedade.

Segundo dia

O segundo dia iniciou com a palestra sobre “A comunicação social nas operações militares no Haiti”, sob o comando do tenente-coronel Souza e Sá, um dos oficiais brasileiros no Haiti.

Souza e Sá detalhou todo o processo de informação junto à população local, realizado pela Comunicação Social do Exército Brasileiro em conjunto com a ONU. Ele destacou que é preciso conhecer o público com quem se vai interagir, no caso o haitiano, principalmente no que tange às suas peculiaridades e simbologias, para que se possa definir os instrumentos e ferramentas a serem empregadas na difusão dessa informação. “Todos os militares no Haiti sabem algumas expressões em créole, que é a língua local. E isso facilita na hora de adquirir confiança”, disse. O tenente-coronel ainda destacou a importância da divulgação das ações do Exército junto à população em missões de paz. “Uma campanha de comunicação social, se for bem feita, evita conflito”.

Airton Rocha, diretor e fundador da agência de comunicação Martins + Andrade, com 35 anos de mercado, falou sobre “Marketing Institucional”. Ele trouxe cases de sucesso, como O Boticário e Zaffari, para fazer um link com a realidade das Forças Armadas. Rocha aproximou o debate ao âmbito militar, ao projetar vídeos de campanhas do exército colombiano com o propósito de desmobilizar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), considerado o mais antigo grupo de guerrilha do mundo, uma organização terrorista que luta pela implantação do socialismo na Colômbia. Os números apresentados pelo palestrante evidenciaram a importância e o sucesso de uma campanha bem sucedida.

Pontualmente, às 13h30 horas, teve início a última palestra, proferida pelo do coronel Luiz Alfredo Mendes, chefe do Estado-Maior da Força de Pacificação do Complexo do Alemão e Penha.

O coronel iniciou seu relato com a descrição de alguns momentos vividos no complexo de morros na capital fluminense, com a operação Arcanjo VI, organizada para desbaratar o tráfico na região e pacificar a área. Segundo Mendes, o complexo do Alemão até então, era o “coração” do tráfico no Rio de Janeiro. “Apenas em uma boca de fumo na Vila Cruzeiro, com quatro cadernos que apreendemos, contabilizava-se cerca de R$18 milhões por ano, com a comercialização de drogas. E naquela época, ali na região, havia cerca de outras quatro bocas, fortes como aquela”. Com esse relato, o palestrante exemplificou o poderio financeiro do mercado de entorpecentes naquele complexo.

Após passar uma série de vídeos sobre a operação, o coronel destacou o principal dever das tropas: proteger a população. “Não podíamos sair atirando a esmo, pois o traficante estava no meio dessa população, sabia disso e se aproveitava”, falou. Mendes, ainda destacou os riscos que as tropas correram, como quando eram recebidas com bombas caseiras que consistiam numa combinação de garrafa pet, pólvora e lâminas de barbear.

Ao elucidar a importância da relação imprensa-exército, o comandante das operações no Alemão, frisou o bom relacionamento com a imprensa, que, por inúmeras vezes, com imagens gravadas durante as operações ajudou os repórteres na checagem das informações. Também ressaltou que a imprensa, sempre que acompanhou as incursões no morro, estive em segurança, protegida pelos militares.

O militar ainda deu ênfase às mídias sociais, que muito contribuíram com o êxito das operações. “As divulgações que ocorriam nas redes sociais faziam com que o morador de bem se afastasse da zona de conflito ou se protegesse. Então, quem ficava é porque tinha algum envolvimento com o tráfico”, completou.

Após a palestra do coronel Mendes, teve início o espaço para questionamentos do público e debate mediado pelos palestrantes.

Para a coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda do IPA, Nancy Vianna, que participou de toda a sua agenda o evento foi verdadeiramente um compartilhar de conhecimentos. Segundo ela, os conteúdos abordados contribuíram para propiciar a aproximação entre militares e comunidade, além da desmitificação da imagem estereotipada, posicionada na mente da sociedade, por vezes, depreciativa, que se tem a respeito do exército e suas ações. “O Simpósio deixou o ‘gostinho de quero mais’ e isso significa êxito no que foi planejado, deixando claro que foi alcançada a principal meta da comunicação social dentro do Exército Brasileiro, que é integrar os militares com os profissionais da imprensa e ao mesmo tempo aproximar o CMS da sociedade”, disse a mestre, parabenizando a organização do evento.

O 1º Simpósio de Comunicação Social do Comando Militar do Sul, conforme o Coronel Cristovão Liotti, em breve deve ganhar sua segunda edição.

Exclusivo ao Universo IPA

Um dos idealizadores do evento, coronel Luiz Augusto Cristovão Liotti, em entrevista exclusiva ao Universo IPA, relatou que o objetivo do simpósio foi de aproximar a imprensa ao trabalho realizado pelas forças armadas.

“É importante que o nosso Quartel General abra as suas portas para quem trabalha com jornalismo. Estamos fazendo justamente isso: trazendo o pessoal da mídia aqui para dentro e mostrar o nosso trabalho. Porém, mais que isso, aprender com todos vocês e pedir que mostrem a toda população o que aqui realizamos”, frisou.

Ao falar da relação imprensa com o Exército, Liotti ressaltou que sempre houve estereótipos de ambos os lados, mas que isso vem mudando. “Assim como a mídia se aproxima da gente, vendo que estamos mais receptivos, nós também percebemos ela não está mais tão agressiva. Então, com esse trabalho nós estamos vendo que os dois lados estão se conhecendo mais e, a partir daí, vamos fazer um trabalho cada vez melhor e voltado para população”, declarou o militar gaúcho de Porto Alegre.

O coronel ainda ressaltou que o período do Regime Militar propiciou um distanciamento entre as Forças Armadas e a mídia, mas que isso é passado. “A ideia é que sejamos receptivos. A intenção é conversar, mostrar o nosso trabalho, e isso é que aos poucos a gente vem tentando trabalhar”, disse.

 


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